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Barra Mansa,08/09/2026

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    Carlo Simi

    O Patriotismo que se Mede em Atos, Não em Bandeiras

    Patriotismo não se veste


    O Patriotismo que se Mede em Atos, Não em Bandeiras

    O Patriotismo que se Mede em Atos, Não em Bandeiras

    Por Carlo Simi 

    Há um teste simples para separar o patriotismo verdadeiro da encenação: perguntar o que a pessoa fez pelo país quando isso lhe custou algo. Não o que vestiu, não o que gritou nas redes, não a bandeira que empunhou num domingo de sol. O que fez, quando fazer doía.

    Getúlio Vargas fez. Criou a CLT, a Justiça do Trabalho, o salário mínimo, num país onde o trabalhador era tratado como peça descartável de engrenagem alheia. Fundou a Petrobras contra a pressão de interesses internacionais que já cobiçavam o petróleo brasileiro antes mesmo de sabermos quanto tínhamos. Construiu a Companhia Siderúrgica Nacional quando o Brasil ainda importava até prego. Não foi discurso. Foi indústria de pé, foi operário com direito, foi riqueza do subsolo que ficou em mãos brasileiras.

    João Goulart fez. Ampliou o direito de voto ao analfabeto e ao praça, gente que a República insistia em manter fora da cidadania plena. Propôs as reformas de base (agrária, urbana, bancária, eleitoral) para tirar o país das mãos de uma elite que confundia privilégio com destino. Pagou com a vida política e com o exílio o preço de acreditar que soberania nacional não é peça de retórica, é redistribuição de poder e de terra.

    Leonel Brizola fez. Nacionalizou a Companhia Telefônica Nacional e a refinaria da ICOMI no Rio Grande do Sul, enfrentando de frente o capital estrangeiro num tempo em que isso significava ser chamado de comunista pelos mesmos que hoje se dizem patriotas. Depois, no Rio de Janeiro, construiu os CIEPs, entendendo que soberania também se defende com criança alimentada e alfabetizada, não só com fronteira vigiada.

    Nenhum dos três precisou de camisa da seleção para provar amor ao Brasil. Nenhum pediu que potência estrangeira intervisse aqui para resolver disputa interna. Nenhum torceu para que o país sofresse taxação, sanção ou embargo como forma de acertar contas políticas. Eles brigaram com o Brasil de dentro, pelo Brasil, para o Brasil. É essa a diferença entre patriotismo e propaganda.

    Porque existe hoje uma outra espécie, e ela não é nova, apenas trocou de roupa. São os que se declaram mais patriotas que todos, mas correm para pedir a intervenção de um governo estrangeiro contra o próprio país. São os que aplaudem a taxação de produtos brasileiros, torcendo para que o prejuízo alheio vire capital político próprio.

    Vestem verde e amarelo, mas curvam a cabeça diante da bandeira de outra nação, como se a soberania fosse moeda de troca e não princípio.

    Essa gente tem linhagem. É neta espiritual dos que, em 1964, preferiram entregar o país ao golpe a aceitar que o povo brasileiro tivesse voz sobre a própria terra, o próprio salário, o próprio banco. Trocaram Jango pela tutela estrangeira. E o jugo imperialista que eles ajudaram a impor naquele tempo nunca foi embora de verdade, apenas mudou de instrumento. Antes eram os tanques e os atos institucionais. Hoje são os processos judiciais construídos sob medida para calar adversário, e são as fake news despejadas em massa nas redes para envenenar a cabeça do eleitor antes mesmo de ele chegar à urna. É a mesma lógica de sempre: quando não se consegue vencer o povo brasileiro pelo voto, tenta-se vencê-lo pela manipulação, seja pela toga usada como arma política, seja pela mentira fabricada e espalhada como se fosse fato.

    O tempo, felizmente, tem o hábito de separar quem construiu do que apenas gritou. Ficaram a CLT, a Petrobras, a CSN, o voto ampliado, os CIEPs, a nacionalização de empresas estratégicas. Ficou o exemplo de homens que preferiram o desgaste da coragem ao conforto da subserviência. Do outro lado, ficará apenas o registro de quem, tendo a chance histórica de defender o Brasil, escolheu ajoelhar-se diante de quem sempre quis dele um pedaço, e ainda por cima usou a Justiça e a mentira digital como instrumentos dessa entrega.

    Patriotismo não se veste. Patriotismo se constrói, tijolo por tijolo, direito por direito, muitas vezes contra a vontade de quem manda lá fora. E é essa construção, não a encenação de domingo, que continua separando os que amam o Brasil dos que apenas se aproveitam dele.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.

     




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