Moisés Laureano de Santana
O Brasil em Jogo:
Cinco Prioridades que Deveriam Definir o Voto em 2026
O Brasil em Jogo: Cinco Prioridades que Deveriam Definir o Voto em 2026
Por Moisés Laureano de Santana
Entre promessas eleitorais, polarização e urgências sociais, a eleição de 2026 deveria ser também uma escolha sobre resultados, responsabilidade e o futuro que o país pretende construir.
1. Introdução: Uma eleição maior do que os candidatos
Toda eleição presidencial costuma ser apresentada como uma disputa entre nomes. Em 2026, entretanto, talvez seja mais importante olhar para aquilo que está por trás dos nomes.
O Brasil chega às urnas diante de uma combinação particularmente complexa: uma economia que precisa conciliar crescimento e estabilidade, um sistema de saúde pressionado pela demanda, uma educação que ainda convive com profundas desigualdades de aprendizagem, uma segurança pública marcada por avanços e contradições e uma transformação tecnológica que começa a alterar a relação entre trabalho, produtividade e qualificação profissional.
O primeiro turno das eleições gerais será realizado em 4 de outubro. Em caso de segundo turno para presidente ou governador, a votação ocorrerá em 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A pergunta, portanto, não deveria ser apenas quem vencerá. Deveria ser: quais problemas o próximo governo terá condições de enfrentar e quais compromissos o eleitor deveria cobrar de quem receber seu voto?
É nesse ponto que cinco prioridades ganham importância: economia e responsabilidade fiscal; saúde; educação; segurança pública; e trabalho, produtividade e inteligência artificial.
Não porque sejam os únicos temas relevantes, mas porque atravessam diretamente a vida cotidiana e condicionam boa parte da capacidade do Estado de enfrentar os demais problemas.
Mais do que escolher cinco promessas, trata-se de estabelecer cinco critérios de cobrança.
2. Economia: o país precisa crescer sem hipotecar o futuro
A economia começa no supermercado, no aluguel, na conta de luz, na prestação da casa, no emprego e na renda familiar.
Por isso, números macroeconômicos só fazem sentido quando traduzidos para a vida real.
O IPCA de junho de 2026 registrou alta de 0,16%. No acumulado do primeiro semestre, a inflação chegou a 3,36% e, em 12 meses, a 4,64%. O resultado mostra uma desaceleração em relação ao mês anterior, mas também lembra que inflação não desaparece simplesmente porque sua velocidade diminuiu.
No mercado de trabalho, a fotografia também é ambígua.
A taxa de desocupação foi de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, abaixo dos 7% registrados um ano antes, mas acima dos 5,1% do trimestre anterior. A diferença entre grupos continua significativa: a desocupação foi de 7,3% entre mulheres e 5,1% entre homens. Entre pessoas com ensino médio incompleto, chegou a 10,8%; entre aquelas com ensino superior completo, ficou em 3,7%.
Ou seja: não basta perguntar quantos empregos existem.
É preciso perguntar que empregos são esses, quem consegue acessá-los, quanto pagam e qual produtividade geram.
Há ainda o problema fiscal.
Em maio de 2026, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões. Em 12 meses, o déficit acumulado alcançou R$ 149 bilhões, equivalente a 1,14% do PIB. No mesmo período, os juros nominais somaram R$ 1,111 trilhão, ou 8,48% do PIB.
Esses números não determinam, sozinhos, qual política econômica deve ser adotada. Mas impõem uma realidade incontornável: governo também escolhe o que não pode gastar.
Toda política pública tem custo. Toda renúncia fiscal tem custo. Todo subsídio tem custo. Todo programa permanente precisa de financiamento permanente.
É por isso que uma das perguntas mais importantes da eleição deveria ser: qual é o custo da promessa?
Não basta anunciar aumento de investimento, redução de impostos, expansão de benefícios ou novas obras. O eleitor tem o direito de saber de onde virão os recursos, qual será o impacto sobre as contas públicas, qual resultado se espera e como esse resultado será medido.
Responsabilidade fiscal não deveria ser sinônimo de austeridade cega. Assim como investimento público não deveria ser sinônimo de gasto sem avaliação.
O verdadeiro desafio é mais sofisticado: gastar melhor, investir melhor e preservar a capacidade do Estado de agir amanhã.
3. Saúde: entre o direito constitucional e a experiência de quem espera
Existe uma diferença enorme entre ter direito à saúde e conseguir atendimento no momento em que se precisa dele.
Para quem espera por uma consulta especializada, um exame ou uma cirurgia, a discussão sobre o sistema público deixa de ser abstrata. Ela passa a ter rosto, ansiedade, dor e, em alguns casos, consequências irreversíveis.
O SUS é uma das maiores políticas públicas do país e atende milhões de brasileiros todos os dias. O problema não é apenas sua existência ou seu financiamento. É também sua capacidade de organizar demanda, profissionais, equipamentos, regulação e recursos em um território de dimensões continentais.
Em 2026, o programa Agora Tem Especialistas continua entre as principais iniciativas federais voltadas à redução das esperas por consultas, exames e cirurgias especializadas. O Ministério da Saúde informa que o programa combina mutirões, unidades móveis, telessaúde, ampliação da oferta e mecanismos de integração da rede.
O próprio governo informa que, em 2025, foram realizados 43,7 milhões de exames e que houve aumento de 26% no número de exames e consultas especializadas entre 2022 e 2025, além de mais de 127 mil cirurgias, consultas e exames realizados em mutirões.
Esses resultados merecem ser considerados — mas também precisam ser auditados e comparados com a dimensão da demanda.
O debate eleitoral deveria ir além da quantidade de procedimentos anunciados.
Quanto tempo o cidadão espera?
Quantas pessoas abandonam o tratamento?
Quais regiões concentram os maiores vazios assistenciais?
Quanto custa uma fila prolongada ao próprio sistema?
Quais doenças poderiam ser evitadas com prevenção e atenção básica mais eficiente?
Uma política de saúde madura precisa olhar para hospitais, mas também para vacinação, saneamento, saúde mental, atenção primária, doenças crônicas, primeira infância, envelhecimento populacional, prevenção do câncer e formação de profissionais.
O desafio é transformar o SUS de uma estrutura que frequentemente reage à doença em uma rede capaz de antecipá-la.
Porque o melhor atendimento não é necessariamente aquele que trata mais pessoas depois que adoecem.
É aquele que consegue evitar que tantas pessoas cheguem à doença grave.
4. Educação: a prioridade cujo resultado aparece quando a eleição já acabou
Existe uma injustiça temporal na política: obras podem ser inauguradas durante um mandato; educação de qualidade exige anos para produzir seus efeitos.
Talvez seja justamente por isso que a educação seja tão importante — e tão frequentemente subestimada nas campanhas.
O Brasil possui instrumentos para medir a aprendizagem. O Saeb, coordenado pelo Inep, produz indicadores sobre qualidade, equidade e eficiência da educação e seus resultados são utilizados, juntamente com informações do Censo Escolar, na composição do Ideb.
Isso permite que a discussão saia do território das impressões.
Não basta dizer que determinada escola recebeu computador. É preciso saber se os estudantes aprenderam mais.
Não basta inaugurar uma escola. É preciso saber se crianças estão alfabetizadas na idade adequada.
Não basta contratar professores. É preciso criar condições para que bons profissionais permaneçam na carreira, tenham formação continuada e trabalhem em ambientes capazes de favorecer a aprendizagem.
O Censo Escolar e o Saeb também mostram por que a política educacional precisa ser coordenada entre União, estados e municípios. A educação básica não é responsabilidade de um único nível de governo.
O desafio é ainda maior porque o Brasil está educando crianças e jovens para um mercado de trabalho que será diferente daquele que conhecemos.
Matemática, leitura, ciência, pensamento crítico, capacidade digital e resolução de problemas ganharão importância crescente.
E existe uma questão que deveria incomodar qualquer candidato: como preparar um jovem para uma economia que está mudando mais rápido do que o currículo escolar?
A resposta não está em substituir professor por tecnologia.
Está em usar tecnologia para ampliar a capacidade do professor e, ao mesmo tempo, garantir que o aluno desenvolva competências que máquinas não substituem facilmente: raciocínio, criatividade, comunicação, julgamento, colaboração e capacidade de aprender continuamente.
A eleição de 2026 deveria cobrar metas educacionais que possam ser verificadas.
Porque uma criança que não aprende hoje não pode esperar quatro anos pela próxima promessa.
5. Segurança pública: quando os números melhoram, mas o problema não desaparece
Segurança é um daqueles temas em que a percepção individual e as estatísticas podem produzir leituras diferentes da realidade.
O cidadão pode sentir medo mesmo quando determinados indicadores nacionais melhoram. E um país pode registrar queda dos homicídios e, simultaneamente, enfrentar aumento de outras formas de violência.
Os dados mais recentes ilustram essa complexidade.
A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, redução de 8,2% em relação a 2024. A taxa caiu para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Seria um erro ignorar essa melhora.
Mas seria igualmente errado concluir que o problema está resolvido.
O mesmo levantamento aponta aumento de 4% nos feminicídios, que chegaram a 1.571 vítimas em 2025, além de crescimento das mortes decorrentes de intervenções policiais.
Sete unidades da Federação registraram aumento das mortes violentas intencionais em 2025, mostrando que a média nacional não representa igualmente todos os territórios.
Esse é um ponto essencial para o debate eleitoral: uma política nacional precisa enxergar as diferenças regionais.
O Brasil não possui uma única realidade criminal.
Há estados e municípios com problemas de homicídios, outros enfrentam violência doméstica, outros convivem com expansão do crime organizado, roubos, crimes patrimoniais, violência sexual ou delitos digitais.
A resposta também não pode ser única.
Segurança exige inteligência, investigação, integração entre polícias, prevenção, tecnologia, combate ao crime organizado, controle de fronteiras, sistema prisional, proteção às vítimas e capacidade de produzir dados confiáveis.
O debate deveria abandonar a falsa escolha entre “ser duro” e “ser brando”.
A pergunta mais importante é outra:
qual política reduz o crime de maneira comprovável?
Se determinada estratégia funciona, deve ser preservada independentemente de quem a criou.
Se não funciona, deve ser corrigida, mesmo que tenha sido uma bandeira eleitoralmente conveniente.
Segurança pública é séria demais para ser tratada como espetáculo.
6. Trabalho e inteligência artificial: o futuro não vai esperar o resultado das urnas
Talvez o maior desafio da próxima década seja aquele que ainda não ocupa espaço proporcional ao seu tamanho no debate eleitoral: a transformação do trabalho pela inteligência artificial.
A discussão não deveria ser reduzida à pergunta “a IA vai acabar com empregos?”.
A Organização Internacional do Trabalho alerta que indicadores de exposição à inteligência artificial não devem ser confundidos automaticamente com previsões de perda de postos de trabalho. A tecnologia pode substituir determinadas tarefas, transformar ocupações e criar novas funções.
A OCDE, em estudo publicado em julho de 2026, destaca que a inteligência artificial já está produzindo oportunidades e riscos para trabalhadores e empresas e que políticas públicas precisam lidar com automação, produtividade, qualificação, inclusão, privacidade, não discriminação, transparência e responsabilidade.
O Brasil precisa entrar nessa discussão antes que a transformação aconteça por completo.
Isso significa investir em educação básica, formação técnica, requalificação profissional, pesquisa, inovação, infraestrutura digital e ambiente favorável ao empreendedorismo.
Mas significa também discutir proteção social.
O trabalhador que perde uma ocupação porque determinada tarefa foi automatizada não precisa necessariamente de uma política que preserve eternamente o emprego antigo. Precisa de condições para adquirir novas competências e encontrar espaço em uma economia em transformação.
A questão central não é impedir a tecnologia.
É impedir que a tecnologia aumente ainda mais a distância entre quem consegue acompanhar a mudança e quem fica para trás.
O Brasil tem uma oportunidade histórica.
Pode usar a inteligência artificial para melhorar serviços públicos, reduzir burocracia, aumentar produtividade, apoiar diagnósticos, aperfeiçoar educação e criar novas empresas.
Ou pode permanecer apenas como consumidor de tecnologias produzidas em outros países.
A pergunta para 2026 é inevitável:
o Brasil quer apenas importar a próxima revolução tecnológica ou pretende participar dela?
7. O ponto em comum: gestão
As cinco prioridades parecem diferentes, mas existe uma palavra capaz de conectá-las: gestão.
Não basta ter dinheiro. É preciso saber onde aplicá-lo.
Não basta ter programas. É preciso executá-los.
Não basta executar. É preciso medir.
Não basta medir. É preciso corrigir.
E não basta corrigir. É preciso ter continuidade.
O Brasil sofre, em muitos campos, menos de ausência absoluta de políticas do que de problemas de coordenação, execução, avaliação e continuidade.
Um governo pode criar uma boa política. O governo seguinte pode aperfeiçoá-la. Outro pode substituí-la.
Isso faz parte da democracia.
O que não deveria fazer parte da política pública é abandonar aquilo que comprovadamente funciona apenas porque foi criado pelo adversário.
O interesse público deveria estar acima da autoria eleitoral.
8. O teste das cinco perguntas
Há uma maneira simples de transformar a eleição em uma discussão mais qualificada.
Diante de cada promessa, o eleitor poderia fazer cinco perguntas:
Quanto custa?
Quem paga?
Quem executa?
Em quanto tempo produz resultado?
Como saberemos se funcionou?
Essas perguntas são simples, mas têm força suficiente para desmontar boa parte da retórica eleitoral.
Também obrigam candidatos a sair do terreno confortável das generalidades.
Dizer “vou melhorar a saúde” não é um plano.
Dizer “vou melhorar a educação” não é uma meta.
Dizer “vou combater a violência” não é uma estratégia.
Dizer “vou criar empregos” não explica como.
Dizer “vou desenvolver inteligência artificial” não esclarece onde estão os investimentos, os profissionais, a infraestrutura e as empresas capazes de transformar a intenção em resultado.
A política começa com valores e escolhas. Mas o governo precisa terminar em execução.
9. O papel do jornalismo: separar promessa de evidência
Uma eleição democrática também é um teste para o jornalismo.
A imprensa não deve funcionar como departamento de comunicação de partidos, governos ou candidatos.
Seu papel é mais difícil: confrontar.
Confrontar declarações com dados. Promessas com experiências anteriores. Números com metodologia. Discursos com resultados.
Isso significa também evitar o erro de transformar qualquer estatística em verdade absoluta.
Dados precisam de contexto.
Uma queda nacional pode esconder aumento regional. Um crescimento do emprego pode conviver com informalidade. Um aumento do gasto em saúde pode não significar melhoria do atendimento. Uma redução da criminalidade pode coexistir com aumento de determinado tipo de violência.
É nessa zona de complexidade que o jornalismo político exerce sua função mais importante.
Não dizer ao cidadão o que pensar.
Mas oferecer elementos suficientes para que ele pense melhor.
10. O eleitor diante de uma escolha que não termina na urna
O voto costuma ser imaginado como o ponto final da participação política.
Não é.
É o começo da cobrança.
Quem receber um mandato deverá prestar contas sobre aquilo que prometeu, mas também sobre aquilo que fez.
Por isso, o eleitor de 2026 não deveria avaliar apenas discursos. Deveria observar histórico, coerência, capacidade administrativa, propostas, fontes de financiamento, equipes, metas e mecanismos de avaliação.
Não existe candidato perfeito.
Não existe programa sem custos.
Não existe governo capaz de resolver todos os problemas simultaneamente.
Existe, porém, uma diferença enorme entre uma proposta difícil e uma promessa impossível.
E essa diferença precisa aparecer no debate público.
11. Conclusão: antes de escolher um nome, o país precisa discutir um rumo
O Brasil em 2026 não estará apenas escolhendo ocupantes de cargos públicos.
Estará escolhendo prioridades.
A economia determinará parte da capacidade financeira do Estado e das famílias.
A saúde revelará a capacidade de transformar um direito constitucional em atendimento efetivo.
A educação definirá uma parcela importante da produtividade e das oportunidades das próximas gerações.
A segurança mostrará se o Estado consegue proteger vidas e enfrentar organizações criminosas sem abandonar direitos e instituições.
E a inteligência artificial colocará diante do país uma decisão histórica: adaptar-se à transformação tecnológica ou correr o risco de ser deixado para trás.
Nenhum desses problemas será resolvido por um único mandato.
Nenhum pertence exclusivamente a um partido.
Nenhum possui uma solução simples.
Talvez seja exatamente essa a razão para que estejam no centro da eleição.
Em vez de perguntar apenas quem promete mais, o Brasil poderia perguntar quem apresenta diagnósticos mais consistentes, metas verificáveis e capacidade de execução.
Em vez de perguntar apenas quem vencerá, deveria perguntar o que será cobrado de quem vencer.
Em vez de transformar a política em uma guerra permanente entre torcidas, poderia transformá-la em uma disputa entre projetos, resultados e visões de futuro.
A democracia não exige unanimidade.
Exige escolha.
Mas uma escolha informada é mais poderosa do que uma escolha baseada apenas em emoção.
No dia 4 de outubro, cada eleitor terá diante de si uma urna.
Antes disso, porém, o país terá diante de si uma pergunta muito maior:
que Brasil queremos construir — e quais resultados estamos dispostos a exigir de quem receber nosso voto?
Essa talvez seja a questão que realmente esteja em jogo em 2026.
Fontes e referências para publicação
• Tribunal Superior Eleitoral — Eleições 2026 e calendário eleitoral
• IBGE — IPCA de junho de 2026
• IBGE — PNAD Contínua e mercado de trabalho
• Banco Central — Estatísticas fiscais
• Inep — Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)
• Inep — Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)
• Ministério da Saúde — Programa Agora Tem Especialistas
• OCDE — Recent policy developments on AI in the labour market, 2026
Nota editorial: os dados econômicos e sociais acima são apresentados com suas respectivas datas de referência. Isso é importante porque indicadores de inflação, emprego e finanças públicas mudam continuamente durante o ano eleitoral. A análise sobre segurança utiliza os dados de 2025 divulgados em 2026, que são a referência mais recente consolidada localizada para esse indicador.
Moisés Laureano de Santana é advogado, pós-graduado em Direito Público, Tributário e Eleitoral, com ampla e sólida experiência na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, atuando em diversos cargos de direção e chefia em instituições governamentais




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