Arthur Vinciprova
Era IA. Faltou o humano ...
A arte, felizmente, não é uma equação.
Era IA. Faltou o humano ...
Por Arthur Vinciprova
Recentemente, um amigo me pediu meu roteiro para ler. Enviei. Algum tempo depois, ele me devolveu um PDF com uma análise completa. Só havia um pequeno detalhe: quem tinha analisado não era ele. Era uma inteligência artificial.
E o diagnóstico da máquina era quase uma certidão de óbito do filme.
Segundo ela, o roteiro não atendia corretamente a determinadas estruturas, regras e modelos que reconhecia como ideais. Faltava isso, sobrava aquilo, determinado acontecimento deveria acontecer em determinada página. Por alguns segundos, lendo aquilo, quase acreditei que tinha escrito uma tragédia — e não no sentido shakespeariano.
Depois me caiu a ficha.
Talvez um dos grandes perigos da inteligência artificial para as novas gerações seja justamente entregar a ela uma autoridade que ela não possui.
IA conhece padrões. Compara milhares de obras, identifica estruturas, calcula recorrências e reproduz aquilo que aprendeu. Pode ser uma ferramenta extraordinária. Mas não tem memória afetiva. Não ficou arrepiada numa sala de cinema. Não teve o coração partido. Não sentiu saudade. Não viveu.
E arte, felizmente, não é uma equação.
O mais curioso é que um elogio da IA pode ser tão perigoso quanto uma crítica. Se começarmos a criar buscando sua aprovação, talvez passemos a produzir exatamente aquilo que ela reconhece como “correto”.
E o diferente?
O estranho? O imperfeito? Aquilo que ninguém fez antes?
A máquina provavelmente mandaria corrigir.
Talvez devêssemos ensinar às novas gerações não apenas como usar inteligência artificial, mas principalmente quando não acreditar nela.
Porque inteligência ela pode até ter.
Alma, por enquanto, continua sendo problema nosso.




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