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Barra Mansa,15/07/2026

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    Carlo Simi

    Escola de tempo integral ou educação integral?

    O Brasil precisa decidir.


    Escola de tempo integral ou educação integral?
    Escola de tempo integral ou educação integral?
    O Brasil precisa decidir.
    Mais horas na escola são importantes. Mas, sem um projeto pedagógico, elas
    não bastam para transformar o futuro de uma geração.

    Por Carlo Simi

    O Brasil voltou a discutir a ampliação das escolas de tempo integral. A notícia é boa.
    Quanto mais tempo nossas crianças e nossos jovens permanecerem na escola,
    maiores são as oportunidades de aprendizagem, de convivência e de proteção social.
    Mas, antes de comemorarmos, precisamos responder a uma pergunta fundamental:
    Estamos falando de escola de tempo integral ou de educação integral? 
    Parece um detalhe. Não é. 
    Uma escola de tempo integral é aquela em que o aluno permanece mais horas por dia.
    Isso é importante. Permite reforço escolar, atividades esportivas, culturais e oferece
    maior tranquilidade para milhares de famílias que trabalham o dia inteiro.
    Mas aumentar a permanência do estudante na escola não significa, automaticamente,
    oferecer uma educação integral.
    Educação integral é muito mais do que ampliar a carga horária. É formar o ser humano
    em todas as suas dimensões: intelectual, cultural, artística, esportiva, científica, ética e
    cidadã. É preparar crianças e jovens para a vida, para o trabalho, para a convivência
    democrática e para o exercício pleno da cidadania.
    Essa visão não é nova.
    Ela foi defendida por Anísio Teixeira e ganhou sua maior expressão no Rio de Janeiro
    com Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, por meio dos Centros Integrados de Educação
    Pública, os CIEPs. Os CIEPs nunca foram apenas escolas funcionando o dia inteiro.
    Eram um projeto de sociedade.
    Ali, a criança estudava, praticava esportes, tinha acesso à cultura, alimentação
    adequada, acompanhamento social e uma proposta pedagógica que reconhecia que
    educar é muito mais do que transmitir conteúdos. Educar é desenvolver talentos,
    despertar sonhos, construir valores e oferecer oportunidades.
    Décadas depois, infelizmente, ainda insistimos em confundir quantidade de horas com
    qualidade da educação.
    É evidente que ampliar o tempo na escola representa um avanço. Mas, se esse tempo não vier acompanhado de um projeto pedagógico consistente, de professores valorizados, de atividades diversificadas, de infraestrutura adequada e de recursos suficientes, corremos o risco de apenas prolongar a permanência do aluno na sala de aula, sem transformar verdadeiramente sua formação.
    Outro aspecto merece atenção. 
    O novo Plano Nacional de Educação estabelece metas ambiciosas para ampliar a oferta de escolas em tempo integral. É uma decisão que aponta para um caminho importante.
    Entretanto, toda política pública precisa ser acompanhada do financiamento
    necessário para que deixe de ser promessa e se torne realidade. O debate sobre o
    Orçamento da União para 2026 mostrou justamente essa preocupação: especialistas,
    gestores municipais e entidades da área da educação alertam para os desafios de
    financiar essa expansão de forma sustentável.
    Essa discussão não deve servir para alimentar disputas entre governo e oposição.
    Deve servir para lembrar uma verdade simples: metas educacionais exigem planejamento, transparência e recursos compatíveis com sua dimensão.
    Na educação, boas intenções não constroem escolas, não contratam professores, não
    compram livros, não oferecem alimentação e não garantem oportunidades.
    Quem faz isso é o orçamento. 
    Como professor durante três décadas, aprendi que nenhuma transformação educacional acontece por decreto. Ela acontece quando existe um projeto consistente, continuidade administrativa e compromisso permanente com nossas crianças e nossos jovens.
    Foi exatamente isso que Darcy Ribeiro e Leonel Brizola compreenderam.
    Eles não pensaram apenas em aumentar o tempo de permanência do aluno na escola.
    Pensaram em oferecer uma educação capaz de romper o ciclo da pobreza, reduzir
    desigualdades e formar cidadãos completos.
    Esse continua sendo o grande desafio brasileiro.
    O país precisa, sim, ampliar as escolas de tempo integral.
    Mas precisa, sobretudo, recuperar o ideal da educação integral.
    Porque existe uma diferença enorme entre ocupar o tempo de uma criança e
    transformar a sua vida.

    E é essa transformação que deve continuar sendo o verdadeiro objetivo da educação pública brasileira.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.




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