Arthur Vinciprova
Teatro no interior: onde cada espectador vale por uma multidão
Fazer teatro no Sul Fluminense é um ato de fé.
Teatro no interior: onde cada espectador vale por uma multidão
Por Arthur Vinciprova
Fazer teatro no Sul Fluminense é um ato de fé. Fé no público, fé na divulgação e, principalmente, fé de que ninguém vai resolver marcar um churrasco justamente no dia da estreia.
No interior, o desafio não é apenas montar um bom espetáculo. É convencer as pessoas de que sair de casa, trocar o sofá por uma poltrona e desligar o celular por uma hora pode ser uma experiência prazerosa. Parece simples, mas estamos concorrendo com séries, vídeos de quinze segundos, aniversários, chuva, frio, calor e aquela misteriosa preguiça que sempre aparece perto das oito da noite.
Ainda assim, o teatro resiste. Resiste porque existe algo no palco que nenhuma tela consegue reproduzir: o risco, o silêncio, o olhar, o erro, a respiração e a sensação de que aquilo está acontecendo uma única vez, diante de quem decidiu estar ali.
O Sul Fluminense possui artistas, grupos, histórias e espaços que merecem mais atenção. O que muitas vezes falta não é qualidade, mas hábito. Formação de público não acontece de uma hora para outra. É preciso insistência, continuidade e, às vezes, quase implorar com elegância: “Venha ao teatro. Prometo que não vai doer”.
Confesso que estou morrendo de saudade dos palcos. Cinema é uma paixão imensa, mas o teatro tem uma crueldade deliciosa: não existe corte, repetição ou montagem para salvar ninguém. É você, o público e a verdade daquele instante.
E, se tudo correr como pretendo, ainda este ano estarei de volta, com um novo espetáculo. Já estou com aquela ansiedade conhecida, misturada com medo, entusiasmo e uma leve vontade de fugir para outra cidade.
Mas artista é assim. Reclama, sofre, jura que nunca mais e, pouco depois, está procurando uma luz, um texto e uma plateia para chamar de sua.




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