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Barra Mansa,08/09/2026

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    Independência ou Submissão?

    O Brasil pertence aos brasileiros.


    Independência ou Submissão?

    Independência ou Submissão?

    Por JJ

    O Brasil celebrou mais um 7 de Setembro. Ou deveria ter celebrado. Porque, enquanto a história nos lembrava da ruptura com a condição colonial e da construção, ainda inacabada, de nossa soberania nacional, a extrema direita brasileira oferecia ao país uma cena grotesca e profundamente reveladora: em um ato convocado por Flávio Bolsonaro, um boneco inflável de Donald Trump aparecia em posição de destaque, segurando uma caricatura do presidente Lula vestida como presidiário.

    Ao redor, símbolos e referências que revelavam uma contradição monumental: no dia da Independência do Brasil, havia quem preferisse homenagear uma potência estrangeira.

    Não se trata de um detalhe folclórico. Não é apenas um boneco. A política também fala por símbolos, e aquele símbolo falava alto. No dia em que os brasileiros deveriam reafirmar a sua independência, uma manifestação política brasileira escolheu exaltar o presidente dos Estados Unidos como uma espécie de autoridade superior, como alguém capaz de intervir no destino político do Brasil.

    É difícil imaginar uma contradição mais completa. Gritam “Brasil acima de tudo”, mas parecem dispostos a colocar os interesses de uma potência estrangeira acima da soberania brasileira.

    E é preciso dizer claramente o que está acontecendo. A família Bolsonaro transformou a busca por apoio e pressão estrangeira contra o Brasil em instrumento de sua estratégia política. Quando brasileiros recorrem a uma potência estrangeira para pressionar o próprio país, para interferir em suas instituições e para agir contra decisões tomadas dentro da ordem constitucional brasileira, isso não é patriotismo.

    Isso é submissão.

    Isso é lesa-Pátria.

    Isso é traição ao Brasil.

    Flávio Bolsonaro não pode ser tratado como um político comum, como mais uma alternativa eleitoral ou como um suposto “mal menor”. Não é possível normalizar uma força política que, enquanto se apresenta envolta na bandeira brasileira, alimenta a expectativa de uma intervenção cada vez maior dos Estados Unidos nos assuntos internos do país.

    A cena do 7 de Setembro é, nesse sentido, uma confissão simbólica. O boneco de Trump erguido no Dia da Independência brasileira dizia mais do que muitos discursos. Ali estava exposta a verdadeira contradição de uma extrema direita que fala incessantemente em patriotismo, mas demonstra reverência por uma potência estrangeira.

    Sempre aparecerão, entretanto, os pregadores profissionais da falsa simetria. São aqueles que, em nome de um abstrato “combate à polarização”, tentam colocar no mesmo plano quem defende a democracia e a soberania nacional e quem trabalha politicamente para subordinar o Brasil a interesses estrangeiros.

    Não.

    Nem tudo é polarização.

    Nem toda divergência é equivalente.

    Existem momentos históricos em que é preciso escolher um lado.

    E, diante da soberania nacional, não há posição honrosa no meio do caminho.

    Também é preciso discutir o papel de setores da imprensa brasileira que tratam a extrema direita como uma simples alternativa política, como se a história recente não tivesse nos ensinado nada. A crítica ao governo é legítima. A oposição política é legítima. Defender outro projeto para o Brasil é legítimo.

    Mas normalizar a submissão nacional não é.

    Apresentar como “mal menor” aqueles que flertam com a intervenção estrangeira é uma irresponsabilidade histórica.

    O mais grave é perceber que parte das elites brasileiras sempre teve dificuldade em amar o Brasil de verdade. Ama Washington, Wall Street e tudo aquilo que simboliza o poder estrangeiro, mas olha para o próprio povo com desprezo.

    Quer um Brasil subordinado.

    Barato.

    Obediente.

    Permanentemente disponível aos interesses das grandes potências.

    É a velha mentalidade colonial sobrevivendo dentro de setores que se apresentam como modernos, liberais e civilizados, mas que não suportam a ideia de um Brasil plenamente soberano.

    O povo brasileiro precisa reagir.

    Os trabalhadores precisam reagir.

    Os democratas precisam reagir.

    Os verdadeiros patriotas precisam reagir.

    Não podemos aceitar que, depois de mais de dois séculos de independência, setores da política brasileira trabalhem para transformar nossas disputas internas em assunto para a tutela de governos estrangeiros.

    O Brasil pertence aos brasileiros.

    Seus conflitos devem ser resolvidos pelos brasileiros.

    Suas eleições devem ser decididas pelo povo brasileiro.

    Nenhum presidente estrangeiro pode ser árbitro do destino nacional.

    Nenhuma potência estrangeira pode substituir a vontade popular brasileira.

    Depois de mais de duzentos anos de independência, é inadmissível assistir à tentativa de transformar o Brasil novamente em quintal de potência estrangeira.

    A liberdade de expressão não pode servir como desculpa para glorificar a submissão nacional.

    Democracia não significa renunciar à soberania.

    Pelo contrário: não existe democracia verdadeira em uma nação que aceita ser tutelada por interesses externos.

    Talvez seja hora de recuperar, com um sentido completamente diferente daquele imposto pela propaganda da ditadura, uma velha frase;

    Brasil, ame-o ou deixe-o.

    Quem quer disputar o destino do Brasil precisa respeitar o Brasil.

    Porque patriotismo não é adorar Trump.

    Patriotismo não é pedir tutela estrangeira.

    Patriotismo não é entregar o Brasil.

    Patriotismo é defender a independência nacional.

    O Brasil precisa reagir.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira





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