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Barra Mansa,30/05/2026

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    JJ

    Atentado Gravíssimo

    Mais do que uma questão diplomática, trata-se de uma disputa sobre soberania.


    Atentado Gravíssimo

    Atentado Gravíssimo

    Por JJ

    A decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não pode ser tratada com ingenuidade, passividade ou silêncio diplomático. Trata-se de uma medida grave, carregada de implicações políticas, jurídicas e geopolíticas que ultrapassam em muito o combate ao crime organizado. O que está em jogo não é apenas uma definição conceitual, mas a abertura de um perigoso precedente de interferência estrangeira sobre a soberania brasileira.

    Ninguém em sã consciência relativiza os crimes praticados por facções criminosas. PCC e CV são organizações violentas, responsáveis por tráfico, assassinatos, corrupção e terror cotidiano nas periferias e nos presídios brasileiros. Combatê-las é dever do Estado brasileiro, através de suas instituições, suas leis e suas forças de segurança. O ponto central, porém, é outro, quem define os problemas internos do Brasil é o povo brasileiro, não a Casa Branca.

    Ao classificar organizações criminosas brasileiras como “terroristas”, os Estados Unidos criam uma brecha extremamente perigosa para justificar futuras ações unilaterais, pressões diplomáticas, sanções econômicas, espionagem ampliada e até intervenções indiretas sob o velho argumento da “guerra ao terror”. O mundo já viu esse roteiro antes. Em nome do combate ao terrorismo, os EUA invadiram países, financiaram operações obscuras, atropelaram soberanias nacionais e transformaram interesses geopolíticos em “missões civilizatórias”.

    É impossível ignorar o contexto político dessa medida. O trumpismo internacional e a extrema direita brasileira caminham juntos há anos. O bolsonarismo jamais escondeu sua submissão ideológica aos interesses da ultradireita norte americana. Parte significativa desse campo político vibra com qualquer movimento que fragilize a autonomia do Estado brasileiro, desde que isso sirva para alimentar seu projeto de poder. São os mesmos setores que atacam o STF, desacreditam as urnas, pedem tutela estrangeira e sonham com mecanismos externos de pressão sobre as instituições brasileiras.

    Não surpreende que setores entreguistas estejam comemorando. Há quem veja vantagem eleitoral em transformar o Brasil num território permanentemente tutelado pelos interesses de Washington. Há quem deseje importar para cá o clima de exceção permanente, de militarização política e de medo social que alimenta projetos autoritários. O combate ao crime vira então instrumento de disputa ideológica e eleitoral.

    O governo brasileiro e o povo precisam reagir com firmeza, equilíbrio e altivez. Não se trata de defender criminosos, trata-se de defender o Brasil. É preciso deixar claro que o país possui instituições, legislação, inteligência e capacidade própria para enfrentar suas organizações criminosas. Aceitar passivamente essa classificação é admitir que potências estrangeiras possam redefinir unilateralmente os limites da nossa política interna e da nossa segurança nacional.

    Mais do que uma questão diplomática, trata-se de uma disputa sobre soberania. O Brasil não pode aceitar ser enquadrado como quintal geopolítico de ninguém. Nenhum patriotismo sério se constrói ajoelhado diante de interesses externos. Quem ama o Brasil defende sua democracia, sua autonomia e o direito do povo brasileiro decidir seu próprio destino.

    O combate ao crime organizado deve ser duro, implacável e permanente. Mas deve ser brasileiro, conduzido pelo Estado brasileiro e subordinado à Constituição brasileira. Qualquer coisa diferente disso abre portas perigosas para ingerências futuras que podem custar caro à nossa democracia.

    A história mostra que quando potências estrangeiras começam a “ajudar demais” países periféricos, quase sempre o preço cobrado depois é a própria soberania.

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 


     



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