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Barra Mansa,14/07/2026

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    MK - Marcelo Kieling

    Um gênio da comunicação: Sidney Rezende.

    Uma conversa direta sobre curadoria, ética e o futuro da notícia:


    Um gênio da comunicação: Sidney Rezende.

    Um gênio da comunicação: Sidney Rezende

    Uma aula sobre a mídia!

    Por Marcelo Kieling

    A informação nunca viajou tão rápido, mas a disputa pela verdade nunca foi tão acirrada. De um lado, o jornalismo profissional busca reafirmar sua relevância e encontrar novos modelos de sustentabilidade; do outro, o avanço implacável das redes sociais, onde algoritmos frequentemente privilegiam o choque e o engajamento em detrimento do fato. Para entender os bastidores desse conflito e os caminhos para a comunicação no Brasil, apresento hoje uma entrevista com o jornalista Sidney Rezende. Com mais de 40 anos de carreira, Sidney ajudou a fundar a CBN e a GloboNews, tem passagens marcantes pela CNN Brasil, SBT e Rádio Nacional, e hoje além de atuar na Super Rádio Tupi, lidera seus próprios projetos digitais. Uma conversa direta sobre curadoria, ética e o futuro da notícia:

    O Editor vs. O Algoritmo 

    Sidney, você esteve na fundação de canais de notícias hard news como a GloboNews e a CBN, onde a curadoria era estritamente humana e editorial. Hoje, quem decide o que o público consome é o algoritmo das big techs. Como o jornalismo profissional pode retomar o controle da curadoria sem perder a escala de distribuição que as redes oferecem? 

    Sidney Rezende: Durante séculos a nossa cultura viveu a realidade da imprensa de Gutemberg e o fim gradativo dos pergaminhos. Somos uma geração com cultura fincada nos meios impressos principalmente livros, jornais e revistas. Com a velocidade tecnológica, o passado está sendo substituído pela estrutura digital. Breve viveremos um platô, um período de acomodação. O interessante é que a humanidade gestou a IA e com ela novos rumos. O jornalismo profissional como conhecemos acabou. Mas a inteligência da escolha do que é notícia e informação relevante continua dentro de uma esfera blindada. Saber separar o joio do trigo ainda é do nosso ofício o mais importante.

    Ética e Credibilidade como Modelo de Negócio 

    No meio de um mar de desinformação e ruído nas redes, a apuração rigorosa baseada em fatos se tornou o principal diferencial de uma marca jornalística. Mas a ética e a credibilidade, por si só, "vendem" o suficiente para sustentar financeiramente as operações independentes de mídia hoje?

    Sidney Rezende: As novas gerações consomem o que consideram relevante para suas necessidades. A forma venceu, momentaneamente, o conteúdo. Estamos num grande supermercado. Não temos dinheiro, espaço no cérebro e nem condições de levar tudo, porque temos limites. A civilização está tateando estes novos limites. “Ética praticada” não é certeza de relevância para quem não tem cultura de base para valorizá-la. A educação brasileira precisa passar por uma revolução, discutida com os estudantes e não imposta pelo Estado.

    Modelos Híbridos e a Pulverização da Notícia 

    Vemos uma fragmentação brutal da audiência. O público de hoje consome informação de forma atomizada: newsletters curadas para executivos, cortes curtos de vídeo, webrádio e áudio sob demanda. Ter um modelo híbrido e multiplataforma é o único caminho seguro para blindar um projeto de mídia contra as mudanças de algoritmo?

    Sidney Rezende: O mundo não é mais único, e sim, irreversivelmente plural. No passado recente o melhor conselho era cruzar informações vindas de várias fontes para se fazer um juízo mais exato. E, atualmente, também. Qualidade salta aos olhos. E sempre saltará. A China entende isso mais rapidamente do que os outros A fofoca anda ali misturada, mas, como bolha de sabão, se dissolve no ar. O ser humano ainda não descobriu que o tempo só anda para frente. Quem quiser perder parte da vida convivendo com ideias idiotas que o faça. Todos os dias acorda um esperto e milhões de otários.

    A Responsabilidade das Plataformas 

    As redes sociais frequentemente agem como grandes veículos de mídia, monetizando a atenção em cima de conteúdo jornalístico, mas rejeitam a responsabilidade editorial e legal sobre o que circula nelas. Como você enxerga o atual debate sobre a regulamentação dessas plataformas no Brasil?

    Sidney Rezende: Produtores de conteúdo representam menor perigo do que os líderes capitalistas de poucas plataformas que ganham milhões em cima dos usuários. Regulamentar o setor, e acompanhar seus movimentos de perto,  é oxigenar o ar e isto não tem nada a ver com censura. E, sim, com profilaxia.

    Autoridade e o Jornalista como Marca 

    O profissional de comunicação precisou se tornar sua própria plataforma de distribuição, cultivando audiência e autoridade em redes voltadas ao meio corporativo, como o LinkedIn. Como equilibrar a construção dessa "marca pessoal" do repórter com a identidade e as diretrizes do portal para o qual ele trabalha?

    Sidney Rezende: Ninguém é livre 100% no grande mundo da Comunicação. Porém, optar pela intersecção é o mais inteligente. Estar em vários lugares e testar todos os seus limites é a certeza que a informação e a comunicação estarão disponíveis para muito mais interessados.

    A Mídia e o "Megafone" Político 

    Muitas autoridades usam o Twitter e outras redes para falar direto com suas bases, frequentemente criando "cortinas de fumaça" para desviar a atenção de pautas mais estruturais. Como a imprensa diária deve cobrir essas declarações sem servir de megafone involuntário para a desinformação?

    Sidney Rezende: Se deve fazê-lo criticamente. “Copiar e colar” é trabalho preguiçoso e amador. Profissional é quem não se deixa manipular por políticos e poderosos. Nosso ofício não é - e nunca foi - para bajular e tirar proveito dos nacos do poder. É para informar como eles funcionam e o cidadão e a sociedade organizada que faça uso racional do que passou a saber.

    Jornalismo de Nicho vs. Grandes Conglomerados 

    Na sua visão, projetos nativos digitais — mais enxutos, ágeis e hiperfocados em audiências específicas — têm mais facilidade e liberdade para inovar nesse cenário do que os grandes conglomerados tradicionais de TV e rádio?

    Sidney Rezende: Sim. O primeiro extraordinário conselho que aprendi no primeiro ano de profissão quando estava convencido que o veículo que eu trabalhava tinha pouco alcance veio de um comunicador popular: “Garoto, você está no ar!”. Estar “on” é muito diferente de estar “off”. Não preciso explicar.

    O Pilar Inegociável 

    Olhando para a sua trajetória, desde o seu início em rádio  até a consolidação nos meios digitais, se você fosse estruturar uma nova plataforma de notícias do zero hoje, qual seria o pilar inegociável na construção da relação com o seu público?*

    Sidney Rezende: Olharia mais fixamente nos olhos do público alvo a que meu trabalho destinaria. Como se dissesse “vamos nessa?”.

    Ferramentas de IA foram utilizadas na elaboração deste conteúdo. Todo o conteúdo foi revisado por humanos.

     



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