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Barra Mansa,06/07/2026

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    JJ

    As únicas certezas do dia

    Quando o Brasil voltar a jogar como Brasil?


    As únicas certezas do dia

    As únicas certezas do dia

    Por JJ

    As únicas certezas que eu tinha ontem eram duas. A primeira, que para cada xícara de arroz são necessárias três xícaras de água. A segunda, que o Brasil voltaria mais cedo para casa.

    A Seleção Brasileira não fez uma boa Copa do Mundo. Teve um ciclo atrapalhado, é verdade. Mas essa não é toda a explicação. A história recente da Seleção está cheia de ciclos considerados bons, alguns até excelentes, que terminaram em frustração. Foi assim em 2006, 2010, 2014, 2018, 2022... Planejamento, estrutura e expectativa nunca foram garantia de taça.

    O brasileiro médio entende muito menos de futebol do que imagina. A maioria embarca na narrativa da imprensa e vive à procura de um salvador da pátria. Em um mês é Endrick, no outro é Rayane, depois surge Danilo Santos. Sempre existe um novo herói para resolver, sozinho, problemas que pertencem ao coletivo.

    Boa parte dos comentaristas, principalmente os que foram jogadores, salvo honrosas exceções, é corporativista. Protege os amigos, os parças, trata atletas como intocáveis e raramente faz uma análise que enxergue um palmo além do próprio nariz.

    Já muitos dos chamados jornalistas parecem mais preocupados em agradar patrocinadores do que em informar. Hoje, boa parte desse mercado gira em torno das casas de apostas. Uma promiscuidade que empobrece o debate e transforma o futebol em produto, quando deveria continuar sendo paixão.

    O treinador é competente. O problema é que esta geração não possui um fora de série. Há bons jogadores, alguns muito bons, mas nenhum daqueles capazes de mudar o rumo da história apenas com a bola nos pés. O caminho é reconstruir. Com humildade, capricho, planejamento e paciência.

    Depois de uma derrota, sempre aparece a caça às bruxas. Procura-se um culpado, um vilão, alguém para carregar o peso do fracasso. Foi assim com Roberto Carlos em 2006, por estar arrumando as meias. Desta vez também haverá quem queira apontar um dedo. Mas quem analisar com honestidade perceberá que o futebol é mais simples do que isso. Nele se ganha, se perde e se empata.

    Perdemos porque o adversário foi melhor. É preciso reconhecer isso sem vergonha. Humildade também faz parte do esporte.

    Os europeus hoje são superiores, sobretudo porque insistimos em imitá-los. Tentamos jogar como eles, copiar seus modelos, seus conceitos e até seu jeito de formar atletas. Nesse caminho, fomos deixando de ser aquilo que sempre nos tornou diferentes.

    O Brasil nunca encantou o mundo por parecer europeu. Encantou justamente por ser brasileiro.

    Talvez esteja aí a maior derrota de todas. Não a eliminação, mas o abandono da nossa identidade.

    Quando o Brasil voltar a jogar como Brasil, talvez volte também a vencer a Europa.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira 




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