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Barra Mansa,17/10/2026

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    JJ

    Nas Ruas, Nas Redes todos os Dias até o Fim!

    A mobilização é o que nos resta — e também é a nossa maior força.


    Nas Ruas, Nas Redes todos os Dias até o Fim!

    Nas Ruas, Nas Redes todos os Dias até o Fim!

    Por JJ

    A campanha de Bolsonaro aposta na desinformação, na distorção dos fatos e na exploração política do medo. Flávio Bolsonaro tem feito declarações sobre o caso Vorcaro, o Pix, as aposentadorias e o salário mínimo que precisam ser confrontadas com os fatos, os documentos e as contradições de seu próprio discurso. Quando um candidato apresenta versões convenientes, omite informações relevantes e transforma suspeitas em certezas para atacar adversários, não estamos diante de um debate político sério, mas de uma estratégia que ameaça o direito da população de decidir com base na verdade.

    A contradição fica ainda mais evidente quando o discurso de patriotismo é colocado à prova. Flávio Bolsonaro diz defender as riquezas nacionais e rejeitar a entrega das terras raras brasileiras aos Estados Unidos, mas seus compromissos de alinhamento político com Washington, inclusive a anunciada disposição de submeter a transição de um eventual governo à influência de Marco Rubio, levantam sérias dúvidas sobre sua autonomia e seu compromisso com a soberania nacional. Não se pode defender o Brasil apenas nos palanques enquanto se sinaliza submissão a interesses estrangeiros. E é impossível ignorar o papel que, na minha avaliação, vêm desempenhando veículos como Globo, Bandeirantes, Veja, Folha de S.Paulo, Estadão, Jovem Pan e UOL, cuja cobertura frequentemente me parece marcada por uma oposição sistemática a Lula e por um tratamento mais favorável à candidatura Bolsonaro. Essa percepção precisa ser confrontada com a análise das manchetes, do tempo de exposição, das escolhas editoriais e dos critérios usados para cobrar cada lado.

    A desinformação torna-se ainda mais grave quando quem propaga acusações sem sustentação suficiente recorre à Justiça para acusar os adversários de disseminar fake news. A regra precisa ser a mesma para todos: quem acusa deve apresentar provas, quem divulga informações deve responder por elas e quem comete erros deve corrigi-los. Não podemos aceitar que o combate à mentira seja transformado em arma seletiva para intimidar críticos, silenciar denúncias ou tentar estabelecer quem tem o direito de falar. Democracia não combina com dois pesos e duas medidas.

    E chegamos às pesquisas eleitorais, um capítulo que exige muito mais rigor e espírito crítico da nossa parte. Pesquisa não é urna, não é profecia e muito menos autorização para desistir. Quando os números nos favorecem, há quem tente transformá-los em ilusão de vitória antecipada; quando nos colocam atrás, os mesmos números são apresentados como prova de uma derrota inevitável. Manchetes alarmistas, recortes convenientes e interpretações interessadas podem produzir desmobilização antes mesmo de a disputa ser decidida. Precisamos cobrar transparência sobre metodologia, amostragem, margem de erro e evolução das séries históricas, sem tratar qualquer levantamento isolado como verdade absoluta. Não podemos ser ingênuos diante do uso político dos números, mas também não devemos rejeitar automaticamente toda pesquisa que contrarie nossas expectativas.

    O objetivo de uma campanha não pode ser alimentar euforia artificial nem espalhar pessimismo. Deve ser organizar, esclarecer, convencer e ampliar nossa capacidade de diálogo com quem ainda está indeciso. Cada pesquisa precisa servir para identificar dificuldades, compreender resistências e corrigir rumos, nunca para justificar acomodação. Se estamos atrás, temos de trabalhar mais; se estamos na frente, temos de trabalhar ainda mais. A disputa não se ganha com indignação nas redes sociais, mas com presença nas ruas, conversas nos bairros, mobilização nos locais de trabalho e disposição para ouvir quem pensa diferente.

    É difícil fazer campanha nessas condições, mas é justamente por isso que não podemos recuar. A mobilização é o que nos resta — e também é a nossa maior força. Precisamos ocupar as ruas, conversar com os indecisos, desmontar as mentiras com fatos, defender as conquistas sociais e mostrar, com argumentos e coragem, o Brasil que queremos construir. Não podemos entregar a vitória ao adversário antes de a população decidir. Cada conversa importa, cada militante faz diferença, cada voto precisa ser conquistado. O desânimo interessa a quem quer nos ver parados; a esperança, quando se transforma em organização e luta, pode mudar o rumo de uma eleição.

    Por isso, é hora de transformar a preocupação em ação e a indignação em compromisso. Não esperemos que a imprensa reconheça nossos argumentos, que as pesquisas nos deem tranquilidade ou que nossos adversários facilitem o caminho. Vamos à luta, com os pés no chão, os olhos abertos e a disposição de quem sabe que nenhuma eleição está decidida enquanto houver votos a conquistar. O que nos resta é mobilizar, esclarecer, convencer e persistir. E é exatamente isso que precisamos fazer, juntos, todos os dias, até o último voto.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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