Paramount enfrenta ação de 12 estados dos EUA por compra da Warner

Resumo
O apelo da indústria audiovisual dos Estados Unidos contra a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount ganhou mais aliados. A Califórnia e outros 11 estados do país entraram na Justiça nesta segunda-feira (13/07) para tentar barrar o negócio, avaliado em US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 566 bilhões).
Os procuradores-gerais de cada região afirmam que o negócio concentraria poder demais em uma única companhia, reduzindo a concorrência no cinema e na TV por assinatura. A ação foi apresentada pelos seguintes estados:
- Arizona
- Califórnia
- Colorado
- Connecticut
- Massachusetts
- Minnesota
- Nevada
- Nova Jersey
- Novo México
- Nova York
- Oregon
- Washington
O pedido é que a Paramount e a Warner adiem voluntariamente o fechamento da operação até o fim do processo. Caso contrário, os estados buscarão uma ordem judicial para impedir a conclusão da fusão. Vale lembrar que a Paramount se comprometeu a pagar cerca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) por trimestre aos acionistas da WBD caso o negócio não fosse concluído até o fim de setembro.
Comandada pelo bilionário David Ellison, a Paramount defende que a união criaria uma empresa capaz de competir com Netflix e Disney, que dominam as assinaturas em streaming. O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) já aprovou a compra.
No Brasil, o Conselho Adminstrativo de Defesa Econômica (Cade) também deu o aval para o negócio. Embora seja uma operação entre empresas americanas, a fusão precisou passar pelo órgão brasileiro, já que a Warner e a Paramount operam no país com serviços de streaming, canais de TV e distribuição de filmes.
Risco de concentração de mercado

A ação aponta que a empresa combinada ficaria com 27% do mercado de distribuição de filmes nos EUA. Em produções de grande orçamento, os chamados blockbusters, a fatia chegaria a 30%. Com o acordo, a empresa reuniria franquias como Harry Potter, Senhor dos Anéis, Transformers e Star Trek.
Sem a concorrência direta, redes de exibição poderiam enfrentar condições comerciais piores, com reflexosno preço dos ingressos, afirmam os procuradores.
Outra preocupação é quanto à TV por assinatura, colocando, sob o mesmo teto, canais como CNN, CBS, MTV, HGTV, Cartoon Network e Nickelodeon. Segundo a ação, a nova empresa controlaria os mesmos 27% do mercado de canais básicos de TV paga nos EUA, aumentando o poder de negociação com distribuidoras e operadoras. Vale lembrar que a Paramount descontinuou os canais de TV por assinatura no Brasil para focar no streaming.
Paramount quis redes de TV
A inclusão dos canais de TV foi uma exigência de Ellison durante as negociações. A WBD anunciou, em 2025, a pretenção de separar o conglomerado em duas companhias distintas — uma com os ativos de cinema e TV premium, outra voltada a televisão tradicional.
O plano seguiu o mesmo durante o período em que a Netflix havia entrado em acordo para aquisição da divisão de entretenimento. A oferta de Ellison, entretanto, voltou a incluir o conglomerado completo.
Sindicatos e cinemas resistem ao acordo

A fusão é vista pela indústria como uma ameaça, por potencialmente levar a cortes de equipes e sobreposição de departamentos. Donos de cinema também temem que a combinação reduza o número total de filmes lançados por ano, especialmente se a nova companhia concentrar investimentos em menos produções de maior orçamento. A Paramount promete 30 lançamentos por ano nas telonas.
O negócio recebe críticas de opositores da gestão de Donald Trump, que acusam o governo de favorecer aliados políticos. O rumor teve início em uma negociação anterior, quando a produtora de Ellison, Skydance, comprou a Paramount por US$ 8,4 bilhões (R$ 43 bilhões).
À época, críticos acusaram a empresa de favorecer pedidos de Trump para facilitar a aquisição, incluindo a demissão e encerramento do programa de Stephen Colbert e o fim de processos judiciais, segundo a Variety. O presidente Trump negou que essa amizade exista.
As críticas à compra pela Paramount também não significam apoio do mercado à Netflix. Durante o período em que o streaming esteve liderando as propostas, a indústria temia demissões em massa e um efeito dominó que poderia por em risco distribuidoras e exibidores.
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