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Barra Mansa,30/08/2026

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    Carlo Simi

    Quando a solução vira ameaça:

    Um alerta aos mais jovens


    Quando a solução vira ameaça:

    Quando a solução vira ameaça: um alerta aos mais jovens

    Por Carlo Simi

    Há discursos que se vendem como coragem e são, na verdade, ameaça disfarçada. Tenho acompanhado com preocupação crescente a forma como certos candidatos conquistam espaço entre os jovens eleitores, não pela consistência das propostas, mas pela violência da retórica. É desse fenômeno que quero falar aqui, porque ele não é passageiro nem inofensivo.

    Renan dos Santos, do partido Missão, construiu um discurso que se apresenta como solução definitiva para a pobreza, para a criminalidade, para tudo. Fala com veemência, projeta segurança, promete o fim dos problemas do país com uma dureza que soa, para muitos ouvidos jovens e desacostumados ao debate histórico, como firmeza. Mas é preciso separar firmeza de exterminismo.

    E o que se ouve, quando se presta atenção ao conteúdo e não apenas ao tom, é exterminismo. Prometer "matar quem roubar" não é política pública, é convite ao linchamento institucionalizado. E a pergunta que ninguém faz, porque o discurso não deixa espaço para perguntas, é: matar quem, exatamente? O grande empresário que desvia dinheiro público? O produtor rural que sonega impostos em escala industrial? Ou, como a história já mostrou repetidas vezes, o pobre que fez uma ligação clandestina de água ou de energia porque não tinha outra saída, o jovem de comunidade que vive sob o jugo de uma estrutura armada que não escolheu?

    Quando um candidato fala em acabar com a pobreza acabando com os pobres, ele não está inventando nada novo. A sociologia estuda esse mecanismo há décadas: remoção de populações pobres para longe dos centros, controle territorial por meio da força policial, o braço armado do Estado como instrumento de extermínio e não de proteção. Mussolini fez isso. E o que ouvimos hoje, em determinados discursos, não fica atrás, chega a ser mais explícito, mais cru, mais parecido com um chamado direto à eliminação do que com um projeto de segurança pública.

    É aqui que quero falar diretamente com os mais jovens. Vocês estão sendo o alvo preferencial desse tipo de discurso, e não por acaso. A ausência de referências históricas sólidas, a alienação em relação ao que já aconteceu no mundo quando líderes prometeram soluções fáceis para problemas complexos, tudo isso cria terreno fértil para que promessas de extermínio sejam recebidas como promessas de ordem. Não são a mesma coisa. Ordem se constrói com Estado presente, com política pública, com investimento em educação e oportunidade. Extermínio se constrói com fuzil, com desprezo pela vida do outro e com a ideia perigosa de que existe gente que "merece morrer".

    Não é exagero comparar esse tipo de fala com os primórdios de projetos totalitários do século passado. A diferença incômoda é que aqueles projetos começaram de forma mais comedida e foram se radicalizando aos poucos. Aqui, o ponto de partida já é o extremo. Vale a perguntaque fica no ar: se o discurso já nasce nesse nível, o que ele se torna quando chega ao poder?

    Não escrevo isso para atacar quem apoia esse ou aquele candidato. Escrevo porque tenho a obrigação, depois de décadas de vida pública e de sala de aula, de alertar quem está formando sua consciência política agora. Radicalismo que promete matar em nome da ordem não é solução, é o problema mais antigo da história recorrendo a uma nova embalagem. Fiquem atentos ao conteúdo, não apenas ao tom de voz.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.


     



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