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Barra Mansa,13/05/2026

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    Carlo Simi

    O RIO ESTÁ ENVELHECENDO.

    ISSO PODE SER UMA GRANDE OPORTUNIDADE.


    O RIO ESTÁ ENVELHECENDO.

    O RIO ESTÁ ENVELHECENDO. E ISSO PODE SER UMA GRANDE OPORTUNIDADE.

    Por Carlo Simi

    O Rio de Janeiro está diante de uma transformação profunda e silenciosa que ainda não recebeu da classe política, do empresariado e até da própria sociedade a atenção necessária.

    Enquanto boa parte do debate público continua presa aos velhos temas da segurança, da crise fiscal e das disputas ideológicas imediatas, uma mudança estrutural avança rapidamente: o envelhecimento acelerado da população fluminense. E os números não deixam margem para dúvidas.

    Pela primeira vez na história, a cidade do Rio passou a ter mais idosos do que crianças, segundo dados do IBGE de 2022.

    Esse fenômeno não pode ser tratado apenas como uma questão previdenciária ou assistencial. O envelhecimento da população não representa simplesmente aumento de gastos públicos ou pressão sobre o sistema de saúde. Ele altera o mercado de trabalho, o perfil do consumo, a dinâmica urbana, a economia e até a forma como o Estado precisará planejar suas políticas públicas nas próximas décadas.

    O Rio é hoje um dos estados mais envelhecidos do país. E isso deveria colocar o tema no centro de qualquer projeto sério de desenvolvimento econômico.

    Mas o que se vê é exatamente o contrário: uma ausência quase completa de políticas voltadas à valorização da população idosa como força produtiva, intelectual e social.

    Existe uma visão ultrapassada que associa envelhecimento à improdutividade.

    Essa lógica ignora a experiência acumulada, a capacidade técnica, a maturidade emocional e o conhecimento construído por milhões de brasileiros ao longo da vida. Em muitas áreas profissionais, especialmente aquelas que exigem liderança, interpretação humana, capacidade analítica e formação acumulada, a experiência continua sendo um ativo insubstituível.

    Entretanto, o mercado brasileiro ainda pratica um etarismo silencioso e perverso. Currículos são descartados pela idade antes mesmo de serem avaliados. Empresas buscam “perfil jovem” como se juventude, por si só, fosse sinônimo automático de competência.

    Enquanto isso, profissionais altamente qualificados acabam empurrados para a informalidade, para trabalhos precários ou para atividades muito abaixo de sua capacidade técnica.

    No Rio de Janeiro essa contradição é ainda mais visível.

    Basta andar pela cidade para perceber engenheiros aposentados trabalhando em aplicativos, professores experientes tentando complementar renda com pequenos negócios improvisados, profissionais da saúde afastados de grandes estruturas justamente quando atingiram seu maior nível de conhecimento prático.

    Estamos desperdiçando capital humano de enorme valor.

    E o mais impressionante é que o mundo já começou a compreender que a chamada “economia da longevidade” será um dos maiores motores econômicos das próximas décadas. Setores ligados à saúde digital, turismo sênior, tecnologia assistiva, educação continuada, moradia adaptada, consultoria especializada e trabalho flexível voltado para pessoas acima de 60 anos movimentam trilhões de dólares globalmente.

    O Rio teria todas as condições de liderar esse processo no Brasil. Temos universidades, centros de pesquisa, hospitais de excelência, capacidade tecnológica, vocação turística e uma enorme concentração de profissionais experientes.

    O que falta é visão estratégica do poder público.

    Não existe uma política robusta de requalificação tecnológica voltada para idosos. Não há incentivos significativos para empresas que contratam profissionais acima dos 60 anos.

    Tampouco há programas amplos de integração entre gerações que permitam transformar experiência acumulada em formação para jovens empreendedores e novos trabalhadores.

    O debate precisa deixar de enxergar o envelhecimento como um problema e passar a compreendê-lo como uma nova realidade econômica e social. Países que entenderem isso primeiro sairão na frente.

    O Rio de Janeiro poderia se tornar referência nacional em políticas de longevidade ativa.

    Poderia transformar conhecimento acumulado em desenvolvimento econômico, reduzir desigualdades, ampliar arrecadação e fortalecer o mercado interno.

    Mas isso exige planejamento, investimento e, sobretudo, mudança de mentalidade.

    O envelhecimento da população não é uma hipótese distante. Ele já está acontecendo agora. E ignorar essa realidade talvez seja um dos maiores erros estratégicos que o Rio de Janeiro pode cometer nas próximas décadas.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.

     



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