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Barra Mansa,16/06/2026

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    O acordo com o Irã e a derrota estratégica de Trump

    Os fatos parecem apontar para outra direção.


    O acordo com o Irã e a derrota estratégica de Trump

    O acordo com o Irã e a derrota estratégica de Trump

    Por JJ

    Caso se confirmem os termos divulgados pela imprensa internacional sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã, estaremos diante de uma das mais importantes derrotas estratégicas da política externa norte americana nos últimos anos.

    Durante décadas, Washington buscou impor ao Irã uma combinação de isolamento diplomático, sanções econômicas, pressão militar e ameaças permanentes. O objetivo era simples: forçar uma mudança de comportamento do governo iraniano e reafirmar a capacidade dos Estados Unidos de determinar unilateralmente os rumos políticos do Oriente Médio.

    Os fatos parecem apontar para outra direção.

    Após anos de bloqueios econômicos, operações de desestabilização, assassinatos seletivos, cercos militares e sucessivas ameaças de intervenção, os Estados Unidos retornam à mesa de negociação sem terem alcançado seus objetivos centrais. O governo iraniano permanece de pé, preserva suas instituições, mantém sua influência regional e segue sendo um ator decisivo na geopolítica do Oriente Médio.

    Mais significativo ainda é o fato de que a eventual assinatura do acordo ocorre num momento em que a correlação de forças internacional passa por profundas transformações. A ascensão da China, a resistência da Rússia às tentativas de isolamento ocidental, o fortalecimento de novos mecanismos de cooperação econômica entre países do Sul Global e a crescente crise da ordem unipolar reduziram a capacidade dos Estados Unidos de impor suas decisões pela força.

    Nesse contexto, Donald Trump buscou construir a imagem de um líder capaz de restaurar a supremacia norte americana através da pressão máxima contra adversários estratégicos. A promessa era simples: endurecer as sanções, ampliar a pressão militar e obter uma capitulação iraniana.

    Se o acordo for efetivamente assinado nos termos divulgados, o resultado será exatamente o contrário.

    Em vez da rendição iraniana, teremos uma negociação entre partes que reconhecem mutuamente seus limites. Em vez da imposição unilateral, teremos um compromisso construído a partir da resistência de um país que se recusou a aceitar as condições impostas por Washington.

    Isso não significa uma vitória absoluta do Irã nem o fim das disputas na região. Os conflitos geopolíticos permanecem, assim como as divergências sobre segurança regional, energia, influência política e programa nuclear. No entanto, a simples necessidade de negociação já representa um reconhecimento de que a estratégia baseada exclusivamente na coerção fracassou.

    Outro aspecto relevante é a mensagem transmitida ao restante do mundo. Países submetidos a sanções, bloqueios ou pressões externas observam que a resistência prolongada pode alterar a correlação de forças e criar condições para negociações mais equilibradas. A ideia de que os Estados Unidos possuem capacidade ilimitada para impor sua vontade sofre novo desgaste.

    O eventual acordo também reforça uma tendência cada vez mais evidente: a transição para uma ordem internacional mais complexa, marcada pela presença de múltiplos polos de poder. Nesse cenário, a diplomacia baseada em ultimatos perde eficácia, enquanto cresce a importância da negociação entre atores com capacidade real de resistência.

    Por isso, caso os termos divulgados sejam confirmados, a assinatura prevista para 19 de junho deverá ser interpretada não como um triunfo da pressão norte americana, mas como o reconhecimento de seus limites.

    Será a demonstração de que, mesmo diante da maior potência militar do planeta, a resistência política, econômica e diplomática continua sendo capaz de produzir resultados e alterar o curso da história.

      JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 




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