Carmem Teresa Elias
ASSIM HOJE COMO HÁ 1500 ANOS:
O paradoxo da modernidade medieval
ASSIM HOJE COMO HÁ 1500 ANOS:
O paradoxo da modernidade medieval
Todo pensamento estanque é atraso!
O ser humano abre mão da sua capacidade intelectual quando se permite fechar ao redor de um mesmo modo de pensar ou agir. “ Estou sempre certo”. “ Sei tudo sobre o assunto”. “ O modo como atuo é infalível”. “ Como penso é a única verdade infalível”.
O pensamento assim cerrado acarreta perda de liberdade, autonomia, criatividade, subjetividade e até lógica.
O mundo é sempre diverso: cada dia, cada pessoa, cada situação, cada momento carregam sem si o inesperado, o inusitado, o desafio e o obstáculo.
A filosofia já advertia desde 500 a.C. nos ensinamentos de Heráclito: “ Tudo muda, tudo flui.” Ninguém pode banhar-se num mesmo rio duas vezes porque as águas serão outras e a própria pessoa já será outra.
Sem uma autoanálise, auto-questionamento, e adaptação permanecemos paralisados diante de novas oportunidades de crescimento, evolução e encontro com rumos de felicidade. A máxima se refere ao indivíduo tanto quanto à sociedade.
Costumo sempre lembrar que só saímos de centenas de anos de trevas na Idade Média porque alguns pensadores ousaram recuperar os ensinamentos gregos. O mundo reiluminou-se graças ao ressurgimento da Ciência e do pensamento humanista.
Por outro lado, chegamos ao século XXI dominados pelo excesso tecnológico: excesso tão poderoso quanto o domínio religioso absoluto medieval. O que temos hoje? Um mundo violento, desumanizado, robotizado, Narcisista, e sem diálogo. Crianças em carrinhos, que nem andam ou falam, com celulares nas mãos! Quem ainda não presenciou tal cena? Um culto perigosíssimo! O adulto caricaturado em posturas preconceituosas, obsoletas, violentas, A grande notícia que se propaga é o fim do trabalho para o ser humano. Máquinas farão tudo, exercerão todas as funções. Oniscientes! onipresentes! Onipotentes! Já ouviram esses termos antes, certo? Chega a soar como uma nova crença!
Gosto de comparar o que parece oposto. Se a humanidade foi encarcerada num pensamento único medieval ( muito mais por disputas políticas sob a máscara da religião), estamos agora trancafiados numa visão excessivamente desumanizado e mecanizada. Será que é disso de que precisamos? Queremos isso, ou estamos conduzidos a isso sem sabermos?
O caminho do meio, o caminho de equilíbrio, o caminho da equiparação entre forças opostas é a ponderação aristotélica e, creio, um dos maiores ensinamentos da humanidade. O diálogo olho a olho, o aperto de mãos diante de conflitos, o saber dizer e ser ouvido são atos que desaparecem.
A recuperação do pensamento humanista, varrido das escolas e da sociedade, mais do que urgente, é a última porta aberta para o mundo.
Carmem Teresa Elias




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