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Barra Mansa,30/08/2026

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    Fernanda Medeiros

    Por que repetimos relacionamentos semelhantes?

    O que a Psicologia nos ensina sobre padrões afetivos e escolhas amorosas


    Por que repetimos relacionamentos semelhantes?

    Por que repetimos relacionamentos semelhantes?

    O que a Psicologia nos ensina sobre padrões afetivos e escolhas amorosas

    "Como alguém inteligente entra novamente em um relacionamento parecido com o anterior?"

    Essa é uma pergunta frequente em consultórios, conversas entre amigos e nas redes sociais. Muitas vezes, diante do término de uma relação difícil, surge a promessa de que "da próxima vez será diferente". No entanto, não é raro observar que, algum tempo depois, a pessoa se envolve com alguém que apresenta características muito semelhantes às do parceiro anterior.

    Seria apenas azar?

    A Psicologia mostra que, na maioria das vezes, não.

    Isso não significa que as pessoas "gostem de sofrer" ou que procurem conscientemente relações dolorosas. O funcionamento psíquico é muito mais complexo do que essa explicação simplista.

    Ao longo da vida, construímos aquilo que chamamos de padrões de vínculo. Eles começam a ser formados ainda na infância, a partir das primeiras experiências de cuidado, proteção, afeto, rejeição ou insegurança. Essas vivências influenciam a maneira como aprendemos a amar, confiar, estabelecer limites e interpretar o comportamento do outro.

    É importante esclarecer que isso não significa que nossa infância determine, de forma definitiva, todos os nossos relacionamentos futuros. O ser humano possui capacidade de mudança, aprendizado e reconstrução. Entretanto, experiências emocionais precoces podem exercer influência significativa sobre a forma como nos relacionamos.

    Quando um padrão permanece inconsciente, existe maior probabilidade de repetição.

    Muitas pessoas acreditam estar escolhendo parceiros completamente diferentes, quando, na prática, apenas mudaram características superficiais. A aparência, a profissão ou o estilo de vida podem ser distintos, enquanto aspectos mais profundos da dinâmica relacional permanecem semelhantes: dificuldade de diálogo, indisponibilidade emocional, controle excessivo, necessidade constante de aprovação ou incapacidade de construir relações recíprocas.

    Esse fenômeno não representa fraqueza, falta de inteligência ou ausência de amor-próprio.

    Representa, muitas vezes, a tentativa inconsciente de resolver, por meio de uma nova relação, conflitos emocionais antigos que permaneceram sem elaboração.

    Existe também outro aspecto importante: o cérebro tende a perceber como familiar aquilo que já conhece. O conhecido nem sempre é saudável, mas costuma transmitir uma falsa sensação de previsibilidade. Por isso, algumas pessoas estranham relações tranquilas, respeitosas e estáveis, enquanto se sentem intensamente atraídas por vínculos marcados pela instabilidade emocional.

    Reconhecer um padrão não significa condenar-se a repeti-lo.

    Ao contrário, a tomada de consciência representa o primeiro passo para construir relações mais saudáveis. A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender essas dinâmicas, identificar crenças construídas ao longo da vida, fortalecer a autoestima e desenvolver novas formas de se relacionar.

    Mudar um padrão afetivo não significa encontrar a pessoa perfeita. Significa, antes de tudo, transformar a maneira como nos posicionamos diante dos relacionamentos.

    Porque, muitas vezes, a mudança mais importante não está em escolher pessoas diferentes, mas em tornar-se uma pessoa diferente na forma de amar, estabelecer limites e reconhecer aquilo que realmente merece viver.

    Fernanda Medeiros
    Psicóloga Clínica e Jurídica | Perita Judicial e Assistente Técnica

    CRP-SC 12/02536 | CRP-RJ 05/300859



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