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Barra Mansa,13/06/2026

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    JJ

    Vamos Lá Brasil...

    Mas Sem Muitas Ilusões


    Vamos Lá Brasil...

    Vamos Lá Brasil... Mas Sem Muitas Ilusões

    Por JJ

    O Brasil estreia em mais uma Copa do Mundo diante da forte seleção do Marrocos. Deve ser um jogo duro. Aliás, para ser sincero, estou sem muita convicção de que nossa seleção tenha vida longa neste torneio.

    Talvez seja apenas experiência acumulada. Ou trauma esportivo. Ou os dois.

    Lembro perfeitamente da primeira Copa do Mundo que acompanhei. Por coincidência, foi a Copa do México, em 1986. Curiosamente, a sensação que tenho hoje é muito parecida com a daquela época: uma mistura de esperança, desconfiança e o pressentimento de que algo não encaixava direito.

    Zico foi convocado depois de uma longa recuperação de lesão. O camisa 10 chegou à Copa mais pela sua história do que pela sua condição física. Falcão estava lá, mas já não era o mesmo maestro de quatro anos antes. Sócrates também apareceu menos do que costumava.

    E havia uma mágoa pessoal que carrego até hoje. Leandro, o melhor lateral direito que vi jogar, amarelou e desistiu da Copa. Nunca o perdoei completamente. Talvez seja injusto, mas a verdade é que ele me deixou triste e furioso.

    Na defesa estavam Júlio César, um monstro, e Edinho, um verdadeiro animal competitivo. No meio, Alemão e Elzo davam combate enquanto Júnior, já veterano, ainda brilhava. Branco surgia pela esquerda. Josemar assumia a direita depois do fracasso de Edson. Na frente, Casagrande não encontrou seu futebol e acabava frequentemente substituído por um jovem Muller, que já mostrava enorme talento. O craque daquela seleção era Careca, em grande fase no Napoli.

    Mesmo assim, no nosso melhor jogo, contra a França de Platini, Tigana, Giresse e Rocheteau, acabamos derrotados. Foi uma das partidas mais bonitas que vi na vida. E uma das derrotas mais dolorosas.

    Em 1990 praticamente não acompanhei a Copa. Em 1994 vibrei com o eficiente, pragmático e muitas vezes sonolento time de Parreira. Não encantava ninguém, mas ganhava. E Copa do Mundo não distribui troféu para quem joga bonito.

    Em 1998 sofri com a seleção irregular de Zagallo. Continuo convencido de que a ausência de Romário custou aquele título. Imaginar Romário jogando ao lado de Ronaldo é um daqueles exercícios inúteis que os torcedores fazem durante décadas.

    Então veio 2002.

    Ali aconteceu o inesperado. Uma seleção desacreditada encontrou seu caminho e conquistou o pentacampeonato. Talvez por isso o futebol seja tão fascinante. Quando tudo parece lógico, ele produz o absurdo. E quando tudo parece perdido, ele produz campeões.

    Depois disso, vieram as decepções. Em 2006, talvez a maior delas. Um time que parecia imbatível antes da Copa e que envelheceu durante o torneio. Em 2010 aconteceu exatamente o que muitos imaginavam. Em 2014 veio o trauma nacional dos sete a um, dentro de casa, na nossa última semifinal do Mundial. Em 2018 e 2022 houve muito discurso, muita análise tática, muitos especialistas e pouco futebol decisivo.

    Agora chegamos a mais uma Copa. Neymar continua sendo um dos jogadores mais talentosos que o Brasil produziu nas últimas décadas, mas não me parece alguém destinado a levantar uma Copa do Mundo. Posso estar completamente enganado. Aliás, quem acompanha futebol há muito tempo aprende que errar previsões é quase uma obrigação.

    E, sinceramente, espero estar errado.

    Se o Brasil for campeão, vibrarei como sempre vibrei. Vou comemorar, abraçar desconhecidos, cantar o hino desafinado e, sobretudo, escrever outra crônica. Uma crônica de retratação.

    Porque, no futebol, a alegria de estar errado costuma ser muito maior do que a satisfação de estar certo.

    Até lá, sigo desconfiado.

    Mas sigo torcendo.

    Vamos lá, Brasil!

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira  

     

     



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