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Barra Mansa,29/09/2026

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    Nilo Geronimo Borgna

    Nossa Senhora, Flavio.

    Fato ou Boato


    Nossa Senhora, Flavio.

    Nossa Senhora, Flavio. Fato ou Boato

    Por Nilo Geronimo Borgna

    Vamos aos fatos

    Em 12 de outubro de 1995, o bispo Sérgio Von Helder, no programa matutino Despertar da Fé, da TV Record, da Igreja Universal do Reino de Deus, deu um chute na imagem de Nossa Senhora Aparecida. O episódio, que ficou conhecido como o "chute na santa", marcou o país e jamais foi completamente digerido pela imprensa brasileira.

    A Universal na política

    Sabemos que a Universal já tem bancada na política. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) possui forte atuação e representação na política institucional brasileira, integrando a chamada bancada evangélica no Congresso Nacional e mantendo forte influência em partidos políticos.

    O Partido Republicanos, embora mantenha pluralidade de membros e rejeite subordinação direta, tem profundas raízes históricas com a Igreja Universal: é presidido pelo bispo licenciado da igreja Marcos Pereira e abriga diversas lideranças ligadas à instituição.

    A Universal compõe, junto com denominações como a Assembleia de Deus e a Igreja Batista, o grosso dos parlamentares evangélicos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, atuando tanto de forma autônoma quanto articulada na Frente Parlamentar Evangélica (FPE). A inserção sistemática da igreja na política eleitoral se intensificou no final dos anos 1980 e na década de 1990, impulsionada por pautas corporativas — como a defesa das concessões de meios de comunicação, entre elas a Record — e, mais recentemente, alinhada a pautas conservadoras de direita.

    O verdadeiro projeto de lei

    Vamos a outra questão. O projeto de lei que gerou polêmica sobre o título de Padroeira do Brasil foi criado pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época filiado ao PMDB de Mato Grosso.

    Diferente do que sugerem boatos e desinformações recentes nas redes sociais, não existe hoje um projeto de lei tramitando para instituir Jesus Cristo como "Padroeiro do Brasil". O que de fato aconteceu envolve os seguintes pontos:

    O verdadeiro projeto (PL 2.623/2007): apresentado por Victório Galli em dezembro de 2007, o projeto propunha alterar a Lei nº 6.802/1980 — que define o feriado de 12 de outubro — para substituir o termo "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O argumento do autor era baseado na laicidade do Estado: o país não deveria ter um padroeiro oficial de uma religião específica.

    O fim da tramitação: a proposta foi rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e arquivada definitivamente em agosto de 2008, não possuindo nenhuma validade jurídica ou tramitação atual.

    O retorno do tema em 2026: o assunto voltou à tona na campanha eleitoral de 2026, após uma associação errônea ligando o antigo texto ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A confusão se espalhou porque o senador afirmou em discursos que, se eleito, pretendia declarar de forma simbólica que "o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo". No entanto, o parlamentar negou categoricamente a autoria ou a intenção de propor qualquer lei para retirar o título oficial de Nossa Senhora Aparecida.

    A ligação que não é coincidência

    A história voltou a circular — e vale prestar atenção. Embora Flávio Bolsonaro não tenha qualquer relação com o projeto antigo (o que foi inclusive reconhecido por retratações da imprensa e decisões do TSE), Victório Galli é um aliado político histórico da família Bolsonaro. Ele atuou como assessor especial na Presidência durante o governo de Jair Bolsonaro e manifestou apoio público à campanha de Flávio.

    Galli fez parte do governo de Jair Bolsonaro, tendo atuado em 2019 como assessor especial da Presidência da República, com a função principal de auxiliar na articulação política do governo federal junto ao Poder Legislativo. A ligação entre o ex-deputado federal Professor Victório Galli (erroneamente chamado de "Vitória Galli" por alguns internautas) e o senador Flávio Bolsonaro é, portanto, de alinhamento político e proximidade ideológica.

    Victório Galli está filiado ao partido Progressistas (PP) e concorre ao cargo de deputado federal pelo estado de Mato Grosso nas eleições de 2026.

    A conclusão que a mídia não pauta

    Não é de todo absurdo, portanto, observar que não se trata de pura mentira levantar a hipótese de que Flávio possa querer retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira para substituí-la por outro símbolo religioso. Afinal, o pai já havia aventado essa hipótese em outra era.

    O que me admira é que esse levantamento, que eu mesmo fiz, não seja pauta em nenhum programa da mídia jornalística dominante.

    Por que será?

    Nilo Geronimo Borgna é um profissional com trajetória marcada pela atuação nas áreas de Direitos Humanos, Saúde Pública e Comunicação Digital.




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