JJ
UMA NO CRAVO...
A patuleia de apedeutas
UMA NO CRAVO...
Por JJ
A patuleia de apedeutas amanheceu estupefata diante da decisão monocrática do ministro Flávio Dino que reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal às suas funções. Os mesmos que transformaram em normalidade institucional a intervenção promovida pelo ministro André Mendonça agora descobriram, subitamente, uma preocupação quase religiosa com decisões monocráticas e com os limites do Poder Judiciário. Logo entraram em cena os juristas bolsonaristas e comentaristas travestidos de técnicos para repetir, em uníssono, críticas que frequentemente revelam mais preferência política do que rigor constitucional. A questão, evidentemente, não pode ser analisada conforme a identidade de quem ocupa o Palácio do Planalto ou a conveniência eleitoral de cada decisão.
Há uma evidente operação de dois pesos e duas medidas em curso. Parte da imprensa, setores da oposição e seus intelectuais orgânicos parecem empenhados em transformar qualquer ato do governo Lula em suspeita permanente, enquanto relativizam iniciativas semelhantes quando atendem aos seus próprios interesses políticos. Narrativas frágeis, repetidas diariamente por jornais, comentaristas e redes sociais, acabam adquirindo aparência de verdade. Não se trata apenas de uma disputa jurídica sobre competências e decisões judiciais. Trata-se de uma batalha política pelo sentido dos acontecimentos e pela construção da opinião pública.
É particularmente curiosa a performance dos falsos nacionalistas. Não se escandalizam quando símbolos e lideranças estrangeiras são celebrados como referência política em manifestações brasileiras, nem demonstram a mesma indignação diante da submissão ideológica aos interesses dos Estados Unidos. Mas basta surgir qualquer debate envolvendo interesses econômicos nacionais para descobrirem, de repente, um patriotismo inflamado. É um nacionalismo de ocasião, seletivo e conveniente. Os que não veem problema em transformar a Avenida Paulista em palco de devoção política a Donald Trump querem posar de guardiões intransigentes da soberania brasileira.
Enquanto isso, pouco se fala do trabalho concreto realizado pela Polícia Federal e dos resultados de suas operações contra crimes financeiros, quadrilhas organizadas e esquemas de corrupção. A eficiência institucional parece interessar menos do que a oportunidade de produzir uma nova crise política. Há jornais capazes de minimizar os êxitos da Polícia Federal, mas generosos ao exaltar a capacidade de Flávio Bolsonaro de manter mobilizada sua base. Essa é a verdadeira disputa que está em curso: não apenas a batalha nos tribunais, mas a batalha pela narrativa. Contudo, as urnas ainda não foram abertas. Quando forem, saberemos se a repetição incessante de narrativas foi suficiente para derrotar os fatos.
JJ é Sociólogo, Jornalista, Escritor, Poeta, Internacionalista e Capoeira




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