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Barra Mansa,18/05/2026

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    JJ

    Sinuca de Bico Frente à Rasteira

    Uma verdadeira rasteira.


    Sinuca de Bico Frente à Rasteira

    Sinuca de Bico Frente à Rasteira

    Por JJ

    A decisão do Democracia Cristã de confirmar Joaquim Barbosa como nome prioritário para a disputa presidencial altera profundamente o equilíbrio interno da legenda e cria um cenário político delicado para Aldo Rebelo.

    Até poucas horas atrás, Aldo aparecia como o projeto presidencial natural do partido. Circulava pelo país, articulava apoios, dialogava com setores nacionalistas e buscava consolidar uma candidatura baseada em soberania nacional, desenvolvimento e crítica à polarização tradicional. De repente, vê surgir sobre sua construção política um nome com muito mais impacto midiático e maior potencial nas pesquisas.

    A situação cria uma verdadeira sinuca de bico.

    E talvez exista uma lição política importante nesse episódio. É possível que o erro não tenha sido apenas do presidente nacional João Caldas ao abrir caminho para Joaquim Barbosa sem uma construção interna mais sólida. Talvez o próprio Aldo Rebelo, no legítimo esforço para viabilizar sua candidatura, tenha subestimado uma regra elementar da política partidária brasileira: não basta construir discurso, é necessário possuir controle político efetivo sobre o partido.

    Na prática, sobretudo em legendas pequenas, candidaturas dependem menos da densidade intelectual do projeto e muito mais da capacidade de influência sobre executivas, convenções, diretórios estaduais e estruturas partidárias. Quem não controla minimamente essa engrenagem corre o risco de descobrir tarde demais que pré candidatura não significa candidatura.

    O argumento utilizado pela direção do DC é pragmático e politicamente consistente. Joaquim Barbosa aparece com potencial eleitoral superior em pesquisas e maior capacidade de gerar visibilidade nacional imediata. Em um sistema político cada vez mais guiado por números, recall e desempenho estatístico, pesquisas passaram a funcionar quase como selo antecipado de viabilidade eleitoral.

    Sob essa lógica, torna se difícil para Aldo reverter o quadro apenas pela trajetória política ou pela qualidade de seu discurso. Para partidos pequenos, um candidato competitivo nas pesquisas significa possibilidade de alianças futuras, maior atenção da imprensa, crescimento partidário e até sobrevivência institucional.

    Mas existe um detalhe decisivo que torna a situação ainda mais dramática.

    O prazo legal de filiação partidária para a eleição presidencial já se encerrou em abril. Isso significa que Aldo Rebelo não possui mais margem real para buscar outro partido e reconstruir uma candidatura em nova legenda. Politicamente, a equação ficou estreita: ou disputa pelo DC, ou simplesmente deixa de disputar.

    Essa realidade transforma a disputa interna em algo muito mais complexo do que uma divergência comum entre correntes partidárias. Não há saída simples. Não existe plano alternativo evidente. O jogo agora acontece integralmente dentro do Democracia Cristã.

    E, apesar da força política do movimento pró Joaquim Barbosa, ainda existe a convenção partidária.

    Convenções continuam sendo espaços reais de disputa, especialmente em partidos menores, onde relações regionais, fidelidades pessoais e articulações internas podem alterar cenários aparentemente consolidados. O problema é que, até lá, o partido corre o risco de mergulhar numa guerra interna desgastante.

    E guerras internas costumam ser fatais para legendas pequenas. Consomem energia, afastam aliados, produzem insegurança política e enfraquecem qualquer projeto nacional antes mesmo da largada oficial da campanha.

    No fundo, o episódio revela uma característica recorrente da política brasileira contemporânea. Pequenos partidos frequentemente vivem divididos entre duas ambições contraditórias: construir um projeto político próprio ou apostar tudo na chegada de uma personalidade capaz de produzir impacto instantâneo.

    Quando a segunda opção prevalece, o coletivo perde espaço para o improviso estratégico.

    E é exatamente aí que a política deixa de parecer construção duradoura e passa a lembrar apenas uma sucessão de movimentos bruscos, inesperados e calculados.

    Uma verdadeira rasteira.

     JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira



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