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Barra Mansa,02/10/2026

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    MK - Marcelo Kieling

    O Velório do Circo de Chocolate:

    Quando a Globo mostrou a cara — e a cara não era bonita


    O Velório do Circo de Chocolate:

    O Velório do Circo de Chocolate:

    Quando a Globo mostrou a cara — e a cara não era bonita

    Por Marcelo Kieling

    O palco do circo desabou antes do primeiro bloco. E ninguém no platinó teve coragem de admitir quem apertou o botão de detonação.

    Cazuza gritou "Brasil, mostra tua cara" para um país que ainda tentava se reconhecer no espelho. Quase quatro décadas depois, nesta quinta-feira, foi a Globo que mostrou a sua — e o retrato saiu tremido, suado e sem maquiagem. Não foi uma imagem. Foi uma radiografia.

    O colapso em câmera lenta

    Andréia Sadi parecia articulando as palavras como quem luta contra um entalamento. Merval Pereira gaguejava ao disparar contra o ministro Flávio Dino, acusando-o de servir ao palácio do Planalto com um zelo que não se via em nenhuma outra pauta. Malu Gaspar, com o ódio mal disfarçado nos olhos, chegou perto de morder o microfone ao atacar os tribunais superiores. Três profissionais de peso, três performances de nervosismo à flor da pele. Coincidência? No jornalismo, coincidência sincronizada tem nome: linha editorial.

    A bomba que ninguém calculou

    O debate estava desenhado. Com Lula fora do palco, o roteiro era óbvio: mirar Flávio Bolsonaro, transformar o senador no alvo da noite, alimentar a narrativa que interessava aos financiadores do espetáculo. O problema é que ninguém contou com Renan Santos.

    A entrada de Renan no debate foi menos uma participação e mais uma implosão controlada. A "bomba atômica" que ele carregava tinha endereço certo: Flávio Bolsonaro. E o senador, que conhece bem a própria resistência a confrontos públicos, não pensou duas vezes. Fugiu. E quando o candidato foge, o palco desaba junto.

    A desculpa jurídica e a verdade nua

    A justificativa jurídica para o cancelamento é concebível — do ponto de vista formal, até elegante. Mas ninguém engole que um debate inteiro morre porque um candidato sentiu o cheiro de pólvora. A desistência de Flávio Bolsonaro transformou o que seria um fuzilamento dirigido em um cancelamento constrangedor. E a pergunta que fica não é se o debate era possível — era —, mas por que a Globo preferiu enterrar o evento a entregar o espetáculo que havia planejado.

    Some-se a isso as informações que circulam sobre pressão do governo americano sobre a direção do Grupo Globo para apoiar a candidatura do senador do PL — se confirmadas, o quadro deixa de ser viés e vira engenharia eleitoral com sotaque estrangeiro.

    O passado como profecia

    Desta vez, Flávio Bolsonaro não mentiu. Apenas fugiu. Quem acompanha a trajetória do senador lembra do episódio em que, diante de um debate, o corpo disse o que a boca não aguentou: mal-estar, desmaio, retirada. Desta vez, com denúncias novas publicadas e pesquisas desfavoráveis, o cálculo foi diferente. Desmaiar era pouco. O risco era entrar em coma eleitoral — e coma eleitoral não tem ambulância que reverta.

    Minha visão sobre o contexto

    Independentemente do lado em que cada um se posicione, o que este episódio expõe é algo maior que a disputa em si: a fragilidade do filtro entre a agenda editorial das grandes casas de comunicação e o interesse público. Quando um debate morre não por regra técnica, mas porque o roteiro saiu do controle, o espectador não perde um programa — perde a ilusão de que assiste a um confronto de ideias. E uma democracia que se informa por palcos previamente roteirizados não discute futuro: assiste a novelas com data de validade eleitoral. O mérito de Renan Santos, neste episódio, não foi o conteúdo do ataque — foi obrigar o cenário a mostrar as costuras.

    O que restou no chão do circo

    A população brasileira viu, em uma única noite, o interesse da Globo nas eleições despirado de neutralidade. Renan Santos pode ter determinado o resultado da disputa ao demonstrar que postura política não se ensaia — se executa. E o velório do debate, com coroa de flores patrocinada, ficará como o retrato de uma emissora que mostrou a cara. A cara de quem roteiriza, escolhe alvos e foge do próprio espetáculo quando o roteiro falha.

    O Brasil mostrou a cara primeiro, Cazuza. A Globo só demorou mais para admitir.

    Produzi o conteúdo com a utilização de Ferramentas de IA.  



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