Acordem, diz presidente da Microsoft ao setor de IA

Resumo
Brad Smith, presidente da Microsoft, publicou um extenso alerta sobre os recentes protestos de estudantes universitários contra a inteligência artificial. Para o executivo, os líderes do setor de tecnologia não podem desprezar essas manifestações, mas tampouco devem deixar de apostar na IA.
Os tais protestos dizem respeito às vaias que estudantes deram à IA em cerimônias de formatura realizadas recentemente. Em um desses episódios, Eric Schmidt, ex-CEO do Google, foi vaiado ao falar sobre os avanços da inteligência artificial para formandos da Universidade do Arizona.
Em seu texto, Smith dá a entender que essas manifestações não o surpreenderam. O executivo destacou que, nas últimas décadas, as gerações mais jovens lideraram a adoção de tecnologias digitais, mas agora, sentem-se ameaçadas antes mesmo de terem a chance de desenvolver o seu potencial.
Explica-se: é comum que recém-formados assumam cargos de iniciantes ou que demandam pouca ou nenhuma experiência; as automações proporcionadas pela IA tendem a substituir justamente esses tipos de emprego, ainda que funções que exijam mais habilidades também possam ser afetadas.
Smith também reconheceu que os jovens não são contrários à IA, mas ao uso desmedido desse tipo de tecnologia:
Estudantes e formandos reconhecem os benefícios da IA. Mas querem que a IA permaneça em seu devido lugar. Eles acreditam, com razão, no papel indispensável da ação humana.
Querem que o futuro seja determinado pelos humanos, que decidem o papel das máquinas, e não pelas máquinas, que decidem o papel dos humanos.
E querem que essas decisões reflitam a opinião de uma ampla comunidade, especialmente da próxima geração da força de trabalho, e não apenas de um pequeno grupo de elites.
Brad Smith, presidente da Microsoft

O que Brad Smith sugere?
O presidente da Microsoft não apresentou nenhuma solução para esse, digamos, impasse. O executivo apenas pediu para que os líderes do setor ouçam as manifestações e tentem encontrar pontos de equilíbrio:
Os formandos de hoje já enfrentaram muita coisa. Passaram grande parte do colégio vivendo uma pandemia, estudando e socializando em casa por meio de telas. São nativos digitais, com todos os prós e contras que as redes sociais, dispositivos móveis onipresentes e outras tecnologias criaram. Agora, a IA está chegando e eles temem que empregos comecem a desaparecer.
(…) A saída está em refletir sobre isso. Uma boa maneira de começar é considerar algumas das percepções que já surgiram. Para cada um de nós individualmente. Para empresas e organizações. E para a sociedade.
Brad Smith, presidente da Microsoft
Para os estudantes — ou para qualquer pessoa que observa os avanços da IA com um olhar mais crítico — o discurso de Smith pode não ser bem-vindo, afinal, reconhecer um problema é importante, mas, para alguém na posição dele, é de se esperar que propostas práticas de solução sejam apresentadas.
Apesar disso, é possível que o cargo que Brad Smith ocupa na Microsoft possa, em algum nível, influenciar outros líderes do setor a olharem para a IA não só do ponto de vista técnico, mas social, tornando o futuro menos preocupante para quem está chegando ao mercado de trabalho.
O texto de Brad Smith está disponível neste blog da Microsoft.
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