JJ
A Globo e a Cilada
A Rede Globo, sabe-se lá por quê, mas desconfinha-se, resolveu, como de costume, fazer das suas.
A Globo e a Cilada
Por JJ
A Rede Globo, sabe-se lá por quê, mas desconfinha-se, resolveu, como de costume, fazer das suas. Não é de hoje que alertamos sobre a sua parcialidade na cobertura das eleições. O foco editorial da emissora e de grande parte da mídia corporativa parece ser o de desmoralizar e confrontar os tribunais superiores de Justiça do país, engrossando o coro da extrema direita brasileira e mundial contra o imperfeito e limitado poder que tem exercido, com alguns equívocos, o papel fundamental de manter em funcionamento a nossa democracia. Atacada pelos golpistas, vilipendiada pelos bolsonaristas e enlameada pelo jornalismo marrom da Rede Globo. Jornalismo que assumiu descaradamente, no dia de ontem, o papel rasteiro de procurar beneficiar o candidato mais comprometido com a interferência indevida dos EUA nas eleições deste ano.
Lula, que corretamente tinha se negado a participar da armadilha, do teatro montado contra si, já vinha sendo alvo de pressões e críticas duras. Como se fosse alguma novidade faltar a debates eleitorais. Ora, FHC não participou de nenhum debate e não me lembro de uma linha nos editoriais da emissora criticando-o à época. Mas, bem, difundiram que iriam usar o espaço para criticar Lula. Olhe só: Lula não estaria presente, não poderia se defender, e teriam os presentes tempo para se dirigir a um ausente. Que coisa esdrúxula! Corretamente, a ministra do TSE, após provocada, interveio e colocou regras civilizatórias e republicanas no encontro. E é precisamente esse o papel institucional da Justiça Eleitoral: não permitir que o poder econômico, o poder midiático ou a conveniência de qualquer candidatura se sobreponham às regras que devem valer para todos.
E ainda a Globo, não se sabe ainda por quê, mas desconfinha-se, negou o direito do terceiro ou quarto colocado nas pesquisas de participar. Prontamente, ao ser provocado pelo Solidariedade, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que ele fosse incluído.
E aqui é preciso dizer com todas as letras: defender o TSE não significa considerar suas decisões infalíveis, nem transformar ministros em figuras acima de críticas. Significa reconhecer que, em uma democracia, cabe à Justiça Eleitoral aplicar a legislação, arbitrar conflitos e assegurar que os concorrentes disputem em condições juridicamente estabelecidas. Quando uma emissora poderosa contesta uma decisão judicial, tem todo o direito de fazê-lo pelos meios legais. O que não pode é transformar a autoridade institucional da Justiça Eleitoral em inimiga da democracia simplesmente porque uma decisão contrariou seus interesses editoriais.
E aí apareceu nitidamente a manobra da Globo em parceria com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Não era debate, era uma cilada!
Sem poder esculhambar Lula e tendo que encarar seu desafeto à direita, foi demais para o inóspito Flávio, que se retirou, como sempre, deblaterando-se em bazofias tonitroantes.
E a emissora, com receio de ser humilhada pela excelente sacada de Lula em participar do podcast Flow, que chegou a nove milhões de espectadores, cancelou o debate. Revelando a sua real intenção.
O episódio mostra também algo que não deveria ser esquecido: nenhuma empresa de comunicação, por maior que seja sua audiência, pode reivindicar para si a prerrogativa de estabelecer unilateralmente as regras de uma disputa eleitoral quando essas regras são submetidas ao controle da Justiça Eleitoral.
É justamente por isso que a defesa institucional do TSE se torna tão importante. O Tribunal Superior Eleitoral não é um adversário político, não é partido e não é candidato. É uma instituição do Estado brasileiro encarregada de zelar pela regularidade do processo eleitoral. Pode e deve ser criticado quando houver razões jurídicas ou administrativas para isso, mas a crítica não pode servir de pretexto para deslegitimar a própria existência das regras eleitorais. Em tempos de ataques sistemáticos às instituições, defender a autoridade constitucional da Justiça Eleitoral é defender o princípio elementar de que ninguém, nem candidato, nem partido, nem grupo econômico, nem conglomerado de comunicação, está acima das regras que organizam a disputa democrática. A Globo pode ter sua opinião, seus editoriais e seus interesses empresariais. O TSE tem uma missão institucional muito maior: garantir que a eleição obedeça às regras republicanas.
O fato é que, no próximo domingo, será percebido o quanto essa eleição transcorre dentro deste cenário único e complexo e quem será vitorioso. O que me parece é que as eleições não terminarão neste domingo após a apuração, mesmo se houver um vencedor nesse primeiro turno.
A ver!
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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