Seja bem-vindo
Barra Mansa,19/10/2026

    • A +
    • A -
    Publicidade

    JJ

    Impossible!

    Eu custei a acreditar quando me contaram.


    Impossible!

    Impossible!

    Por JJ

    Eu custei a acreditar quando me contaram. Fui atrás e encontrei a fotografia: um míssil inflável, branco, exibindo, em letras garrafais, a mensagem “TRUMP NUKE BRAZIL”. Uma imagem grotesca, de uma obscenidade política que ultrapassa os limites do ridículo. Não se trata apenas de uma provocação de mau gosto, mas de uma representação simbólica da submissão de brasileiros à ideia de que uma potência estrangeira possa ameaçar, intimidar ou subjugar o próprio país. Há algo de profundamente doentio nessa celebração da ameaça contra a pátria que se diz amar.

    Não há mais máscaras, nem disfarces suficientemente convincentes. O apoio de Flávio Bolsonaro a Donald Trump e a convergência de seus projetos políticos levantam uma questão incontornável: que espécie de nacionalismo é esse que se ajoelha diante de interesses estrangeiros? Aos autoproclamados patriotas que aplaudem essa lógica, resta uma contradição monumental: vestem as cores do Brasil, mas parecem dispostos a aceitar sua humilhação quando ela serve aos desígnios de Washington. Se tanto desprezam a própria soberania, que abandonem a retórica nacionalista e assumam, sem hipocrisia, a devoção política que professam. O que não podem é transformar a bandeira brasileira em mero adereço de uma lealdade que aponta para fora.

    A história conhece bem os que, por convicção ou conveniência, se prestam a servir aos interesses de uma potência contra os interesses de seu próprio povo. O nome político dessa postura é entreguismo; sua consequência, a erosão da soberania; seu resultado, a subordinação de um país que deveria decidir o próprio destino. A atuação consciente ou inconsciente como quinta-coluna de um projeto imperial não se torna menos grave porque seus protagonistas vestem camisas da Seleção ou se emocionam diante do hino nacional. Patriotismo não é fantasia, muito menos espetáculo. É compromisso inegociável com a dignidade, a autonomia e o futuro do Brasil.

    A fotografia me provocou nojo, indignação e uma repulsa difícil de disfarçar. Não por representar um adversário político, mas por banalizar a ideia de que o Brasil possa ser bombardeado por uma potência estrangeira e por converter essa possibilidade em instrumento de provocação política. É uma vergonha que exige mais do que indignação passageira: exige reflexão sobre o país que estamos construindo e sobre o preço que aceitamos pagar pela submissão ideológica. Afinal, a disputa diante de nós não é apenas entre candidatos, partidos ou famílias políticas. É entre dois projetos de nação: um que reivindica soberania, dignidade e autodeterminação; outro que flerta com a tutela estrangeira e trata a independência nacional como obstáculo descartável.

    Não é possível aceitar que o amor ao Brasil seja sequestrado por aqueles que parecem tolerar sua humilhação desde que ela venha embalada na bandeira de seus ídolos estrangeiros. A democracia comporta divergências profundas, mas nenhuma divergência exige renunciar à dignidade nacional. O Brasil não nasceu para ser quintal de império algum, nem seu povo foi destinado a assistir, de joelhos, ao espetáculo de sua própria desmoralização. Que os responsáveis por essa afronta compreendam a dimensão histórica de suas escolhas: a soberania não é concessão de Washington, e a pátria não é propriedade de uma família, de um partido ou de um governante estrangeiro. O povo brasileiro haverá de derrotar esse projeto. Porque, acima de qualquer ambição pessoal ou servidão ideológica, permanece uma verdade essencial: o Brasil pertence aos brasileiros.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




    COMENTÁRIOS

    LEIA TAMBÉM

    Buscar

    Alterar Local

    Anuncie Aqui

    Escolha abaixo onde deseja anunciar.

    Efetue o Login

    Baixe o Nosso Aplicativo!

    Tenha todas as novidades na palma da sua mão.