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A notícia da Folha de S.Paulo
Até tu Joaquim? O tamanho da crise interna dentro do Democracia Cristã
A notícia da Folha de S.Paulo
Por JJ
A notícia da [Folha de S.Paulo](https://www1.folha.uol.com.br?utm_source=chatgpt.com) revela muito mais do que uma simples filiação partidária. Ela escancara três fenômenos simultâneos da política brasileira contemporânea: a fragilidade estrutural dos pequenos partidos, a busca desesperada por nomes de impacto eleitoral e a permanência do simbolismo político de Joaquim Barbosa no imaginário nacional.
Primeiro, chama atenção o tamanho da crise interna dentro do Democracia Cristã. O partido vinha apostando na pré candidatura de Aldo Rebelo, um político experiente, nacionalista e conhecido e muito criticado em determinados setores da esquerda e do centro. Que sonha em obter apoio de bolsonaristas que nunca vem. De repente, a direção nacional substitui informalmente esse projeto por um nome muito mais midiático, Joaquim Barbosa, sem construir consenso interno. Isso expõe uma prática comum nos partidos menores: a política deixa de ser construída coletivamente e passa a depender da chegada de uma personalidade que possa gerar visibilidade instantânea.
A reação de Cândido Vaccarezza também é simbólica. Quando ele afirma que Barbosa é “inapoiável” e o acusa de ter iniciado o “lawfare” no Brasil, ele não está apenas criticando o ex ministro. Está fazendo uma leitura histórica do mensalão e da atuação do STF naquele período. Esse discurso dialoga com setores políticos que enxergam o Judiciário como protagonista excessivo da política brasileira nos últimos vinte anos.
Por outro lado, Joaquim Barbosa continua carregando um ativo político poderoso: a imagem de independência, combate à corrupção e ascensão social. Para uma parcela da população, especialmente os eleitores cansados da polarização tradicional entre lulismo e bolsonarismo, ele ainda representa uma figura de autoridade moral. O DC percebe isso e tenta ocupar um espaço de “terceira via ética”, algo que diversos partidos tentam desde 2018 sem muito sucesso.
Mas há um problema estrutural enorme: o DC é um partido pequeno, sem musculatura nacional relevante, pouco tempo de televisão, poucos recursos e baixa capilaridade. Mesmo que Barbosa tenha recall popular, transformar isso em candidatura competitiva exige alianças robustas, estrutura partidária e sustentação política permanente. A própria matéria admite que a legenda aposta em futuras pesquisas para atrair aliados. Isso mostra que o partido ainda trabalha muito mais na lógica da expectativa do que da realidade eleitoral concreta.
Outro ponto importante é que Joaquim Barbosa sempre demonstrou enorme resistência ao jogo político tradicional. Em 2018, chegou a ensaiar candidatura presidencial pelo PSB e desistiu antes da campanha começar. Isso deixou no meio político uma imagem de alguém avesso ao desgaste cotidiano da política partidária. A dúvida agora é justamente essa: ele terá disposição real para enfrentar debates, alianças, ataques, negociações e o ambiente brutal de uma eleição presidencial?
Há ainda uma dimensão simbólica profunda. O Brasil vive um momento de descrença nas instituições e de fadiga política. Nomes vindos do Judiciário passaram a ocupar espaço eleitoral porque parte da sociedade busca figuras vistas como “externas” à política tradicional. Foi assim com Sergio Moro em determinado momento, e agora reaparece com Joaquim Barbosa. Isso revela um paradoxo brasileiro: critica-se a judicialização da política, mas frequentemente se procura no Judiciário uma solução moral para a crise da própria política.
No fundo, a notícia talvez diga menos sobre a força de Joaquim Barbosa e mais sobre a fraqueza do sistema partidário brasileiro. Pequenos partidos vivem permanentemente à procura de um salvador eleitoral capaz de lhes dar relevância nacional instantânea.
E existe um detalhe silencioso, mas importante: a reação dura e imediata dentro do próprio partido indica que a candidatura já nasce conflagrada. Em política, candidaturas podem sobreviver à falta de dinheiro, à falta de estrutura e até à baixa popularidade inicial. O que raramente sobrevivem é à guerra interna permanente.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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