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Barra Mansa,30/08/2026

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    Carmem Teresa Elias

    Escravidão silenciosa

    A cognição está sendo usurpada pela máquina.


    Escravidão silenciosa

    Escravidão silenciosa 

    O mundo está obrigado a mudar. Sem escolha. Sem tempo de adaptação. 

    A cognição está sendo usurpada pela máquina. Pior ainda, pela ideologia política que gere, programa e opera o universo digital. 

    A nova pirâmide social possui 6 membros no topo. Alguns chefes de Estado abaixo, que também estão sujeitos à tecnologia, embora se aproveitem dela como se fossem os donos . Como se fossem… 

    Abaixo, lideranças econômicas que creem obter lucros e lucros com as vantagens oferecidas pelos donos da tecnologia e de Estados. 

    Abaixo sobra apenas a humanidade inteira, sem entendimento, sem preparo, sem acesso propositalmente negado, sem formação educacional capaz de levar à análise e crítica do momento atual. Para esses são enviadas propagandas de deslumbramento diante de promessas estapafúrdias de um futuro sem esforço: não será necessário estudo, trabalho. Haverá salário universal para que todos sejam felizes! 

    A falácia é imensa! Os olhos, cegos. Com uma população de bilhões, haverá escassez de comida, de oportunidades, de sobrevivência. 

    Onde não existe pensamento crítico, sobra a alienação, a submissão, a escravidão! Sem correntes. Uma escravidão por telas! Uma escravidão por solidão. 

    No século XX, a consciência social circulava com expressividade. Multidões iam as ruas pedir fim da guerra do Vietnam! Multidões clamavam por fim de ditaduras e torturas. Multidões exigiam liberdade e justiça.

    No século XXI, o posicionamento social se apagou. Invasões matam em massa povos diversos. O mundo assiste - verdadeiros genocídios, calados! Cada um diante de sua tela, sabendo ou não do ódio e da beligerância que se espalha em domínio pelo planeta, olha calado, lê calado, olha imagens calado. A humanidade apenas assiste como um pedaço de lata a mais. 

    Nessa apatia de si, de sociedade, de mundo, nessa ausência sem  responsabilidade com o destino do mundo, ningem questiona o consumo de água para abastecer data centers, enquanto se pede que a população economize água. Ninguém questiona a destruição ambiental que leva a climas extremos, aumento do nível dos mares, falência de cultivos. Ningem questiona o uso de agrotóxicos proibidos e cancerígenos que deformam legumes e frutas, poluem a terra e envenenam os rios. 

    Escravos não são donos de seus destinos. Comem o que lhes é dado. 

    Escravos não leem: obedecem ao que lhes é dito. Hoje a ordem é ser empreendedor e influencer, sem estudo, sem noção do que fazem ou dizem. Obedecem ao comando: “ se você gostou curta logo esse página”; “me segue aí”, “salva logo essa página”, porque assim você terá acesso a como se tornar um best-seller, uma beldade, uma pessoa com milhões de seguidores, etc etc etc. 

    Na solidão da ignorância, cada um submerge na falácia de ser famoso, admirado, um desconhecido no topo das visualizações. O narcisismo cega. Cada um sobrevive em seu umbigo. O mundo sucumbe nas mãos de não mais que dez controladores do espaço, da geografia, dos corpos e dos destinos. Os escravos, talvez pela primeira vez na história, sentem-se felizes, populares, poderosos e encastelados em suas telas. 

    Carmem Teresa Elias



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