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Barra Mansa,26/05/2026

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    Carmem Teresa Elias

    VIRTUALIDADE

    ARMADILHA DA PÓS- MODERNIDADE


    VIRTUALIDADE

    VIRTUALIDADE:

    ARMADILHA DA PÓS- MODERNIDADE

     Li na página do editor João Scortecci : “ o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman (1925 - 2017), criador do conceito de Modernidade líquida – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso. Zygmunt Bauman escreveu - antes de morrer - sobre as redes sociais: "As redes sociais não ensinam a dialogar porque é muito fácil evitar a controvérsia… Muita gente as usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha".

    Sou admiradora da perspicácia de visão e interpretação de Bauman e, portanto, respondo: Sim, as redes funcionam como  meros espelhos, numa sociedade digital onde pessoas são estimularas  e alimentadas a desenvolveram personalidades narcisistas para conversarem consigo mesmos na ilusão de serem o centro de atenção de mundos. Tão narcisistas são os perfis, que abandonam a realidade para viver a falsa imagem virtual de beleza, fama, sucesso e dependência de aprovação de um suposto público. Vive-se de filtros. Vive-se de avatares. Vive-de da fantasia de si mesmo.

    Enquanto a fantasia com elos com o real constitui uma importante fase para a criança em sua caminhada para a vida adulta, a virtualidade do século XXI supera a sociedade líquida de Bauman e tornou-se uma fantasia patológica para todas as idades, uma vez que afasta o ser da realidade, da verdade e do conhecimento.

    De uma sociedade líquida seguimos para uma sociedade pulverizada!

    A tênue fronteira entre verdade e mentira, em última análise fronteira entre a sanidade e a loucura, sofre constantes ameaças, insistentes, repetitivas e absurdas, num processo de interesses sociais, políticos e financeiros, que favorecem unicamente aos poucos, muito poucos, líderes das redes sociais, cuja meta já  se percebe ser a de incentivar uma disruptura do pensamento humano.

    A destruição da verdade é a etapa mais cruel e degradante  da ignorância como arma de destruição da humanidade.

    Dados da Agência  Brasil afirmam que a quantidade alarmante  de 90% da população brasileira admite já ter acreditado em fake news. Acreditaram ou acreditam sem quaisquer contestações a qualquer absurdo que seja postado nas redes.

    Outro estudo internacional comparou a taxa de aceitação de fake News. Entre 21 países avaliados, os brasileiros foram apontados como a população com maior dificuldade de diferenciar fato, opinião, verdade  e mentira.  

    Além disso, em paralelo traçado entre a população jovem aponta que o uso de redes sociais ocupa 9 horas diárias no Brasil. O efeito é ainda mais assustador :  quase metade destes jovens sofrem distúrbios emocionais e psíquicos, desde ansiedade e depressão até casos graves de perda com a realidade, dependência grave, acesso a criminalidade e vício!

    A Hiperconectividade, o excesso de informações e a desconexão com a realidade afetam drasticamente a saúde mental!

    Ao invés de construir um futuro maravilhoso como a tecnologia anuncia, o que está sendo formado é um processo de destruição do indivíduo, reduzindo-o a um dependente, escravizado pelas máquinas.

    As formas de escravidão mudaram: não é mais física; a escravidão agora é mental.

    Carmem Teresa Elias

    Autora do livro “ Inteligência Artificial Generativa : a nova colônia” ( editora Scortecci)!

     



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