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Barra Mansa,29/09/2026

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    Carmem Teresa Elias

    O Ataque Contra o Feminino

    Nem todo ataque se faz com gritos.


    O Ataque Contra o Feminino

    O Ataque Contra o Feminino

    Nem todo ataque se faz com  gritos. Contra a mulher a violência também pode ocorrer por meio do apagamento.

    Abordar a temática do ofuscamento feminino abarca questões muito além dona debates de gênero. Falamos de princípios formadores da civilização. Um modo de estar no mundo que guarda a interioridade, o cuidado, a intuição, a gestação - não só de filhos, mas de ideias, de vínculos, de futuro. A mulher gestava filhos e poder social, religioso e até político, em igualdade com homens,  até que que algo mudou radicalmente os conceitos. Quando uma cultura perde contato com seu  princípio inicial, com sua própria natureza, ela não se torna mais masculina. Muito pior, ela se torna mais brutal, porque impõe a violência como força bruta administrativa. 

    O ataque contemporâneo contra o feminino são consequências de lendas, mitos, fatos e brigas históricas milenares, que mudam de forma de apresentação sem perder seu componente latente de perseguição e silenciamento. Algumas formas atuais deste processo incluem  em três frentes.

    Uma delas é a  negação do corpo. Disseram à mulher que para ser livre ela precisava negar o que só a sua biologia  pode fazer. A maternidade passou a ser um obstáculo; que seus ciclos, fraqueza, e o pior conceito : que sua sensibilidade era histeria. A emancipação, que deveria ter sido a ampliação de suas possibilidades, foi vendida como a amputação de sua natureza. Não a libertaram do patriarcado. Libertaram-na de si mesma.

    Ensinaram que para ter valor no mundo público, a mulher precisava performar o pior do masculino: a competição fria, a agressividade estratégica, a indiferença ao vulnerável. O feminino que acolhe, que tece, que concilia, que percebe o que não foi dito - tudo isso foi rebaixado a "romantização ", a defeito, a acessório. A violência passa a explodir, verbal, física e moral .  Uma sociedade que despreza a doçura como fraqueza está condenada à esterilidade emocional. O odeio hoje impera nas relações humanas.

    Ao feminino foi imposto uma outra forma de negação do corpo : é exploração sexual vendida no século XxI como liberdade e emancipação. Mudaram as palavras, mas preservaram a exploração física da mulher. . Hoje vivemos sob a tirania da exposição total. Tudo deve ser mostrado, consumido, validado pelo olhar alheio. E quando tudo é exposto, nada mais é respeitado. O ataque mais sutil é transformar a mulher em imagem para consumo, nunca em presença. 

    Atacar o feminino não prejudica apenas as mulheres. Prejudica a construção social. 

    Um mundo sem o feminino perde a capacidade de cuidar do que é frágil sem humilhá-lo. Perde a capacidade de esperar o tempo de amadurecer. Perde a beleza - não a beleza fabricada, mas aquela beleza que persuade sem argumentar, que eleva sem precisar explicar.

    Defender o feminino não é voltar atrás. É lembrar que progresso sem enraizamento é apenas agitação. Que não há futuro humano sem a força que gera afeto.

    Carmem Teresa Elias 



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