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Barra Mansa,30/08/2026

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    Carmem Teresa Elias

    Lendo GERÚNDIOS

    Com gerúndios se constroem tempos, espaços e ações.


    Lendo GERÚNDIOS

    Lendo GERÚNDIOS 

    CARMEM TERESA ELIAS 

    Com gerúndios se constroem tempos, espaços e ações. Uma permanência  na incompletude. Um processo em seguimento. Ou ações simultâneas em curso. 

    O livro de poemas “Gerúndios” de Saulo Soares nos leva a contemplar, observar e deixar-se ser o percurso. 

    “Gerúndios” abriga um encontro com o autor, a poesia e a vida que se constroem juntos : “os poemas que faço/ mais me fazem do que eu a eles, o que faço , às vezes, é fazer as vezes do poema.”

     E o poema me conduz de imediato a uma lembrança de Pessoa: “Estar sentado ao pé um do outro / Ouvindo correr o rio e vendo-o” (Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa.) 

    A poesia domina e guia. E a poesia, como condutora da vida, determina o destino: “enquanto caminho, morro… enquanto caminho observo, sou servo do meus passos” 

    A poesia requer um estado de rendição, de certa clausura entre o incerto e o agora”, porém incessante. É ali que o lugar lírico tece artimanhas de doçura, de críticas, de legado e de ascensão. Há uma busca que a natureza e a fé podem compor. Existe o pai: Memória e identidade. Existe também o Pai: Presença. Onipresença! 

    Há, também, contudo, uma consciência individual perspicaz da falsidade. Chama-me atenção o poema “ Versos para vencer um concurso de poesias nos dias  atuais”, talvez meu favorito pela denúncia dos descaminhos que chamamos de literatura, totalmente sem rumo, sem norte, sem bússola. Diz o poeta:

    “Escolha um tema que esteja na Agenda dos papagaios modais.

    Escreva uma prosa de má qualidade, Di-vi-da-a em estrofes e, pronto... nada mais.

    Seja hermético, patético, ridículo,

    Monótono e oxítono.

    Prolixo, chato, politicamente correto.

    Rime verbo com verbo e ache o máximo.”

    Um poeta não finge. Um poeta enxerga, na contemplação e no silêncio o poema que não engana. Um poema exalta a alma, o espírito, o corpo, o espinho da viva. A poesia dispensa a tolice.  

    Que Gerúndio continue a cumprir seu caminho: encantar, denunciar e deixar a poesia guiar e conduzir a mão do artista. 

    Carmem Teresa Elias



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