Seja bem-vindo
Barra Mansa,14/05/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    Carlo Simi

    SUS NA MIRA:

    O Sistema Único de Saúde incomoda.


    SUS NA MIRA:

    SUS NA MIRA: QUANDO A "REFORMA " ESCONDE A PERDA DE DIREITOS

    O Sistema Único de Saúde incomoda.

    Por Carlo Simi

    Incomoda porque, mesmo com filas, falhas de gestão e subfinanciamento crônico, ele garante algo que poucos países conseguiram: atendimento de saúde gratuito e universal para toda a população.

    E isso, para uma certa visão de mundo, é um problema.

    Por trás do discurso técnico de “modernização” e “eficiência”, volta à cena uma velha ideia: reduzir o papel do Estado e abrir espaço para o mercado — inclusive naquilo que deveria ser direito básico.

    É nesse contexto que ganham força propostas associadas ao ex-ministro Marcelo Queiroga, que tendem a compor um eventual programa de governo de Flávio Bolsonaro à Presidência.

    O roteiro já é conhecido.

    Fala-se em melhorar a gestão, rever o financiamento, pagar por desempenho, integrar mais o setor privado.

    Tudo parece razoável — até que se olha com atenção.

    Porque esse tipo de proposta raramente começa atacando direitos de forma explícita.

    Ela avança pelas bordas.

    Primeiro, muda-se o modelo de financiamento.

    Depois, amplia-se a presença do setor privado.

    Em seguida, cria-se um sistema “mais eficiente” — e, discretamente, mais desigual.

    É assim que o direito vai sendo corroído sem que se diga, em nenhum momento, que ele será retirado.

    O Brasil já viu esse processo antes.

    Na reforma trabalhista, prometeram modernização. Entregaram precarização.

    Na reforma da previdência, falaram em equilíbrio. Produziram insegurança social.

    Agora, a lógica reaparece na saúde.

    E o risco aqui é ainda mais grave.

    Porque quando o mercado entra de forma estruturante no sistema de saúde, o que muda não é só a gestão — é a lógica de acesso.

    Deixa de ser um direito garantido e passa a ser uma disputa por recursos.

    Quem pode pagar mais, acessa melhor.

    Quem não pode, espera — ou desiste.

    Não é exagero. É o padrão observado em sistemas híbridos ao redor do mundo.

    E é exatamente esse o ponto que se tenta evitar dizer em voz alta: não se fala em cobrar diretamente mas se constrói o caminho para que o acesso deixe de ser, na prática, universal.

    Defender o SUS, nesse cenário, virou quase um ato de resistência.

    Mas é preciso deixar claro: Não se trata de negar problemas.

    O SUS precisa melhorar — e muito.

    Mas há uma diferença brutal entre reformar para fortalecer e reformar para mudar a essência.

    E o que está em jogo nessas propostas não é apenas eficiência.

    É a substituição silenciosa de um modelo baseado em direitos por um modelo orientado pelo mercado.

    O nome disso não é modernização.

    É regressão.

    O Brasil precisa decidir, com clareza, que sistema quer sustentar.

    Um sistema público, imperfeito, mas que garante acesso a todos ou um sistema “eficiente”, onde o acesso depende, cada vez mais, da capacidade de pagar.

    Porque uma coisa é certa: Quando a saúde deixa de ser direito, ela rapidamente vira privilégio.

    E depois que isso acontece, voltar atrás custa caro — e não é só em dinheiro.

    É em vidas. 

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.




    COMENTÁRIOS

    LEIA TAMBÉM

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.