JJ
Patuleia Desvairada
Fazer política e brincar de revanche
Patuleia Desvairada
Por JJ
Há uma diferença gritante entre fazer política e brincar de revanche. E, nos últimos dias, parte do debate público resolveu descer alguns degraus perigosos, embalado por boatos, ansiedade e uma estranha sede de “troco” institucional.
A rejeição do nome de Jorge Messias ao STF, ainda que politicamente relevante, está sendo transformada por setores barulhentos em pretexto para algo muito mais raso, quase infantil, pedir que Luiz Inácio Lula da Silva entre numa cruzada de vingança contra o Senado. Não é só uma leitura equivocada, é uma leitura perigosa.
Pior, essa narrativa vem sendo inflada por uma mistura tóxica de desinformação e má fé. Espalha-se com velocidade a ideia de que Lula estaria preparando uma espécie de “retaliação”, indicando nomes estratégicos para “emparedar” o Senado, como se a política institucional brasileira fosse um tabuleiro de birra. Não há base sólida para isso, apenas ruído, alimentado por interesses que vivem da instabilidade.
Convém lembrar o básico, o Senado não é um apêndice do Executivo, e divergências fazem parte do jogo democrático. Transformar um revés em crise deliberada é exatamente o tipo de erro que desgasta governos e fortalece adversários. Quem incentiva essa linha não está pensando no país, está pensando em tensão, cliques e, em muitos casos, em lucro político.
A frase de Ulysses Guimarães nunca foi tão atual, política é para adultos. E adultos não fazem birra institucional. Adultos calculam, recuam quando necessário e avançam onde importa.
A indicação de Messias pode ter sido um erro de leitura política, e erros existem, fazem parte de qualquer governo. O problema começa quando se tenta transformar o erro em bandeira de confronto. Aí já não é estratégia, é vaidade.
Lula construiu sua trajetória justamente por saber atravessar crises sem se deixar capturar por impulsos momentâneos. Esperar dele uma reação movida por vingança é desconhecer sua história, ou pior, tentar empurrá-lo para um terreno onde ele não precisa e não deve entrar.
Enquanto isso, os bajuladores de sempre seguem animados, sugerindo soluções mirabolantes, discursos inflamados e confrontos desnecessários. São os mesmos que aplaudem o erro hoje e desaparecem amanhã quando a conta chega. Não constroem, apenas atiçam.
O governo tem desafios reais, economia, governabilidade, articulação política, reeleição. É aí que a energia precisa estar. Alimentar fantasias de retaliação só desvia o foco e fragiliza o que realmente importa.
No fim, a escolha é simples, governar com maturidade ou reagir com emoção. A história costuma ser implacável com quem confunde essas duas coisas.
Virar a página não é fraqueza. É inteligência.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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