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Barra Mansa,17/07/2026

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    Pesquisa da F.MIS é apresentada em simpósio internacional na Universidade de St. Andrews, na Escócia

    As relações entre museus, patrimônio e saberes indígenas demonstra o reconhecimento da qualidade das pesquisas desenvolvidas pela instituição.


    Pesquisa da F.MIS é apresentada em simpósio internacional na Universidade de St. Andrews, na Escócia

    Pesquisa da F.MIS é apresentada em simpósio internacional na Universidade de St. Andrews, na Escócia

    A Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro esteve representada no Simpósio Internacional EDGES 2026, realizado na Universidade de St. Andrews, na Escócia, por meio da coordenadora do setor de Pesquisa Cultural da instituição, Natasha Ferrão. Durante o encontro, a pesquisadora apresentou o trabalho “Searching for the Image Through the Word: Indigenous Entanglements in the Photographic Collections of Augusto Malta and Ronaldo Câmara at Museum of Image and Sound Foundation of Rio de Janeiro”, destacando a importância da curadoria compartilhada e da participação dos povos originários na construção de novas leituras sobre as coleções fotográficas preservadas pelos museus.

    “A participação da F.MIS em um dos mais importantes simpósios internacionais dedicados às relações entre museus, patrimônio e saberes indígenas demonstra o reconhecimento da qualidade das pesquisas desenvolvidas pela instituição. É fundamental que nossos acervos sejam permanentemente revisitados à luz de novos olhares, ampliando o diálogo com diferentes comunidades e fortalecendo práticas curatoriais baseadas na escuta, na colaboração e no respeito à diversidade cultural”, destaca o presidente da Fundação, Cesar Miranda Ribeiro.

    O estudo apresentado parte da análise das coleções fotográficas de Augusto Malta e Ronaldo Câmara, preservadas pela F.MIS, para refletir sobre como as práticas de catalogação, classificação e documentação podem influenciar a visibilidade ou a invisibilização da presença indígena nos acervos museológicos. A pesquisa propõe uma abordagem baseada na chamada “curadoria compartilhada”, valorizando a construção conjunta do conhecimento e a participação ativa dos povos indígenas na interpretação e contextualização dessas imagens.

    Ao comparar registros produzidos em diferentes períodos históricos, o trabalho evidencia como as fotografias refletem distintos contextos sociais, políticos e culturais. Enquanto as imagens de Augusto Malta dialogam com os processos de modernização urbana do início do século XX, as fotografias de Ronaldo Câmara aproximam o olhar dos territórios, dos corpos e das práticas culturais indígenas, permitindo novas possibilidades de interpretação sobre a representação desses povos nos acervos institucionais.

    “Eu era repórter da revista O Cruzeiro e, em 1968, fui à Amazônia para produzir uma reportagem. Depois, em 1974, me tornei piloto de helicóptero e passei mais de dez anos viajando pela região, conhecendo profundamente a Amazônia. Permaneci durante três semanas convivendo com esse povo indígena para realizar a reportagem, uma experiência de muito aprendizado. Fico muito orgulhoso de ver essas fotografias desbravando o mundo. Um trabalho importante como esse merece esse reconhecimento”, afirma o fotógrafo Ronaldo Câmara.

    “As coleções fotográficas da F.MIS utilizadas na pesquisa apresentada têm como principal contribuição lançar um novo olhar sobre os povos originários, dando-lhes o devido protagonismo e contribuindo para uma reparação histórica. Destaca-se, especialmente, a coleção do fotógrafo Ronaldo Câmara, que dedicou parte significativa de seu trabalho aos povos indígenas, realizando uma imersão junto às comunidades Araras e Beiços de Pau. São registros imagéticos de enorme relevância quando se trata de resistência, identidade e protagonismo dos povos originários, promovendo um verdadeiro reencontro ancestral”, afirma a coordenadora do setor Iconográfico da F.MIS, Daiane Lopes, responsável pela curadoria das fotografias.

    A pesquisa também destaca a necessidade de revisar modelos tradicionais de gestão de coleções, propondo que os museus avancem para práticas mais colaborativas e plurais, capazes de promover reparações históricas, fortalecer diferentes perspectivas de conhecimento e aproximar os acervos das comunidades às quais esses patrimônios estão diretamente relacionados.

    Realizado na Universidade de St. Andrews, a mais antiga da Escócia e uma das mais tradicionais do Reino Unido, o Simpósio Internacional EDGES reúne pesquisadores e profissionais de diversos países para discutir as relações entre instituições culturais, conhecimentos indígenas e práticas museológicas contemporâneas. A edição de 2026 teve como foco o fortalecimento de abordagens colaborativas e decoloniais na produção do conhecimento e na preservação do patrimônio cultural.

    A participação da F.MIS no simpósio mantém o compromisso da instituição com a pesquisa científica, a inovação museológica e a internacionalização de suas ações. A Fundação contribui para o debate internacional sobre preservação, memória e representatividade, consolidando seu papel como referência na produção e difusão do conhecimento sobre o patrimônio cultural brasileiro.




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