Claude muda personalidade conforme o idioma, diz Anthropic

Resumo
O Claude, IA da Anthropic, pode adotar tons de conversa diferentes em cada idioma. Um estudo divulgado pela empresa nesta semana mostra que o chatbot varia entre tons mais cautelosos, diretos, simpáticos ou detalhados a depender da língua. Em português, o modelo apresenta uma tendência a respostas mais técnicas.
Segundo a Anthropic, a análise foi feita com mais de 300 mil conversas reais e anônimas na plataforma. O objetivo era entender como o modelo se comporta em difertentes contextos linguísticos e culturais — e se essas variações podem indicar inconsistências nas respostas.
Como o Claude se comporta em português?

O Claude em português apresenta uma leve inclinação para respostas mais técnicas e orientadas à tarefa. Na análise da Anthropic, baseada em mais de 15 mil conversas, o idioma teve pequenas variações positivas em:
- Rigor
- Execução
- Cautela
- Profundidade
Segundo o levantamento, os comportamentos associados ao português são:
- Refinar e corrigir detalhes mesmo sem pedido explícito;
- Oferecer informações ou caminhos adicionais;
- Adicionar elementos criativos ou contexto extra às respostas.
Como mediram as diferenças?

Para comparar idiomas, os pesquisadores organizaram o comportamento do Claude em quatro eixos:
- Deferência ou cautela: mede se o modelo tende a seguir o pedido do usuário e validar suas ideias, ou se adota uma postura mais cuidadosa, com alertas sobre riscos e limites.
- Simpatia ou rigor: compara respostas mais acolhedoras e encorajadoras com respostas mais preocupadas com precisão, correção de detalhes e transparência factual.
- Profundidade ou concisão: avalia se o chatbot costuma explicar mais ou se prefere respostas curtas e diretas.
- Franqueza ou execução: observa se o Claude admite incertezas e limitações ou se prioriza entregar uma resposta pronta, confiante e focada na tarefa.
“Duas pessoas pedindo feedback em um mesmo plano de negócios, um em hindi e outro em russo, podem ter impressões diferentes sobre a qualidade porque o Claude expressou valores diferentes na avaliação”, diz a pesquisa.
Os resultados também podem variar de modelo para modelo. A versão Opus 4.7, por exemplo, tende a ter uma linguagem mais cautelosa e priorizar o rigor em comparação com o Opus 4.7.
Outras diferenças entre idiomas
As diferenças ficam mais claras em comparação a outros idiomas.
- Inglês: apareceu como mais cauteloso e mais voltado à profundidade. Segundo a análise, o Claude tende a questionar suposições incorretas e pedir mais evidências nesse idioma.
- Hindi: teve a maior inclinação para simpatia, com respostas mais encorajadoras, leves e bem-humoradas.
- Árabe: ficou mais associado à deferência e à concisão, com linguagem mais polida e adaptação ao tom emocional do usuário.
- Russo: se destacou pelo rigor, com respostas mais diretas e analíticas.
- Holandês: teve maior tendência à franqueza, ou seja, o modelo admitiu limitações com mais frequência.
- Indonésio: apareceu mais voltado à execução, priorizando a conclusão da tarefa.
Por que isso acontece?

A Anthropic afirma que ainda não sabe exatamente por que essas diferenças surgem. Uma das hipóteses é a de que alguns idiomas aparecem em bases menores ou mais concentradas em certos tipos de texto. Outro fator possível é a adaptação cultural e o reflexo das características dessas línguas.
Nota-se, no entanto, que a pesquisa não diferencia a variação falada em cada país, como o português no Brasil ou eu Portugal, o que também reflete costumes de cada localidade.
A empresa diz que pretende continuar monitorando essas variações e que isso também pode evoluir para a identificação da “correlações entre perfis de valores e comportamentos problemáticos”.
Em estudos anteriores, o Claude já se mostrou menos propenso a auxiliar em planos potencialmente criminosos e a ser complacente com comportamentos questionáveis de usuários. Tragédias envolvendo orientação de chatbots de IA foram frequentes nos últimos anos.
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