MK - Marcelo Kieling
O Brasil como Refém:
O projeto de vingança que quer enterrar a democracia com as próprias mãos do eleitor
O Brasil como Refém:
O projeto de vingança que quer enterrar a democracia com as próprias mãos do eleitor
Por Marcelo Kieling
A política brasileira não está apenas doente — está sendo desfigurada em praça pública, com a conivência de quem prefere chamar de "polarização" o que é, na verdade, um assalto à razão. O propósito originário da política, o debate sobre o bem comum e o desenvolvimento da sociedade, foi sequestrado e substituído por um espetáculo de rancor. Quando se escancaram os discursos e as articulações da extrema-direita sob o comando do clã Bolsonaro, a conclusão é brutal e inescapável: ali não há pauta de construção nacional, não há projeto republicano, não há sequer a decência de um programa de governo minimamente crível. O que se desenha no horizonte, sob a batuta de figuras como Flávio Bolsonaro, não é um plano de governo: é um projeto de vingança. E vingança, ao contrário do que seus arautos gostariam de fazer crer, não é política. É a falência da política.
Opinião: o jogo já não é mais dissimulado
Quem ainda duvida da natureza desse projeto está, no mínimo, sendo conivente. A extrema-direita brasileira não esconde mais nada: quer o poder não para governar, mas para punir. Punir os juízes que ousaram aplicar a lei, punir a imprensa que ousou informar, punir o eleitor que ousou discordar. É o ressentimento elevado à condição de política de Estado — uma vingança fria, calculada e serial, que troca o futuro da nação por uma conta pessoal a acertar. E o mais grave: há quem chame isso de "alternância democrática", como se vingança e democracia pudessem habitar o mesmo vocabulário. Não podem. Quem não enxerga essa diferença está, conscientemente ou não, ajudando a cavar a própria cova.
Governo ou retaliação? A linha que separa um país de um presídio a céu aberto
A distinção entre governo e vingança é a fronteira que separa uma nação de um presídio a céu aberto. Projetos de governo exigem visão de longo prazo, pacificação social, investimentos em infraestrutura, redução de desigualdades e fortalecimento das instituições democráticas. O que se observa é o exato oposto: a instrumentalização do Estado como trincheira de revanche contra o Estado Democrático de Direito, contra o Poder Judiciário e contra todos os que tiveram a coragem de frear os ímpetos autoritários do passado recente. Não é reforma; é retaliação travestida de governo.
Memória não é vingança: é consciência
Nesse tabuleiro, o passado não é evocado como lição, mas como combustível para o ressentimento. E aqui é preciso ser cirúrgico: memória não é vingança; memória é consciência. Hoje, desfrutamos de uma liberdade democrática conquistada a duras penas, depois de anos de testes severos de resistência institucional. Mas a história recente nos ensina que a democracia não é um dado irrevogável — é uma conquista diária, que exige vigilância permanente. Se falharmos na vigilância cívica, 2027 poderá nos reencontrar nas trincheiras, obrigados a lutar novamente pelo resgate básico do Brasil.
Votar sem consciência é assinar a própria sentença
O risco eleitoral e político que se avizinha não representa apenas uma alternância comum de poder. Trata-se de uma ameaça existencial aos direitos fundamentais. Votar sem consciência democrática, sem o senso imperativo de defesa da soberania e dos direitos humanos, significa abrir a porta para a legitimação institucional do machismo, da homofobia, do racismo, dos ataques à diversidade religiosa e da submissão subserviente da política nacional. Quem vota no ódio não está escolhendo um governo: está escolhendo o próprio algoz.
O preço da rendição: a quase-colônia
Se esse cenário se consolidar, o que restará não será um Estado soberano, mas a ruína de uma nação. O Brasil correria o risco de abdicar de seu destino pátrio para reverter a uma condição de quase-colônia — não mais nos moldes do século XIX, mas na forma de uma submissão total e irrestrita aos caprichos do capital financeiro internacional e de interesses geopolíticos subalternos. O sentimento coletivo de nação, o orgulho da soberania e a proteção dos mais vulneráveis seriam sumariamente abandonados em troca de um projeto de poder excludente e personalista.
A encruzilhada está posta
O voto em 2026 não será apenas uma escolha partidária; será um plebiscito sobre se queremos avançar como uma nação livre, soberana e plural, ou se permitiremos que o rancor e a vingança destruam o futuro do país. Memória, consciência e voto democrático são as nossas únicas e definitivas armas. Que ninguém se iluda: quem não as empunha, entrega-as ao adversário.
O Brasil não morre de golpe — morre de silêncio. Enquanto houver um voto de pé, uma memória viva e um cidadão que não se ajoelha, este país continua vivo. Levanta. Lembra. Defende.Vota.
Vote 13! Vote Lula!
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