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Barra Mansa,02/10/2026

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    JJ

    To Be Ir Not

    É natural que jornalistas e comentaristas defendam a presença de Lula.


    To Be Ir Not

    To Be Ir Not

    Por JJ

    Eu não tenho dúvidas de que existe um argumento consistente para que Lula não participe do último debate promovido pela Rede Globo. O problema não está na existência do debate, muito menos no direito de os candidatos confrontarem suas ideias. O problema está no formato. Em um programa rigidamente dividido por tempos, regras e intervenções, dificilmente um candidato consegue apresentar de maneira minimamente aprofundada um programa de governo. Em compensação, uma resposta atravessada, uma frase mal colocada ou um momento de hesitação pode transformar-se no principal assunto da noite. O debate, assim, corre o risco de deixar de ser uma oportunidade para explicar propostas e transformar-se em uma sucessão de confrontos destinados a produzir imagens e cortes para a televisão e as redes sociais.

    É natural que jornalistas e comentaristas defendam a presença de Lula. Afinal, os debates fazem parte da tradição das campanhas eleitorais e possuem reconhecida importância no processo democrático. Também é compreensível que pessoas progressistas, acostumadas a valorizar a participação nesses espaços, considerem a ausência um erro. Mas tradição não deve substituir avaliação concreta das circunstâncias. A pergunta fundamental é simples: esse debate permitirá que Lula explique aquilo que pretende fazer no próximo governo ou oferecerá principalmente aos adversários uma oportunidade de concentrar ataques contra sua candidatura? Se a segunda hipótese prevalecer, a ausência deixa de ser uma questão de fugir ao debate e passa a ser uma escolha de comunicação política.

    Há uma razão adicional para essa preocupação. Lula é um político de grande capacidade de comunicação, mas também é conhecido por falar espontaneamente, alongar respostas e, eventualmente, tropeçar em alguma formulação. Um episódio recente envolvendo sua fala sobre exames preventivos mostrou novamente como uma declaração de poucos segundos pode ser retirada do contexto, transformada em assunto político e ocupar um espaço desproporcional em relação ao tema originalmente discutido. Em um debate de televisão, no qual cada palavra pode ser imediatamente convertida em manchete, meme ou corte para as redes sociais, um episódio dessa natureza pode obscurecer justamente aquilo que deveria ser o centro da discussão: propostas, realizações e perspectivas para o país.

    Por essa razão, uma alternativa seria aproveitar o mesmo horário para realizar um grande ato público, levando Lula para uma praça e colocando-o diante de trabalhadores, militantes, simpatizantes e, principalmente, eleitores que ainda estejam indecisos. Nesse ambiente, seria possível construir uma fala mais longa, apresentar realizações, explicar propostas e estabelecer uma comunicação menos condicionada pelo formato de perguntas e respostas rápidas. Não haveria a necessidade de transformar cada minuto em uma disputa verbal com adversários. Haveria espaço para desenvolver ideias. O debate deixaria de ser aquele produzido dentro de um estúdio e passaria a ser, simbolicamente, o debate direto com a sociedade.

    Porque, no fim das contas, o debate que realmente importa é aquele que se estabelece com o povo. Eleitores não são apenas espectadores de televisão à espera de uma frase de efeito ou de um confronto entre candidatos. São pessoas que querem saber o que será feito com o país, como serão enfrentados seus problemas e quais propostas estarão no centro do próximo governo. Se o formato televisivo não oferece espaço suficiente para essa discussão e ainda cria condições para que ataques pessoais ou episódios pontuais dominem a narrativa posterior, é legítimo que uma campanha examine outras formas de comunicação. A questão, portanto, não deveria ser simplesmente se Lula irá ou não ao debate, mas qual espaço permitirá que suas propostas sejam efetivamente apresentadas ao eleitorado.

    JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira





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