A Fundação MIS e o olhar para a preservação cinematográfica nacional
Preservar é muito mais do que guardar.
A Fundação MIS e o olhar para a preservação cinematográfica nacional
Preservar é muito mais do que guardar. Preservar significa garantir que a memória audiovisual de um povo continue acessível, permitindo que futuras gerações compreendam sua história, seus costumes, seus desafios e suas formas de expressão artística. Cada filme produzido representa um fragmento da identidade cultural de uma época. É por meio dessas imagens e sons que se constrói um importante registro da sociedade, reunindo fatos reais, interpretações artísticas, sonhos e imaginários coletivos.
A preservação cinematográfica deve ser entendida como uma ação estratégica e permanente. Restaurar uma obra audiovisual é um processo complexo, demorado e de elevado custo financeiro. Em muitos casos, os gastos necessários para recuperar materiais degradados superam as possibilidades de seus produtores ou detentores dos direitos. Por essa razão, especialistas da área concordam que preservar adequadamente é mais eficiente e economicamente viável do que restaurar posteriormente.
A história mundial demonstra os riscos da negligência. Estima-se que mais de 75% dos filmes mudos produzidos nos Estados Unidos tenham sido perdidos para sempre em razão da deterioração dos suportes originais, incêndios e descarte inadequado. Em diversos países, políticas de preservação passaram a ser consideradas prioritárias justamente após a constatação dessas perdas irreparáveis.
No Brasil, os desafios ainda são significativos. A dimensão continental do país, a diversidade dos suportes audiovisuais e a necessidade constante de atualização tecnológica exigem investimentos permanentes. Nos últimos anos, o Ministério da Cultura instituiu o Programa de Preservação do Audiovisual Brasileiro, fortalecendo ações voltadas à salvaguarda do patrimônio audiovisual nacional e à criação de uma rede de arquivos especializados.
A Cinemateca Brasileira, principal instituição de preservação audiovisual do país, mantém o maior acervo cinematográfico da América do Sul. Sua coleção reúne aproximadamente 60 mil títulos audiovisuais e cerca de 200 mil rolos de filmes, constituindo um dos mais importantes patrimônios culturais brasileiros. A instituição desempenha papel fundamental na conservação, catalogação, digitalização e difusão da memória cinematográfica nacional.
Nesse contexto, a Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro reafirma sua relevância histórica e cultural. Com um acervo que reúne quase 10 mil filmes preservados, muitos já digitalizados e outros mantidos em diferentes suportes para consulta e segurança, a instituição demonstra que a guarda responsável e a atualização constante das mídias representam o caminho mais seguro para a preservação da memória audiovisual.
A experiência internacional e nacional comprova que a digitalização, embora fundamental, não substitui a preservação dos materiais originais. Os suportes físicos continuam sendo fontes primárias insubstituíveis para futuras tecnologias de restauração e pesquisa. Por isso, a combinação entre conservação física, digitalização, catalogação e monitoramento contínuo constitui a prática mais adequada para a proteção do patrimônio audiovisual.
Ao preservar seus acervos cinematográficos, o MIS não apenas protege filmes. Preserva histórias, trajetórias profissionais, registros urbanos, manifestações culturais e a própria memória da sociedade brasileira. Cada obra preservada representa uma oportunidade para que pesquisadores, estudantes, cineastas e cidadãos possam compreender melhor o passado e construir, com maior consciência, o futuro.
A preservação audiovisual não é apenas uma responsabilidade institucional. É um compromisso com a cultura, com a educação e com a identidade nacional. Nesse sentido, a Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro cumpre uma missão essencial: assegurar que a memória audiovisual brasileira continue viva, acessível e significativa para as gerações futuras.
Cesar Miranda Ribeiro - Presidente da F.MIS




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