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Barra Mansa,25/10/2026

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    MK - Marcelo Kieling

    A chuva que cai sobre o abismo

    Às 4h13 de 25 de outubro de 2026, a água me acordou.


    A chuva que cai sobre o abismo

    A chuva que cai sobre o abismo

    Às 4h13 de 25 de outubro de 2026, a água me acordou.

    Por Marcelo Kieling

    Acordei também com a certeza de que não vou votar — e com um grande medo de que o país vá votar contra si mesmo.

    A cidadania que me foi negada pela saúde, não pela ditadura

    Uma chuva forte bate na janela e me devolve a ironia do dia: tenho título, tenho convicção, tenho 65 anos de estrada — e não tenho condições de saúde para chegar à minha seção eleitoral no Rio de Janeiro. Hoje, moro em Volta Redonda. Infelizmente, o meu exercício de cidadania estará inteiro numa poltrona, de frente para a TV.

    Não é queixa. É constatação amarga: em 2026, o direito de votar ainda depende de o corpo colaborar. Para milhões de brasileiros, não colabora. E é exatamente esse pessoal que paga a conta mais alta quando a urna elege quem despreza o povo.

    O Brasil tem uma decisão fatal e finge que é rotina

    Hoje o povo brasileiro decide se quer continuar vivendo numa democracia ou se entrega o Estado a uma tirania de vocação fascista. Não há terceira via elegante. Não há "os dois lados". Há uma escolha entre continuar sendo um país ou virar o circo de um dono.

    2018: o dia em que amigos me mostraram a cara

    Eu vi de perto. Vi amigos de décadas embarcarem no movimento da discriminação e da expansão do ódio, com o entusiasmo de quem compra camisa de time. Um golpista sentou na cadeira presidencial e transformou o país no seu picadeiro particular.

    O modelo de gestão era simples e coerente: violência no olhar, discriminação nas palavras, ódio nas atitudes, ganância nas decisões. A morte virou referência de governo. O desprezo absoluto à ciência transformou as ruas em cemitério a céu aberto. Os ataques às mulheres eram teatro diário. O desrespeito a nós, jornalistas, era espetáculo de temporada. E a indiferença morava no sorriso da quadrilha instalada nos ministérios.

    Não satisfeito, o indivíduo tentou se perpetuar no poder pela via do golpe. O Brasil viu. O mundo viu. Metade do Brasil preferiu não ver.

    O herdeiro do condenado agora pede a chave do país

    Hoje esse cenário pode voltar requentado, com mesmo sobrenome e o mesmo método. O filho do condenado quer o poder, e quer pelo caminho mais curto: a fé alheia como trampolim.

    É incompreensível — literalmente incompreensível — alguém que usa Deus como base eleitoral defender o assassino de uma criança de 5 anos, morta a fuzil. É impossível entender quem discursa sobre família e frequenta orgias sexuais patrocinadas com dinheiro público desviado de aposentados. É repugnante quem fala em Pátria e assina contrato para vender o país aos Estados Unidos.

    Três frases, três abismos. E ainda assim há quem aplauda de pé.

    Quando rezaram para um pneu, eu revi a minha vida inteira

    Vi pessoas ajoelhadas, em êxtase, rezando diante de um pneu. Naquele instante, me perguntei para que estudei tanto, para que li tantos livros, para que escrevi centenas de artigos. A resposta veio seca: estudei para não ser esse homem. Li para não repetir esse discurso. Escrevi para que alguém, algum dia, tivesse onde encontrar o contrário.

    Vi igrejas vendendo votos como quem vende indulgência, e entendi de novo — com uma clareza incômoda — por que Jesus foi crucificado. Não foi pelos romanos. Foi pelos que faziam comércio do sagrado.

    E vi o festival de mentiras do senador candidato no último debate: a ofensa às condições físicas do presidente, o deboche, e — no mesmo palanque, no mesmo fôlego — a defesa do assassino de uma criança de 5 anos. Ali encerrei o raciocínio: estamos na beira de um abismo sem fundo, e a corda já está arrebentando.

    Existe uma pandemia em curso. A vacina está na urna

    Que ninguém se engane: há uma epidemia real circulando neste país — o vírus da ideologia do ódio, da indiferença e da discriminação. Ela não se transmite por gotícula. Transmite-se por discurso, por púlpito comprado, por grupo de WhatsApp, por silêncio confortável.

    Contra essa doença, a vacina tem uma dose única e aplicação hoje, em todas as urnas do Brasil. Não há reforço depois. Não há segunda chance barata.

    Esta doença precisa acabar.

    Você pode salvar o Brasil.

    Vote 13. Vote LULA.

    Produzi o conteúdo com a utilização de Ferramentas de IA.


     



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