JJ
Pois é!!!!
A leitura equivocada da realidade política !
Pois é!!!!
Por JJ
A rejeição do nome indicado pelo presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado Federal do Brasil, episódio que envolveu o indicado Messias e a resistência liderada por figuras como Davi Alcolumbre, não pode ser tratada como um acidente de percurso, tampouco como uma surpresa. Trata se, antes, de um caso exemplar de leitura equivocada da realidade política, de subestimação da correlação de forças e de um certo voluntarismo que insiste em ignorar sinais evidentes.
Desde o anúncio do nome, a reação no Senado foi, no mínimo, morna. Nos bastidores, contudo, era francamente desfavorável. Não se tratava apenas de divergências pontuais, mas de um ambiente consolidado de resistência. A política, em sua essência, é a arte de reconhecer limites, medir forças e escolher batalhas viáveis. Quando um governo insiste em avançar sobre terreno hostil sem construir previamente as condições para tal, o desfecho tende a ser o que se viu.
É importante afastar leituras simplistas. Não se trata de demonizar o Senado, nem de transformar o indicado em bode expiatório. Como o próprio debate público sugere, o nome de Messias pode até reunir qualidades pessoais e técnicas. O problema central não reside na biografia individual, mas na forma e no contexto da escolha. Indicações ao Supremo não são atos isolados, são movimentos estratégicos que exigem articulação, negociação e, sobretudo, sensibilidade política.
O episódio revela algo mais profundo do que um erro tático. Ele expõe uma dificuldade do governo em reconhecer que a atual correlação de forças lhe é desfavorável, tanto no Congresso quanto em parcelas relevantes da sociedade. Não é uma questão de comunicação, como frequentemente se tenta argumentar. A resistência não decorre de ruído, mas de posições políticas concretas, interesses divergentes e uma oposição que, hoje, se encontra mais organizada e assertiva.
A insistência em atribuir reveses a falhas narrativas pode ser confortável, mas é insuficiente. Quando “até as pedras sabiam” do desfecho provável, como se diz no senso comum, o problema não é de mensagem, é de diagnóstico. E diagnósticos equivocados, em política, custam caro.
Há, também, um componente de arrogância que não pode ser ignorado. Governos fortes, sobretudo aqueles com trajetória histórica relevante como o liderado por Lula, correm o risco de acreditar que sua legitimidade política é, por si só, suficiente para impor decisões. No entanto, o sistema institucional brasileiro é desenhado justamente para impedir imposições unilaterais. Ignorar isso é abrir espaço para derrotas que poderiam ser evitadas.
As consequências são imediatas e amplas. A oposição ganha fôlego, transforma o episódio em símbolo de fragilidade e amplia sua capacidade de mobilização. A repercussão internacional, por sua vez, tende a enquadrar o governo como politicamente enfraquecido, o que impacta não apenas a imagem, mas também a capacidade de articulação externa. Em política, derrotas têm efeito cumulativo.
Diante disso, a resposta mais produtiva não é o confronto retórico com o Senado, mas a autocrítica. É preciso reconhecer erros, ajustar estratégias e recalibrar a relação com o Congresso. Isso implica rever métodos de escolha, fortalecer canais de diálogo e, principalmente, abandonar a ideia de que a vontade do Executivo pode prescindir da construção de maiorias.
O risco maior está no horizonte. Se a leitura equivocada da realidade persistir, o governo pode entrar em um ciclo de derrotas sucessivas, comprometendo sua agenda e, no limite, suas chances eleitorais. A advertência não é trivial. A perda de protagonismo político em um contexto já adverso pode abrir caminho para um cenário que muitos consideram indesejável para o país.
Assimilar o golpe com rapidez, aprender com ele e seguir adiante é, portanto, mais do que uma recomendação, é uma necessidade. A política é, por natureza, dura. Exige resiliência, capacidade de adaptação e, acima de tudo, lucidez. Sem isso, derrotas previsíveis continuarão a ocorrer, e cada uma delas custará mais do que a anterior.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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