Carlos Thadeu de Freitas
Plante que a IA garante:
Tecnologia assume papel central na expansão da produtividade e da competitividade do agro
Plante que a IA garante:
Tecnologia assume papel central na expansão da produtividade e da competitividade do agro
Por Carlos Thadeu de Freitas
Durante o governo de João Figueiredo, uma famosa campanha buscava incentivar a produção agrícola com o slogan “Plante que o João garante”. A mensagem refletia uma época em que o crescimento do setor agrícola dependia principalmente da expansão da área cultivada, do crédito rural e da intervenção governamental.
Cinco décadas depois, o Brasil vive uma nova revolução no campo. O slogan poderia ser atualizado para: “Plante que a inteligência artificial garante”.
A transformação digital está mudando profundamente a agricultura brasileira. Drones, satélites, sensores, algoritmos e sistemas de inteligência artificial passaram a fazer parte da rotina de produtores rurais, tornando o campo cada vez mais eficiente, produtivo e competitivo.
O agronegócio é um dos principais pilares da economia brasileira. As exportações do país dependem fortemente do setor agropecuário, responsável por colocar o Brasil entre os maiores fornecedores globais de alimentos, fibras e proteínas. Soja, café, açúcar, milho, carne bovina e carne de frango lideram a pauta exportadora e garantem a entrada de bilhões de dólares que ajudam a equilibrar as contas externas do país.
O Brasil já figura entre os 4 maiores produtores agrícolas do mundo, ao lado da China, dos Estados Unidos e da Índia. Cada um desses países tem vantagens específicas, mas há um elemento comum entre eles: o investimento crescente em tecnologia. Nesse aspecto, a inteligência artificial representa a próxima grande fronteira de ganhos de produtividade.
Na agricultura de precisão, sistemas inteligentes analisam imagens captadas por drones e satélites para identificar, ainda nos estágios iniciais, focos de pragas, doenças, deficiência de nutrientes e estresse hídrico. O produtor consegue agir antes que o problema se espalhe, reduzindo perdas e aumentando a eficiência da produção.
A aplicação de insumos também está se tornando cada vez mais inteligente. Em vez de distribuir fertilizantes, defensivos e água de forma uniforme, algoritmos identificam exatamente quais áreas necessitam de intervenção. O resultado é menor desperdício, redução de custos e maior sustentabilidade ambiental.
Os avanços não param por aí. Modelos preditivos utilizam dados climáticos, históricos de produção e imagens de satélite para estimar safras, antecipar riscos e definir os melhores momentos para o plantio e a colheita. A tecnologia melhora não só a produção, mas também o planejamento financeiro e logístico das propriedades rurais.
Máquinas agrícolas autônomas já são realidade. Tratores e pulverizadores equipados com sistemas inteligentes conseguem operar com elevado grau de automação, seguindo rotas otimizadas, reduzindo falhas e aumentando a produtividade. Além disso, plataformas digitais integram informações sobre custos, clima, estoques, preços e produtividade, fornecendo recomendações quase em tempo real para a tomada de decisões.
O desafio agora não é só desenvolver tecnologia, mas democratizá-la, para produzir ganhos expressivos justamente entre os pequenos e médios produtores, segmento em que o Brasil tem enorme potencial de aumento da eficiência e da renda no campo.
Se o Brasil deseja crescer mais, aumentar sua competitividade internacional e ampliar sua participação no comércio global de alimentos, o investimento em tecnologia agrícola deve ser tratado como prioridade estratégica.
Programas como o SNA Digital, iniciativas de instituições de pesquisa agropecuária, universidades, startups e centros tecnológicos mostram que o país está avançando nessa direção. Ainda assim, há um longo caminho para que os benefícios da transformação digital cheguem a todos os produtores rurais.
Ao longo das últimas décadas, o agronegócio transformou o país em uma potência agrícola mundial. A próxima etapa dessa história será escrita pela inteligência artificial.
Carlos Thadeu de Freitas Gomes, 78 anos, é assessor externo da área de economia da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Foi presidente do Conselho de Administração do BNDES e diretor do BNDES de 2017 a 2019, diretor do Banco Central (1986-1988) e da Petrobras (1990-1992)




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