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Barra Mansa,23/06/2026

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    Moisés Laureano de Santana

    Geração “Z” e as eleições de 2026:

    A força de uma geração que quer mais do que promessas


    Geração “Z” e as eleições de 2026:

    Geração “Z” e as eleições de 2026: a força de uma geração que quer mais do que promessas

    Jovens eleitores exigem autenticidade, resultados concretos e uma nova forma de fazer política, transformando a participação democrática no Brasil

     Por Moisés Laureano de Santana 

    As eleições de 2026 serão um marco importante para a democracia brasileira. Em meio a debates sobre economia, segurança pública, educação, saúde, meio ambiente e desenvolvimento social, um grupo específico deverá exercer influência crescente sobre os rumos do país: a Geração Z. Formada por jovens que nasceram em um mundo digital, conectado e em constante transformação, essa geração está mudando não apenas a forma de votar, mas também a maneira de compreender, fiscalizar e participar da política.

    Durante décadas, o comportamento eleitoral foi analisado a partir de modelos relativamente previsíveis. No entanto, a ascensão da Geração Z está desafiando conceitos tradicionais e obrigando partidos, lideranças e instituições a repensarem suas estratégias. Mais do que conquistar votos, os representantes públicos precisarão conquistar credibilidade.

    Ao contrário do estereótipo que frequentemente associa juventude à alienação política, os jovens de hoje demonstram elevado interesse por temas públicos. A diferença está na forma como esse interesse se manifesta. Em vez de se limitarem aos canais convencionais, eles utilizam redes sociais, plataformas digitais, movimentos independentes, fóruns virtuais e iniciativas colaborativas para discutir problemas, compartilhar informações e mobilizar ações coletivas.

    Essa mudança representa uma transformação profunda no exercício da cidadania. A política deixou de ser percebida exclusivamente como uma atividade institucional para se tornar uma experiência cotidiana, presente em debates sobre mudanças climáticas, inclusão social, direitos civis, inovação tecnológica, saúde mental e oportunidades econômicas.

    A Geração Z cresceu em meio a crises econômicas, transformações tecnológicas aceleradas, pandemias, conflitos geopolíticos e desafios ambientais sem precedentes. Essa experiência moldou uma geração mais pragmática, crítica e preocupada com resultados concretos. Por isso, seus integrantes tendem a avaliar líderes políticos menos por discursos ideológicos e mais pela capacidade de entregar soluções efetivas para problemas reais.

    Entre as principais expectativas dos jovens para as eleições de 2026 está a melhoria da educação. Em um cenário marcado pela inteligência artificial, automação e novas profissões, a qualificação profissional tornou-se uma questão estratégica. Os jovens querem acesso a uma educação moderna, inclusiva e alinhada às exigências do século XXI.

    A preocupação não se limita ao ensino formal. Existe também uma demanda crescente por políticas que ampliem oportunidades de capacitação, empreendedorismo, inovação e inserção no mercado de trabalho. Muitos jovens enfrentam dificuldades para conquistar o primeiro emprego, alcançar estabilidade financeira e construir perspectivas de futuro. Consequentemente, esperam que os governantes apresentem propostas consistentes para estimular o crescimento econômico e reduzir desigualdades.

    A habitação também surge como tema relevante. O aumento do custo de vida e das despesas urbanas faz com que muitos jovens adiem projetos pessoais, como sair da casa dos pais ou formar uma família. Nesse contexto, políticas públicas voltadas à mobilidade social ganham importância crescente.

    Outro tema central é a sustentabilidade. A Geração Z é frequentemente apontada como uma das mais engajadas na defesa ambiental. Para esses jovens, as mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação distante e passaram a representar uma ameaça concreta ao futuro. A preservação dos recursos naturais, a transição energética, o combate ao desmatamento e a promoção de cidades sustentáveis ocupam lugar de destaque entre suas prioridades.

    Ao mesmo tempo, questões relacionadas à saúde mental assumiram uma relevância inédita. O aumento dos índices de ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais levou a juventude a exigir políticas públicas mais eficazes de prevenção, acolhimento e tratamento. O tema, antes negligenciado em muitas agendas governamentais, tornou-se parte fundamental do debate contemporâneo.

    A defesa da diversidade e da inclusão também caracteriza essa geração. Jovens eleitores demonstram preocupação com a igualdade de oportunidades, o combate às discriminações e a construção de ambientes sociais mais justos. Isso não significa uniformidade de pensamento, mas revela uma tendência de valorização do respeito às diferenças e da convivência democrática.

    Entretanto, uma das características mais marcantes da Geração Z é sua relação com a informação. Nunca houve uma geração tão exposta a conteúdos produzidos em tempo real. Essa realidade oferece vantagens e riscos. Por um lado, amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a fiscalização dos agentes públicos. Por outro, favorece a circulação de desinformação, notícias falsas e campanhas de manipulação.

    Diante desse cenário, cresce a importância da educação midiática e do pensamento crítico. Os jovens são chamados não apenas a consumir informações, mas a analisá-las, verificá-las e compreendê-las dentro de contextos mais amplos. A qualidade da democracia dependerá cada vez mais da capacidade da sociedade de distinguir fatos de narrativas enganosas.

    As eleições de 2026 também evidenciarão uma mudança importante na relação entre eleitores e representantes. Diferentemente de gerações anteriores, a Geração Z demonstra menor fidelidade partidária e maior disposição para avaliar candidatos individualmente. O apoio político tornou-se mais condicionado à coerência, à transparência e à capacidade de diálogo.

    Essa transformação gera desafios para os partidos tradicionais, que precisarão modernizar sua comunicação e fortalecer mecanismos de participação social. Ao mesmo tempo, abre oportunidades para lideranças capazes de construir conexões genuínas com a população.

    A transparência, aliás, tornou-se uma exigência inegociável. Em um ambiente digital onde informações circulam rapidamente, erros, contradições e promessas não cumpridas são identificados com facilidade. O eleitor jovem espera clareza na gestão pública, responsabilidade fiscal, respeito às instituições e compromisso com a ética.

    Sob a perspectiva democrática, a ascensão da Geração Z representa uma oportunidade histórica. A participação política está deixando de ser um evento restrito ao período eleitoral para se transformar em um processo contínuo de acompanhamento, cobrança e engajamento. Os jovens não querem apenas escolher representantes; querem influenciar decisões, fiscalizar resultados e contribuir para a construção das políticas públicas.

    Esse novo comportamento desafia modelos tradicionais de poder e fortalece mecanismos de controle social. Ao ampliar a participação cidadã, a juventude contribui para tornar a democracia mais dinâmica, transparente e conectada às demandas da sociedade.

    Contudo, o futuro dessa transformação dependerá da capacidade das instituições de dialogar com as novas gerações. Ignorar suas demandas poderá aprofundar sentimentos de descrença e afastamento político. Por outro lado, promover canais efetivos de participação poderá fortalecer a legitimidade democrática e ampliar a confiança pública.

    As eleições de 2026 serão mais do que uma disputa por cargos públicos. Representarão um momento decisivo para compreender como a juventude pretende influenciar o futuro do país. A Geração Z não busca líderes infalíveis, mas governantes preparados para ouvir, dialogar e agir com responsabilidade.

    Seu principal recado é simples e poderoso: a política precisa voltar a produzir resultados concretos para a sociedade. Em uma era marcada pela velocidade da informação e pela transformação constante, essa geração está redefinindo o significado da participação política e demonstrando que a democracia do futuro será cada vez mais colaborativa, transparente e participativa.

    Mais do que herdeira das decisões atuais, a Geração Z quer ser protagonista da construção do Brasil que deseja viver. E essa talvez seja a mudança mais significativa que as eleições de 2026 poderão revelar.

    Moisés Laureano de Santana é advogado, pós-graduado em Direito Público, Tributário e Eleitoral, com ampla e sólida experiência na Administração Pública do Estado do Rio de Janeiro, atuando em diversos cargos de direção e chefia em instituições governamentais 

     



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