Apple vai gastar US$ 30 bilhões para fabricar chips nos EUA

Resumo
A Apple anunciou nesta quarta-feira (08/07) um acordo bilionário com a Broadcom para projetar e produzir chips personalizados nos Estados Unidos. Avaliado em mais de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 155 bilhões, em conversão direta), a parceria é um passo importante para criar uma cadeia de suprimentos nacional. A expectativa é de que mais de 15 bilhões de componentes sejam fabricados localmente até 2031.
O contrato representa o maior investimento já feito pela Apple dentro do seu Programa de Manufatura Americana (AMP), iniciativa lançada em 2025. Como contrapartida, a Broadcom vai injetar US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões) para expandir e modernizar sua fábrica em Fort Collins, no Colorado. É de lá que sairão os hardwares de conectividade que vão equipar os próximos eletrônicos da Maçã.
No comunicado, o CEO da Apple, Tim Cook, celebrou o histórico de colaboração entre as gigantes e afirmou que a parceria acelera a inovação nos EUA. Do outro lado, o CEO da Broadcom, Hock Tan, destacou que o investimento vai sustentar centenas de empregos diretos na região. Há poucos dias, a Broadcom também anunciou, junto com a OpenAI, o Jalapeño, primeiro de chip de IA da dona do ChatGPT.
Quais são os chips que a Broadcom vai fabricar nos EUA?

A Broadcom será responsável por fabricar pequenos componentes, como os filtros FBAR, que permitem aos dispositivos receber e enviar sinais de rádio. São esses módulos que garantem o funcionamento do 5G, do GPS, do Bluetooth e das conexões Wi-Fi no iPhone ou iPad, por exemplo.
A relação entre as duas companhias é de dependência mútua. Para se ter uma ideia, a fabricante do iPhone responde por cerca de 20% de toda a receita anual da Broadcom. Mesmo com a Apple investindo pesado na criação de seus próprios modems de conectividade, como vimos com o chip C1 no iPhone 16e, a empresa de Cupertino ainda precisa da engenharia e das patentes da parceira.
Estratégia para nacionalizar a produção
O movimento da Apple faz parte de uma promessa ousada: injetar US$ 600 bilhões (mais de R$ 3 trilhões) na economia americana ao longo de quatro anos. A cifra astronômica já ajudou a Maçã a garantir isenções nas tarifas comerciais impostas pelo governo Trump, que tem pressionado as empresas a trazerem suas linhas de produção de volta ao país.
Para montar uma cadeia de suprimentos 100% americana, a Apple tem costurado acordos com outros nomes de peso na indústria. A companhia já se comprometeu a comprar chips da nova unidade que a gigante TSMC está construindo no estado do Arizona e, para fechar o cerco e reduzir a dependência das indústrias asiáticas, também teria fechado uma parceria com a Intel para fabricar parte dos seus semicondutores nos EUA.
Apple vai gastar US$ 30 bilhões para fabricar chips nos EUA




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