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Barra Mansa,29/08/2026

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    JJ

    A Prática Como Critério da Verdade

    Uma gravíssima traição aos interesses nacionais


    A Prática Como Critério da Verdade

    A Prática Como Critério da Verdade

    Por JJ

    Há momentos em que a política deixa de poder ser julgada pelos discursos e precisa ser confrontada pelos atos. A prática é, afinal, o critério da verdade. E é precisamente por esse critério que deve ser analisada a operação conduzida no apagar das luzes do governo Ronaldo Caiado em Goiás, envolvendo um dos patrimônios mais estratégicos do Brasil: suas riquezas minerais. O que está em jogo não é uma divergência administrativa menor, mas a soberania nacional sobre recursos cuja importância econômica, tecnológica, industrial e até militar cresce a cada dia.

    Os fatos conhecidos exigem indignação e vigilância. O governo goiano estruturou uma política estadual para minerais críticos e celebrou, em março de 2026, acordo de cooperação com o governo norte-americano nessa área. Ao mesmo tempo, a própria legislação e regulamentação estadual reconhecem expressamente que a titularidade dos recursos minerais pertence à União e que cabe privativamente à União legislar sobre jazidas, minas e recursos minerais. Não se trata, portanto, de uma questão ideológica, mas constitucional. Um governo estadual não pode agir como se fosse proprietário do subsolo brasileiro nem negociar politicamente ativos estratégicos como se estes fossem patrimônio particular de uma unidade da Federação.

    É por isso que considero essa iniciativa uma gravíssima traição aos interesses nacionais, no sentido político e histórico da expressão. Chamar o capital estrangeiro para investir é uma coisa. Entregar a condução estratégica de recursos decisivos sem um comando nacional inequívoco é outra, completamente diferente. Terras raras e minerais críticos não são mercadorias comuns. São elementos centrais da disputa mundial por tecnologia, energia, indústria e defesa. Justamente por isso, qualquer política que abra espaço para interesses externos sem a participação efetiva e a coordenação da União precisa ser escrutinada com rigor absoluto.

    Fico pensando se essa medida teve o aval de seu coordenador político, alguém que frequentemente se arvora em defensor da nação, da soberania e dos interesses brasileiros. Se teve, a contradição é monumental. Se não teve, o silêncio também precisa ser explicado. Não existe nacionalismo verdadeiro apenas nos palanques, nos discursos inflamados e nas palavras de ordem. O verdadeiro nacionalismo se mede quando os interesses estratégicos do país entram em jogo. É exatamente aí que a prática funciona como critério da verdade e desmascara discursos que não resistem ao confronto com os fatos.

    O sorriso branco e cuidadosamente construído de Ronaldo Caiado não pode servir de biombo para esconder a dimensão política de seus atos. A responsabilidade pública não se dissolve em marketing, carisma ou aparência. Quem ocupou o governo de Goiás até 31 de março de 2026 precisa responder politicamente por iniciativas adotadas em sua gestão, sobretudo quando elas envolvem minerais estratégicos e articulações internacionais. A própria estrutura criada pelo Estado previa interlocução e negociações internacionais no setor, mas a regulamentação posterior foi obrigada a reafirmar que outorga de direitos minerários, comércio exterior, defesa nacional e relações com outros países permanecem submetidos às competências da União. Essa contradição demonstra, por si só, o tamanho do risco de ultrapassar as fronteiras constitucionais.

    O Governo Federal não pode assistir passivamente. Cabe à União agir, reagir, examinar juridicamente cada ato, cada acordo e cada compromisso que possa comprometer sua competência constitucional ou a soberania brasileira sobre riquezas minerais. Se houver excesso, invasão de competência ou qualquer tentativa de produzir efeitos sobre bens e atribuições federais sem respaldo constitucional, a questão deve ser levada à Justiça. Obstruir juridicamente uma operação eventualmente ilegal não é radicalismo. É defender a Constituição, a Federação e o patrimônio estratégico da República.

    Esta denúncia deve reunir os verdadeiros nacionalistas, independentemente de esquerda, direita ou centro. Quem defende sinceramente o Brasil precisa compreender que soberania não é propriedade de uma ideologia. O subsolo brasileiro pertence ao Brasil, e suas riquezas estratégicas não podem ser objeto de aventuras políticas, operações de ocasião ou arranjos subordinados a interesses estrangeiros. Que a Justiça examine, que o Governo Federal intervenha dentro de suas atribuições e que a sociedade não aceite o silêncio. Porque, no fim, os discursos passam, os sorrisos desaparecem, as campanhas terminam, mas os atos permanecem. E é pela prática que se conhece a verdade.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 




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