Carmem Teresa Elias
O risco da eleição transformada em plebiscito sobre o STF
Esse é o golpe do ano para anular as eleições.
O risco de uma eleição transformada em plebiscito sobre o STF
Existe ainda um perigo político adicional: transformar a eleição presidencial em um plebiscito sobre o Supremo.
Nesse cenário, o debate sobre saúde, educação, segurança pública, economia, emprego, infraestrutura e políticas sociais pode ser parcialmente substituído por uma disputa em torno da própria existência, composição ou autoridade da Corte.
A crise do STF já aparece no ambiente político-eleitoral de 2026. A imprensa registra que a exposição do conflito interno tem produzido consequências sobre a disputa presidencial e pode favorecer candidatos que adotam discurso de confronto com o Supremo. (Folha de S.Paulo)
Esse processo é perigoso porque desloca o centro da democracia: o eleitor deixa de escolher apenas um projeto de governo e passa a votar também sobre sua confiança ou rejeição às instituições.
O problema não é apenas quem vencerá
Em uma democracia, a estabilidade institucional precisa sobreviver ao resultado eleitoral.
Se um candidato vencer e seus adversários considerarem a Justiça parcial, haverá contestação.
Se outro candidato vencer e seus adversários acreditarem que o Judiciário protegeu seus opositores, haverá contestação.
Se a sociedade aceitar a ideia de que toda decisão judicial é determinada por interesses políticos, nenhuma decisão será capaz de produzir consenso.
Esse é talvez o maior risco de uma ruptura institucional: não necessariamente a suspensão das eleições, mas a perda gradual da capacidade das instituições de convencer a sociedade de que as eleições são legítimas.
Esse é o golpe do ano para anular as eleições.
Carmem Teresa Elias




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