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Barra Mansa,14/06/2026

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    MK - Marcelo Kieling

    O Divórcio de Santo Antônio

    A bola chorou ...


    O Divórcio de Santo Antônio

    O Divórcio de Santo Antônio

    Um Amarelo sem Cor: O Bando Recheado de Palidez

    Por Marcelo Kieling

    A Copa do Mundo começou e o futebol brasileiro — aquele esporte que um dia praticamos como referência mundial — simplesmente sumiu.

    A estreia ocorreu no dia de Santo Antônio. Mas o padroeiro dos casamentos parece não ter se entusiasmado com este grupo da CBF; afinal, eles se divorciaram da bola. Para quem cresceu assistindo a Pelé, Jairzinho, Gérson e Rivelino; para quem se deleitou com Falcão, Leandro, Júnior, Oscar e Zico; ou ainda para quem vibrou com Romário e os Ronaldos, é impossível digerir os atuais ocupantes da "Amarelinha".

    O que vemos em campo é um grupo de jogadores medianos. Salvo raras exceções, como Vini Jr., Endrick e Danilo Santos, o que resta é um elenco sem condições técnicas ou físicas para honrar uma história que carrega cinco títulos mundiais. A impressão é de que a convocação obedeceu a uma lógica estritamente comercial e publicitária.

    Essa desconexão começa no banco de reservas. O treinador, dono do maior salário entre os comandantes do torneio, não demonstra envolvimento emocional com o grupo, muito menos com a torcida. Veste-se com elegância europeia, ostenta um currículo vitorioso no Velho Continente, mas carece da vibração necessária que move a expectativa de vitória. Talvez sua preocupação esteja mais voltada para a publicidade da cerveja ou para o deslumbre das tardes ensolaradas em viagens turísticas.

    Em campo, o roteiro se repete. O grupo, composto por vários atletas que já haviam mostrado fragilidade na Copa de 2022, entrou sem padrão tático e com um desligamento absoluto da importância da competição. Um bando apático, sem intensidade, errando passes básicos.

    Dizem que a camisa pesa. No entanto, é incompreensível que profissionais com rodagem internacional, acostumados aos grandes palcos do mundo, não consigam lidar com a ansiedade. São atletas preparados, mas que parecem estranhos ao próprio fardamento.

    Para piorar o cenário, sofremos o impacto de uma mídia invadida por vozes sem o devido preparo jornalístico. Pratica-se um falso ufanismo, totalmente deslocado da realidade esportiva e curvado aos interesses comerciais. Que saudade de Galvão Bueno, Luciano do Valle, Osmar Santos e Silvio Luiz. Que falta fazem Januário de Oliveira, Milton Leite, Sérgio Noronha, Juarez Soares e Mário Sérgio.

    Eram profissionais como José Silvério, Washington Rodrigues, Fiori Gigliotti, Waldir Amaral, Jorge Curi e João Saldanha, que narravam e comentavam com bordões imortais, mas sempre com a sensatez da linguagem esportiva. Hoje, somos obrigados a engolir expressões lastimáveis como “terço do campo”, “pisar na área” ou “agredir o adversário”. Imagino uma criança de dez anos ouvindo isso: o que ela fará amanhã na aula de educação física?

    A camisa amarela, outrora símbolo de vigor, perdeu a cor e o brilho. Virou apenas o uniforme de uma entidade. O interesse pela vitória parece ter sido substituído pela gestão de direitos comerciais, venda de jogadores e geração de lucros.

    Espero, sinceramente, que minha visão esteja errada. Precisamos aguardar o desfecho desta Copa para o veredito final. Torço, é claro, mas sem qualquer expectativa. O jogo inicial mostrou uma escalação equivocada, um grupo sem relação tática e uma performance técnica frágil. Um time recheado de uma palidez doentia.

    Sigamos tocando a bola, na esperança de que ela volte a namorar o time de amarelo.

    Ferramentas de IA foram utilizadas na elaboração deste conteúdo. Todo o conteúdo foi revisado por humanos.


     



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