Carlo Simi
A IMPORTÂNCIA DA LEI QUE TORNOU A DUBLAGEM PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL
O RECONHECIMENTO DOS ATORES E ATRIZES EM DUBLAGEM
A infância foi repleta de dubladores para esta centena de personagens.A IMPORTÂNCIA DA LEI QUE TORNOU A DUBLAGEM PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
O RECONHECIMENTO DOS ATORES E ATRIZES EM DUBLAGEM - A DEFESA DOS DIREITOS AUTORAIS E PROPRIEDADE INTELECTUAL.
Por Carlo Simi com coautoria de Isabella Simi.
Hoje, falar da dublagem brasileira é falar da alma da nossa cultura.
Não é apenas técnica. Não é apenas tradução. É interpretação, é emoção, é identidade.
É a capacidade de um ator ou de uma atriz de dar vida, em português, a personagens que nasceram em outras línguas — e fazê-los soar como se fossem nossos, próximos, familiares.
E por isso é tão importante o reconhecimento que a cidade do Rio de Janeiro dá à dublagem como patrimônio cultural imaterial, por meio de lei de autoria do vereador Rafael Aloisio Freitas, que é completamente identificado com a importância do trabalho dos profissionais da dublagem e com a valorização da categoria.
Ele também, em outro momento, incluiu, através de lei, o Dia do Dublador no calendário oficial da Cidade.E prestou uma linda homenagem à mais longeva atriz em dublagem, a querida Selma Lopes, com a medalha Chiquinha Gonzaga, a maior honraria concedida às mulheres que se destacam nas causas artísticas e culturais.
Essa iniciativa não é simbólica apenas — ela é um marco.
Porque quando o poder público reconhece uma atividade como patrimônio cultural, ele está dizendo: isso aqui faz parte da nossa identidade, da nossa memória coletiva, daquilo que precisa ser preservado e protegido.
E mais do que isso: uma lei como essa projeta a dublagem para além dos limites da cidade.
O Rio de Janeiro é uma referência nacional. Aquilo que é reconhecido aqui reverbera no Brasil inteiro. Chega ao governo federal, chega à Câmara dos Deputados, chega ao Senado.
E quando esses espaços forem acionados para debater a dublagem — seja em projetos de lei, em regulamentações ou em políticas públicas — haverá um sinal claro vindo do Rio: a dublagem é forte, é organizada e é patrimônio cultural. E, por isso, precisa ser defendida.
Essa visibilidade política fortalece a luta dos atores e das atrizes em dublagem, mas também precisa — e deve — incluir todos os profissionais que fazem essa indústria existir: diretores, técnicos de som, tradutores, adaptadores, operadores. É uma cadeia criativa e técnica que transforma um conteúdo estrangeiro em algo vivo, acessível e culturalmente próximo do público brasileiro.
Mas hoje, essa mesma dublagem enfrenta um dos maiores desafios da sua história: o avanço da inteligência artificial.
E aqui é preciso ser muito claro.
A dublagem não é apenas voz. Não é apenas som. É interpretação humana. É sensibilidade. É improviso. É intenção. É emoção. É aquilo que nenhuma máquina consegue reproduzir de forma genuína.
Quando um ator dubla, ele não repete palavras — ele cria. Ele traduz sentimentos. Ele imprime humanidade.
E é justamente por isso que essa lei ganha ainda mais importância.
Ela dá base política, cultural e institucional para que esses profissionais — diante da ameaça da substituição por vozes artificiais — tenham força para se defender. Para exigir limites, regras, respeito ao seu trabalho e à sua identidade artística.
Reconhecer a dublagem como patrimônio é afirmar que não aceitaremos que a cultura seja reduzida a algoritmo.
É dizer que a arte tem valor. Que o trabalho artístico e técnico merece respeito. E que o talento humano não é descartável.
Essa lei, portanto, não olha apenas para o passado — ela protege o futuro.
Um futuro onde a tecnologia pode e deve existir, mas nunca à custa da dignidade, da criatividade e da essência humana que fazem da dublagem brasileira uma das melhores do mundo.
E é nesse espírito — de valorização, de reconhecimento e de luta — que eu faço aqui um convite muito especial.
No dia 5 de maio, às 10 horas da manhã, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o vereador Rafael Aloisio Freitas realizará uma homenagem aos atores e atrizes da dublagem — aqueles que estão entre nós e aqueles que já partiram — e também aos advogados e cidadãos que defendem os direitos autorais e a propriedade intelectual no nosso país.
E essa não é uma homenagem qualquer. É um momento de reconhecimento, de memória, de respeito — e também de afirmação pública de força.
Por isso, a presença de cada um de vocês é fundamental.
Aos atores e atrizes, aos profissionais técnicos, aos fãs da dublagem, aos defensores da cultura, do direito autoral e da criação artística: compareçam.
Porque ocupar esse espaço é mais do que prestigiar — é mostrar.
Mostrar que a dublagem tem voz.
Mostrar que essa categoria é unida.
Mostrar que existe mobilização.
Mostrar que existe força política e repercussão pública.
Cada presença conta. Cada cadeira ocupada é uma mensagem. Cada aplauso é um posicionamento.
É assim que se constrói respeito. É assim que se protege o futuro.
Vamos transformar esse momento em um marco.
Um marco de emoção, de reconhecimento — e de luta.
Defender a dublagem é defender cultura.
Defender cultura é defender gente.
E essa é uma luta que precisa - e vai - ser de todos nós.
Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.
Isabella Simi é atriz em dublagem e, entre vários personagens, dublou a Anora, no filme ganhador do Oscar, Lucy Gray no último filme dos Jogos Vorazes, Samantha LaRusso em Cobra Kai, Heather em Stranger Things, Alix em Miraculous Ladybug e Mel em Thunderbolts.




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