Carmem Teresa Elias
A ruptura do STF e os riscos para as eleições brasileiras
Crise interna, perda de confiança e polarização podem transformar o Supremo em um dos principais campos de disputa política das eleições de 2026
A ruptura do STF e os riscos para as eleições brasileiras
Crise interna, perda de confiança e polarização podem transformar o Supremo em um dos principais campos de disputa política das eleições de 2026
Em uma democracia, eleições não dependem apenas de urnas, candidatos e eleitores. Elas também dependem da existência de instituições capazes de garantir que as regras do jogo sejam respeitadas antes, durante e depois da votação.
É justamente nesse ponto que a atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) adquire uma dimensão que ultrapassa os limites do Poder Judiciário. A crescente exposição de divergências internas entre ministros, acusações cruzadas e disputas políticas em torno da Corte ocorrem às vésperas das eleições brasileiras de 2026, criando um ambiente de elevada sensibilidade institucional.
A questão central não é apenas saber quem está certo ou errado em cada acusação. O problema mais profundo é compreender o que acontece com uma democracia quando uma instituição encarregada de proteger a Constituição passa a ser percebida pela sociedade como parte da própria disputa política.
Quando a crise de uma instituição se transforma em crise eleitoral
A Constituição Federal atribui ao STF a função de guardião da Constituição. Ao mesmo tempo, estabelece a separação entre os Poderes como princípio fundamental do Estado brasileiro.
O sistema eleitoral, por sua vez, possui instituições próprias, especialmente a Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem composição que inclui ministros do próprio STF, o que evidencia a conexão institucional entre a Suprema Corte e a estrutura responsável pela administração da Justiça Eleitoral.
Essa arquitetura faz com que uma crise de credibilidade no Supremo não fique necessariamente restrita ao Judiciário. Em determinadas circunstâncias, ela pode atingir a percepção pública sobre decisões relacionadas à democracia, aos direitos políticos e à própria legitimidade do processo eleitoral.
É aí que surge um dos maiores riscos: a transformação da desconfiança institucional em desconfiança eleitoral.
Se parte significativa da população passa a acreditar que decisões judiciais são determinadas por preferências partidárias, interesses pessoais ou disputas entre grupos políticos, qualquer decisão envolvendo candidatos, partidos, propaganda, redes sociais, inelegibilidades ou resultados eleitorais pode ser interpretada não juridicamente, mas politicamente.
Carmem Teresa Elias




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