JJ
Patriotismo de Aluguel
A traição patriótica ...
Bolsonarismo: um projeto de traição nacionalPatriotismo de Aluguel
Por JJ
A resposta de Marco Rubio à carta do candidato Flávio Bolsonaro revelou mais do que uma afinidade política. Ao agradecer a oferta de interlocução com uma eventual equipe de transição de um futuro governo brasileiro, o secretário de Estado dos Estados Unidos expôs um gesto que nenhum patriota deveria considerar normal. A mesma carta manteve o apoio às tarifas contra produtos brasileiros, demonstrando que, mesmo diante de uma manifestação de subserviência, Washington preservou, por óbvio, seus próprios interesses. O candidato nada recebeu. Apenas ofereceu.
A pergunta inevitável é simples. Transição para quê? Transição para quem? Equipes de transição existem para assegurar a continuidade administrativa do Estado brasileiro entre governos legitimamente eleitos. Elas não são instrumentos de articulação antecipada com governos estrangeiros, muito menos espaços para oferecer colaboração política antes mesmo de o povo brasileiro decidir quem governará o país. Quando essa disponibilidade é apresentada como ativo supostamente diplomático, deixa de ser cooperação e passa a ser um inquietante sinal de subserviência.
O episódio desmonta, mais uma vez, o discurso de um nacionalismo de faixada que se revela seletivo. Durante anos, o bolsonarismo reivindicou para si o monopólio do patriotismo, apropriando-se da bandeira, do hino e dos símbolos nacionais. Agora, diante de uma oportunidade concreta de defender os interesses brasileiros contra medidas comerciais que atingem a economia nacional, a prioridade parece ser preservar a sintonia com Washington, ainda que isso signifique naturalizar uma relação de dependência política. Patriotismo não é prestar continência a outra bandeira. É defender a própria.
É precisamente isso que está em jogo na próxima eleição. O debate não se limita a programas de governo ou preferências ideológicas. A questão central é saber qual projeto compreende a soberania nacional como um valor inegociável e qual admite que o Brasil atue como satélite de interesses estrangeiros. Divergências políticas são legítimas. Abrir espaço para que um governo estrangeiro participe, ainda que simbolicamente, da construção de uma futura administração brasileira é outra questão, muito mais grave. É traição da Pátria!
A carta de Marco Rubio teve o mérito involuntário de retirar as máscaras. Ela mostrou que, por trás do discurso inflamado sobre pátria e soberania, pode existir uma disposição de oferecer ao governo de outra nação um papel que jamais deveria lhe ser concedido. O patriotismo verdadeiro não se mede pelo tamanho da bandeira sobre os ombros, mas pela capacidade de manter a coluna ereta diante de qualquer potência estrangeira. Quem entrega essa autonomia entrega, junto com ela, um pedaço do próprio Brasil.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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