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Barra Mansa,07/07/2026

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    Carlo Simi

    A COPA MANCHADA PELO PODER

    O que estamos vendo nesta Copa do Mundo é assustador.


    A COPA MANCHADA PELO PODER

    A COPA MANCHADA PELO PODER

    Por Carlo Simi

    Há momentos em que o futebol deixa de ser apenas futebol. E há momentos em que ele é colocado de joelhos diante da arrogância do poder.

    O que estamos vendo nesta Copa do Mundo é assustador.

    Desde o início da competição, acumularam-se denúncias de tratamento desigual a determinadas delegações, especialmente seleções africanas e países considerados pouco simpáticos ao atual governo dos Estados Unidos. O ambiente que deveria celebrar a diversidade dos povos passou a conviver com suspeitas de preconceito, discriminação e interferências incompatíveis com a grandeza do esporte.

    Mas o episódio envolvendo a punição de um jogador da seleção dos Estados Unidos levou essa preocupação a outro patamar. As notícias de bastidores sobre uma suposta articulação política para impedir que a suspensão automática fosse cumprida, se verdadeiras, representam uma das páginas mais vergonhosas da história recente do futebol. A regra existe para todos. Ou deveria existir.

    Nenhum presidente da República, por mais poderoso que seja, pode agir como se estivesse acima das instituições esportivas. Nenhum chefe de Estado pode imaginar que uma ligação telefônica tenha mais força do que o regulamento de uma Copa do Mundo.

    Como se isso já não bastasse, veio mais um gesto de absoluto desrespeito: o ataque ao árbitro brasileiro Raphael Claus. Sem apresentar qualquer prova, Donald Trump preferiu lançar suspeitas sobre a honra de um profissional que apenas cumpria sua função. É a velha estratégia de desacreditar quem não atende aos seus interesses. Ataca-se a arbitragem. Ataca-se a credibilidade da competição. Ataca-se o próprio futebol.

    Mas existe uma justiça que nenhum governante consegue controlar.

    A justiça do campo.

    A justiça da bola.

    A justiça construída pelos onze jogadores que entram para disputar uma partida sem telefones, sem gabinetes e sem privilégios.

    E ela veio de forma contundente.

    A Bélgica respondeu dentro das quatro linhas com um impiedoso 4 a 1. A goleada foi muito mais do que um resultado esportivo. Foi uma resposta simbólica à pretensão de quem acredita que o poder político pode reescrever as regras do jogo. Os Estados Unidos caíram de quatro diante da superioridade belga, numa imagem que acabou simbolizando a própria irracionalidade, a arrogância e o autoritarismo de seu presidente.

    O futebol respirou.

    Porque o esporte só permanece grande quando nenhum governante consegue ser maior do que ele.

    Se a FIFA deseja preservar sua credibilidade, precisa demonstrar ao mundo que seus regulamentos não se curvam diante de pressões políticas, interesses nacionais ou vaidades presidenciais.

    A Copa do Mundo pertence aos povos, não aos governantes.

    Pertence aos jogadores, não aos poderosos.

    Pertence ao mérito, não aos privilégios.

    E toda vez que alguém tenta transformar o futebol em instrumento de poder, não agride apenas uma competição.

    Agride bilhões de torcedores que ainda acreditam que, dentro de campo, todos devem ser iguais perante as regras.

    Carlo Simi é Matemático, Professor, Servidor Público, Sócio Proprietário e Torcedor do Fluminense, Frequentador dos jogos e do clube desde a década de 50, Ex-Conselheiro, Membro do Grupo Por Amor ao Tricolor e Membro da Embaixada Tricolores da Zona Sul.




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