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Barra Mansa,30/08/2026

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    O deputado federal Hugo Leal concede entrevista

    Em busca da reeleição.


    O deputado federal Hugo Leal concede entrevista

    Hugo Leal Melo da da Silva é advogado, compositor, economista e político brasileiro. Atualmente filiado ao Partido Social Democrático (PSD), é deputado federal. Foi secretário de Energia e Economia do Mar pelo estado do Rio de Janeiro entre 2023 e 2024. O político já foi filiado anteriormente aos seguintes partidos políticos: Partido Democrático Trabalhista (PDT); Partido Socialista Brasileiro (PSB); Partido Social Cristão (PSC); e Partido Republicano da Ordem Social (PROS).

    Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1987 e em Economia pela Faculdade Candido Mendes em 1990. É casado desde 1989 com Luise Gomes da Motta, com quem tem dois filhos: Laura e Luís

    Antes de exercer cargos eletivos e comissionados, Hugo Leal ocupou algumas funções relativas ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), partido no qual foi membro de 1985 a 2001, em especial como advogado da legenda junto ao TRE-RJ e ao TSE. Hugo foi secretário de duas pastas do Governo do Estado do Rio de Janeiro entre 1999 e 2006, durante as gestões dos governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, tendo sido também presidente do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) entre janeiro de 2003 e maio de 2005. O político, que atualmente é deputado federal, ocupou um assento de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) entre maio e agosto de 2005. Em relação às eleições municipais de 2020, Hugo Leal foi pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSD. porém o seu partido decidiu por apoiar a candidatura do deputado federal Luiz Lima (PSL), nomeando o Delegado Fernando Veloso como vice na chapa.

    Em busca da reeleição, Hugo Leal me concede a seguinte entrevista:

    1.Trajetória e motivação

    Você chega a esta eleição no quinto mandato consecutivo, com uma trajetória que atravessou seis siglas partidárias — do PDT ao PSD. O que o motiva a buscar mais um mandato, e qual balanço você faz do ciclo que se encerra: o que ficou de entrega e o que ficou de frustração?

    Hugo Leal: Chego a esta eleição com experiência acumulada, mas, sobretudo, com a convicção de que ainda existe muito a ser construído e de que o Rio de Janeiro se aproxima de um momento em que precisará reunir capacidade política, conhecimento técnico e força de articulação para recuperar o protagonismo que historicamente exerceu no país.

    Ao longo dessa trajetória, construí uma atuação que procura combinar três dimensões que considero inseparáveis: produzir legislação relevante, defesa dos interesses do Estado do Rio e fazer com que os recursos disponíveis ao mandato efetivamente façam a diferença na vida das pessoas. Já são mais de R$ 770 milhões em recursos destinados ao Estado do Rio de Janeiro, distribuídos praticamente por todo o território fluminense e aplicados em áreas como saúde, assistência social, educação, agricultura, esporte, infraestrutura, segurança, ciência, tecnologia e desenvolvimento regional. Esse número é importante, mas ele não explica sozinho uma trajetória parlamentar, porque a função de um deputado federal não se resume à indicação de recursos; ela envolve construir leis, fiscalizar, mediar conflitos, acompanhar concessões, defender a população do estado e estar presente quando decisões tomadas em Brasília interferem diretamente na vida de uma cidade ou de uma comunidade.

    Nesse aspecto, tenho muito orgulho da Lei Seca, talvez a realização mais conhecida da minha vida pública, porque ela ultrapassou governos, partidos e conjunturas e se consolidou como uma política permanente de preservação da vida. A Lei Seca transformou o comportamento da sociedade brasileira em relação à combinação de álcool e direção e ajudou a construir uma consciência que hoje parece natural, mas que não existia com a mesma força quando apresentamos essa mudança. Minha preocupação continua sendo exatamente a mesma que orientou a Lei Seca desde sua origem: salvar vidas e preservar famílias.

    Se existe uma frustração ao longo desse caminho, ela está sobretudo na lentidão com que muitas decisões públicas se transformam em entrega. Em diversas ocasiões conseguimos assegurar recursos, articular ministérios, órgãos reguladores, governos e prefeituras, mas o cidadão ainda precisa esperar tempo demais até que aquilo se converta em uma obra, em um serviço ou em um equipamento. É justamente por conhecer esses caminhos e saber onde estão os obstáculos que considero que posso contribuir ainda mais no próximo mandato, não apenas destinando recursos, mas acompanhando cada etapa, cobrando providências, fiscalizando serviços e utilizando a experiência acumulada para fazer com que as soluções cheguem mais rapidamente.

    2.Legado e realizações

    Quais são as três entregas mais concretas do seu mandato que sustentam a candidatura à reeleição? Como elas se traduzem em benefício direto para o eleitor fluminense — e como você responde à crítica de que a atuação em temas nacionais, como energia, nem sempre se converte em pauta local?

    Hugo Leal: É difícil resumir uma trajetória longa em apenas três realizações, mas acredito que existem três grandes dimensões que ajudam a explicar o trabalho realizado. A primeira delas é a defesa da vida, da família e da segurança no trânsito, cuja expressão mais conhecida é a Lei Seca. Ela não representa apenas uma alteração no Código de Trânsito, mas uma mudança cultural construída ao longo de quase duas décadas, que contribuiu para reduzir a tolerância social à combinação entre bebida e direção. Esse trabalho continua na atualização das normas, na modernização da fiscalização, na atuação permanente em defesa do trânsito seguro e, agora, na discussão sobre o drogômetro e novos instrumentos capazes de identificar condutores sob efeito de outras substâncias psicoativas.

    Essa preocupação com a preservação da vida se conecta diretamente a uma agenda mais ampla de proteção às famílias, especialmente àquelas que enfrentam situações de maior vulnerabilidade. Por isso, tenho procurado fortalecer entidades assistenciais e filantrópicas e defender políticas voltadas aos idosos, às pessoas com deficiência, às crianças e adolescentes e às famílias de pessoas com transtorno do espectro autista. O Centro TEA de Teresópolis representa um passo importante nessa direção e queremos utilizar essa experiência como referência para que novos centros possam ser implantados em outras cidades na próxima legislatura. Quando falamos em defender a família, não se trata apenas do que conhecemos como núcleo familiar, mas também da mãe que precisa encontrar atendimento para o filho com autismo, do idoso que depende de uma instituição assistencial, da pessoa com deficiência que necessita de suporte e da família que não pode ser abandonada justamente quando mais precisa da presença do poder público.

    É dentro dessa mesma compreensão que tenho atuado em defesa do Benefício de Prestação Continuada, o BPC, porque estamos falando de idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade para os quais esse benefício muitas vezes representa a principal garantia de sobrevivência da família. Essa é uma discussão que na vida real significa saber se uma família terá dinheiro para alimentação, medicamentos, transporte e suas despesas mais básicas.

    Da mesma maneira, tenho acompanhado de perto a luta das pessoas com fibromialgia, uma condição que durante muitos anos foi subestimada apesar das dores crônicas, das limitações funcionais e das enormes dificuldades que pode impor à vida profissional, familiar e social. Temos cobrado dos órgãos responsáveis que direitos sejam efetivamente observados.

    A segunda grande dimensão é a capacidade de transformar o mandato em investimento direto nos municípios. Como eu já disse, são mais de R$ 770 milhões destinados ao Estado ao longo da nossa atuação. A lógica sempre foi compreender que um Estado tão diverso quanto o Rio exige uma atuação territorialmente distribuída, porque cada região tem uma necessidade e cabe ao parlamentar conhecer essas diferenças para fazer com que Brasília enxergue as demandas de cada território.

    Entretanto, faço questão de ressaltar que o trabalho de um deputado federal não pode ficar restrito à distribuição das próprias emendas parlamentares. Uma parte importante dos resultados que conseguimos para o Rio decorre justamente da capacidade de buscar recursos adicionais no Orçamento da União, apresentar demandas aos ministérios, ampliar limites de financiamento, destravar projetos, acompanhar propostas e estabelecer interlocução permanente entre os municípios e o Governo Federal. Uma emenda possui valor e finalidade determinados; uma atuação política permanente pode abrir portas para investimentos muito superiores, e é justamente por isso que considero fundamental que um parlamentar conheça os caminhos de Brasília e saiba utilizá-los em favor do Estado que representa.

    Quem acompanha o nosso trabalho e as nossas redes sociais consegue verificar uma agenda permanente de reuniões em ministérios, autarquias e órgãos federais, seguida de visitas às cidades, encontros com prefeitos, vereadores, hospitais, entidades sociais, produtores, universidades e lideranças locais. Percorremos o Estado durante todo o ano, em todos os anos, e não apenas às vésperas de uma eleição, porque é impossível representar adequadamente o Rio permanecendo apenas em Brasília ou concentrado na capital. Basta acompanhar e comparar a presença, a regularidade e a continuidade desse trabalho para perceber que existe um método: ouvir o problema no município, levá-lo à esfera responsável, acompanhar sua tramitação, cobrar uma solução e voltar à cidade para verificar o resultado. É essa constância que constrói confiança e, sobretudo, é essa constância que produz resultado.

    A terceira dimensão é o desenvolvimento econômico e regional, e a agricultura talvez seja hoje um dos melhores exemplos dessa política. Nos últimos anos ampliamos significativamente o fomento ao campo, com tratores, retroescavadeiras, motoniveladoras, pás carregadeiras, implementos agrícolas e recursos destinados ao fortalecimento da infraestrutura rural, mas procuramos avançar além da simples entrega de equipamentos. O Programa Solo Vivo representa essa evolução, porque trabalha a qualidade e a recuperação do solo, o aumento da produtividade e a redução dos custos para o produtor. Queremos ampliar ainda mais o Solo Vivo, fazendo da agricultura uma verdadeira ferramenta de desenvolvimento econômico, geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento do interior.

    Também considero o Projeto ECOAR uma realização que demonstra como esporte, educação, convivência, saúde e inclusão podem caminhar juntos. Hoje são cerca de 87 núcleos espalhados por dezenas de municípios fluminenses e mais de 8 mil alunos beneficiados. Não se trata simplesmente de financiar atividades esportivas, mas de criar espaços permanentes que atendam as demandas da população.

    3.Prioridades para a próxima legislatura

    Se reeleito, quais serão as três prioridades legislativas do novo mandato? Em que prazos você se compromete a transformá-las em políticas efetivas — e não apenas em projetos protocolados?

    Hugo Leal: A primeira prioridade continuará sendo a proteção da vida, da família e das pessoas que mais precisam do poder público. Quero consolidar a nova etapa da política de segurança viária, avançando na atualização da Lei Seca e na utilização responsável de novas tecnologias de fiscalização, entre elas o drogômetro, ao mesmo tempo em que vamos continuar defendendo o BPC, acompanhando a implementação dos direitos das pessoas com fibromialgia, fiscalizando os serviços das concessionárias e ampliando o ECOAR.

    A segunda prioridade será o desenvolvimento econômico e a recuperação do protagonismo fluminense, utilizando de maneira inteligente os ativos que o Rio já possui e que muitas vezes foram tratados de forma isolada: petróleo e gás, economia do mar, portos, turismo, agricultura, universidades, centros de pesquisa, indústria, tecnologia e economia criativa. O Estado não precisa escolher entre sua vocação energética tradicional e a economia do futuro, precisa utilizar a riqueza que produz para se desenvolver. É nesse ponto que uma articulação forte entre o Governo do Estado e a bancada federal pode fazer uma enorme diferença, e vejo em Eduardo Paes a capacidade de conduzir uma administração estadual dinâmica, pragmática e voltada à execução, enquanto nós, em Brasília, podemos ajudar a garantir recursos, defender os interesses do Rio e destravar os projetos necessários.

    A terceira prioridade será uma agenda permanente de infraestrutura, mobilidade e defesa dos municípios diante das grandes concessões federais, porque muitos dos problemas que parecem locais somente podem ser resolvidos quando existe interlocução com órgãos e empresas que estão fora da esfera municipal. Isso vale para os diferentes modais de transportes, energia, infraestrutura  e exige que os contratos de concessão sejam permanentemente acompanhados para que investimentos, acessos e soluções de mobilidade efetivamente considerem as necessidades das populações afetadas. Em Petrópolis, por exemplo, estamos trabalhando em intervenções estruturantes para melhorar a mobilidade do Distrito de Itaipava, solucionando gargalos que existem há anos e prejudicam moradores, comércio, turismo e desenvolvimento econômico. Esse é o tipo de atuação que tenho trabalhado para ampliar: identificar um problema concreto, compreender qual esfera de governo possui competência para solucioná-lo, reunir os atores responsáveis e acompanhar o processo até que a solução saia efetivamente do papel.

    Meu objetivo é ter um mandato que possa ser auditável mediante os resultados concretos: recurso garantido, convênio formalizado, equipamento entregue, obra iniciada, serviço funcionando e cidadão atendido. Nos primeiros meses do mandato, quero consolidar junto aos municípios e ao Governo do Estado uma agenda objetiva de prioridades; no primeiro ano, transformar essa agenda em instrumentos orçamentários, legislativos e administrativos; e, ao longo da legislatura, acompanhar sua execução com transparência e indicadores que permitam à população saber o que foi prometido, o que foi realizado e aquilo que ainda precisa avançar.

     

    4.Energia, royalties e o futuro do Rio

    Você foi secretário de Energia e Economia do Mar e relator da MP do Gás do Povo, além de autor do projeto que altera o cálculo dos royalties. Diante da transição energética e do debate sobre o pré-sal, qual é a sua proposta para garantir que o Rio de Janeiro — e os municípios produtores — capturem de forma sustentável o valor dessa riqueza nas próximas décadas?

    Hugo Leal: O primeiro ponto é compreender que não existe qualquer contradição entre defender a transição energética e defender a importância econômica do petróleo e do gás para o Estado do Rio de Janeiro. A transição precisa ocorrer com planejamento, responsabilidade e visão de longo prazo, porque o petróleo continuará tendo relevância na economia mundial por muitos anos e o Rio é o maior produtor do Brasil. O que não podemos permitir é que o Estado produza essa riqueza, suporte os impactos relacionados à atividade e, ao mesmo tempo, perca receitas fundamentais para sustentar sua capacidade de investimento, financiar políticas públicas e dar segurança fiscal aos municípios produtores.

    É por isso que a luta pelos royalties sempre ocupou um espaço central na minha atuação. Recentemente, o Rio alcançou uma vitória extremamente importante nessa discussão, fortalecendo a tese de que os royalties possuem natureza compensatória e de que os estados e municípios produtores precisam ter segurança sobre receitas que estão diretamente relacionadas aos efeitos econômicos, territoriais e ambientais da exploração. Eu vou continuar nessa batalha até sua completa consolidação jurídica. Ao mesmo tempo, defender os royalties não pode significar defender uma dependência permanente do petróleo. A melhor maneira de proteger o futuro do Rio é utilizar a riqueza produzida no presente para construir as bases econômicas das próximas décadas. O Rio possui universidades, centros de pesquisa de excelência, portos, cadeia de óleo e gás, indústria naval, capacidade logística e capital humano suficientes para liderar a transição energética brasileira, desde que exista planejamento e integração entre essas diferentes potencialidades.

    5.Gestão fiscal e controle das contas públicas

    Você tem atuação reconhecida em planejamento orçamentário, avaliação fiscal e controle de despesas — inclusive com a indicação ao TCU. Na prática, o que propõe para tornar a gestão pública mais eficiente e transparente, e como medir esses resultados de forma objetiva, sem retórica?

    Hugo Leal: A gestão pública brasileira precisa superar a cultura de avaliar políticas apenas pelo volume de recursos previstos no orçamento, porque o cidadão não é atendido por uma dotação orçamentária, mas pela transformação dessa dotação em serviço efetivamente prestado. Por isso defendo um acompanhamento que permita saber, de maneira transparente, quanto foi autorizado, empenhado, pago, executado fisicamente e, sobretudo, o resultado produzido. Essa lógica precisa valer para qualquer ação que utilize financiamento com dinheiro público. É por isso que nunca utilizei, não vou utilizar e sou contra as chamadas emendas pix.

    Quando financiamos equipamentos para a agricultura, por exemplo, precisamos saber quantos produtores foram efetivamente beneficiados, quantos quilômetros de estradas vicinais passaram a ser atendidos e qual impacto aquele equipamento produziu sobre a capacidade operacional do município. Quando apoiamos um programa social, é necessário acompanhar quantas pessoas ingressaram, qual serviço receberam e que resultado foi alcançado. Quando investimos em mobilidade, precisamos medir redução de tempo de deslocamento, segurança, capacidade viária e impacto econômico. Quando buscamos recursos adicionais para a saúde, é necessário verificar se eles se converteram em ampliação de atendimento, redução de filas, novos procedimentos e melhores condições de funcionamento da rede. É dessa forma que uma administração consegue distinguir gasto de investimento e, principalmente, identificar quais programas precisam ser ampliados, reformulados ou eventualmente substituídos.

    Quando afirmamos que já são mais de R$ 770 milhões destinados ao Estado do Rio de Janeiro, esse número precisa estar associado à capacidade de demonstrar onde esses recursos foram aplicados, quais municípios foram beneficiados, em quais áreas e com quais resultados. E é preciso mostrar também aquilo que foi conquistado para além das emendas, porque a capacidade de buscar recursos adicionais, destravar investimentos federais e fazer com que os municípios tenham acesso a programas da União também é resultado do trabalho parlamentar. Para mim, eficiência não significa simplesmente gastar menos; significa garantir que cada real público produza o maior benefício possível para a sociedade, com planejamento, transparência, acompanhamento e responsabilidade fiscal.

    6.Posicionamento político e governabilidade

    Em um cenário de fragmentação partidária e de um PSD que negocia espaço no governo, como você pretende se posicionar em um eventual novo mandato — como base de sustentação, oposição ou protagonista de pautas próprias? E como avalia a relação atual entre os Poderes?

    Hugo Leal: Minha atuação nunca foi organizada pela lógica simplista de apoiar ou combater qualquer governo de maneira automática, porque acredito que o papel de um parlamentar é avaliar cada questão à luz do interesse público, das suas convicções e, no meu caso, de um compromisso muito claro com o Estado do Rio de Janeiro. Aquilo que for positivo para o país, para o Rio e para os municípios terá meu apoio; aquilo que representar prejuízo ao Estado ou contrariar princípios que considero fundamentais encontrará uma posição crítica e independente. Essa capacidade de diálogo não significa ausência de posição, mas justamente maturidade para construir soluções.

    O PSD possui uma tradição de diálogo e liberdade que considero importante, especialmente num momento em que o país necessita reduzir a lógica permanente de confronto e recuperar a capacidade de produzir consensos mínimos em torno de temas essenciais. Quero continuar sendo um parlamentar capaz de conquistar benefícios à população com diferentes governos, sem abrir mão da independência necessária para defender o Rio sempre que seus interesses estiverem em jogo.

    Quanto à relação entre os Poderes, acredito que o país precisa recuperar cada vez mais o equilíbrio institucional previsto na Constituição. Executivo, Legislativo e Judiciário possuem funções próprias, e a democracia funciona melhor quando existe diálogo, mas também respeito aos limites e às competências de cada Poder. Nenhuma instituição deve buscar substituir permanentemente outra.

    7.Comunicação e relação com o eleitor

    A comunicação política mudou profundamente, e você disputa espaço em um estado de alta densidade eleitoral. Como pretende dialogar com o eleitorado — especialmente os mais jovens — sem abrir mão do debate substantivo de políticas públicas que caracteriza a imprensa especializada?

    Hugo Leal: Eu não acredito que falar com os jovens signifique reduzir o conteúdo ou transformar política em uma sucessão de frases de efeito. O que a nova geração exige é justiça, transparência e atenção à realidade das pessoas. São fatores que na minha juventude nós buscávamos também. As “Diretas Já” eram imbuídas desse mesmo espírito. O desafio da atualidade é conseguir vencer a polarização e explicar em um minuto aquilo que demanda uma hora, mantendo profundidade e consistência.

    O nosso trabalho possui uma característica que facilita essa comunicação porque existe muito resultado concreto que pode ser demonstrado. Se destinamos um equipamento agrícola para determinado município, podemos mostrar onde ele está e de que maneira está sendo utilizado; se existe um núcleo do ECOAR, podemos apresentar as pessoas atendidas e os resultados produzidos; se estamos discutindo uma concessão rodoviária ou ferroviária, podemos mostrar exatamente no mapa onde existe um problema e qual solução estamos cobrando; se determinada entidade assistencial recebeu apoio, podemos apresentar o serviço que ela consegue manter graças àquele recurso; e assim por diante. Essa é uma comunicação muito mais interessante do que simplesmente afirmar que alguma coisa foi feita, porque permite ao cidadão acompanhar, conferir e cobrar.

    A questão dos helicópteros no Rio de Janeiro é um exemplo muito claro desse tipo de atuação. O crescimento expressivo das operações aéreas, especialmente dos voos panorâmicos, trouxe preocupações relacionadas à segurança operacional, ao ruído, à qualidade de vida dos moradores, às rotas utilizadas e à capacidade de fiscalização do poder público. Tenho atuado para provocar ANAC, DECEA e demais autoridades responsáveis, buscando maior controle, integração entre os órgãos, fiscalização mais efetiva e punição dos infratores. É um tema que exige equilíbrio, porque a atividade econômica é legítima, mas precisa conviver com segurança, fiscalização e respeito às pessoas que vivem nas regiões afetadas.

    O mesmo raciocínio vale para as concessões ferroviárias, rodoviárias e aeroportuárias. Muitas vezes uma decisão que parece extremamente técnica, tomada por uma agência reguladora ou prevista em um contrato de concessão, altera profundamente a vida de uma comunidade. É obrigação do parlamentar fazer essa tradução entre o grande contrato nacional e o impacto local, defendendo que as necessidades da população sejam atendidas. Quero que essa atuação seja cada vez mais transparente, permitindo que o cidadão acompanhe desde a identificação do problema até a cobrança feita ao órgão responsável e, posteriormente, o resultado obtido. Quem acompanha nossas redes sociais ao longo dos anos pode verificar que percorremos permanentemente o Estado do Rio, visitando municípios de todas as regiões, conversando com a população, entidades, prefeitos, vereadores, produtores, hospitais e instituições e levando essas demandas para Brasília. Essa presença contínua é parte do método de trabalho do mandato, porque somente quem está no território consegue compreender determinados problemas em toda a sua dimensão. A rede social, nesse sentido, não deve servir apenas para divulgar uma agenda, mas também para permitir que qualquer pessoa acompanhe a regularidade dessa atuação, compare o que foi reivindicado com aquilo que posteriormente foi entregue e fiscalize o próprio parlamentar.

    8.Mensagem final

    Para encerrar, se você pudesse resumir em uma frase a razão pela qual o eleitor fluminense deve renovar o seu mandato, qual seria essa mensagem?

    Hugo Leal: Porque eu quero e posso continuar fazendo a diferença para a população. Eu acredito que alguém só pode entrar na política se for para ajudar o próximo, para se indignar e tornar essa indignação uma ação que vai mudar a realidade. Estou aqui porque quero e entendo que posso me juntar com quem quer mudança e conquistar essa mudança. Cada iniciativa parlamentar do meu mandato é baseada nesse pensamento e o resultado final precisa ser a entrega do benefício para as pessoas. A minha vida pode estar tranquila, mas, se a sua não está, eu vou me juntar a você para que a sua vida melhore. Essa é a política que acredito. É por isso que eu estou aqui. Quem acompanha nosso trabalho ao longo dos anos consegue verificar essa rotina de trabalho e a constância desse pensamento. Acredito que os resultados que acumulamos são consequência direta desse método: trabalho permanente produz confiança, e confiança construída com trabalho produz resultado. Eu não me conformo com a maneira que o cidadão fluminense é tratado em diversos momentos. Meu compromisso é continuar unindo a nossa indignação e continuar trabalhando para que experiência, presença, articulação e capacidade de realização se transformem em oportunidades, desenvolvimento, segurança, serviços públicos melhores e qualidade de vida para os moradores dos 92 municípios fluminenses.

     




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