Homicídios de mulheres diminuem no Brasil; feminicídios ficam estáveis


A constatação faz parte do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
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Nos 11 anos analisados, as maiores reduções na taxa de homicídios por 100 mil mulheres foram registradas em Sergipe (-67,2%) e Goiás (-62,5%). Já Roraima e Amazonas apresentaram as maiores taxas: 21,2% e 13,6%, respectivamente.
Feminicídios
Em contrapartida, o índice de mulheres assassinadas no ambiente doméstico manteve-se relativamente estável, variando de 1,25 para 1,18 por grupo de 100 mil. Segundo o Ipea e o FBSP, esse é um forte indicativo de que não houve redução na quantidade de feminicídios.
Em 2024, 3.642 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no país. Com base nos registros policiais, o número de feminicídios alcançou 40,3% do total de homicídios de mulheres no acumulado de 2014 a 2024.
O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, observou que a lei contra o feminicídio começou a vigorar em 2015, e os primeiros anos foram de processo de aprendizado das autoridades policiais.
Até então, os feminicídios eram qualificados como homicídios.
“Uma coisa que não muda é essa estabilidade inaceitável da violência feminicida no Brasil.”
Violência não letal
Por outro lado, 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal no Brasil, com a maior parte dos eventos ocorrendo no ambiente doméstico (187.958), o que representa 64% do total.
A violência não letal tem alta incidência de agressões na residência da vítima (79,9%), além de reincidência significativa: 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde relataram ter sofrido vários episódios de violência no mesmo ano.
Diferença de idade
A violência contra as mulheres é diferente de acordo com a faixa de idade. Entre 0 e 9 anos (51,9%) e a partir dos 70 anos, a forma predominante de violência é a negligência. Para as meninas de 10 a 14 anos, 45,5% de todas as violências reportadas foram casos de violência sexual.
A partir dos 15 anos e até os 69 anos, a violência física é a maior manifestação da violência contra as mulheres, associada com frequência a relações íntimas e acompanhada por diferentes tipos de agressões que costumam acontecer de maneira simultânea.
Mulheres negras
O levantamento confirma que as mulheres negras são as maiores vítimas de violência letal, com taxa 66,7% superior à taxa verificada de 2,4 por 100 mil mulheres entre mulheres não negras, em 2024, o que reafirma o racismo estruturante existente no país.
Quatorze estados brasileiros registraram taxas de homicídio de mulheres negras acima da taxa do país, em 2024.
Estados com maiores taxas:
- Ceará (7,2);
- Pernambuco (6,7);
- Espírito Santo (6,5);
- Roraima (6,3);
- Alagoas (5,9);
- Mato Grosso (5,4).
No sentido inverso, 13 estados mostraram índices inferiores à taxa nacional:
- São Paulo (1,4);
- Sergipe (2,4);
- Distrito Federal (2,5);
- Santa Catarina (2,7);
- Minas Gerais (2,8).
Em 2024, 2.457 mulheres negras foram vítimas de homicídio, o que representa 67,5% do total de crimes contra mulheres naquele ano. Significa taxa de quatro mulheres negras mortas por 100 mil mulheres. Esse resultado corresponde à queda de 9,1% em relação ao ano anterior, constituindo o menor índice registrado nos últimos 11 anos.
Mesmo diante desse cenário, entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios de mulheres negras por 100 mil mulheres caiu de 5,6 para 4, mostrando redução de 28,6%. As quedas mais acentuadas no período ocorreram em Sergipe (70,0%), Goiás (64,2%) e Distrito Federal (55,4%).
Os estados com aumentos mais significativos foram Ceará (56,5%), Piauí (12,5%) e Roraima (8,6%). Apenas o Maranhão apresentou estabilidade na taxa ao longo desses 11 anos.




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